<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"><channel><title><![CDATA[Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade (LETS)]]></title><description><![CDATA[Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade - Universidade de Brasília]]></description><link>https://lets.etc.br/</link><image><url>https://lets.etc.br/favicon.png</url><title>Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade (LETS)</title><link>https://lets.etc.br/</link></image><generator>Ghost 5.82</generator><lastBuildDate>Mon, 20 Apr 2026 13:48:48 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://lets.etc.br/rss/" rel="self" type="application/rss+xml"/><ttl>60</ttl><item><title><![CDATA[O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em nós e fez os pensamentos passearem]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Helena Costa</p><p>Mariana Oliveira&#xA0;</p><p>Thiago Allis</p><p><br>A Ilha do Ferro &#xE9; um encanto. Um povoado pequeno, em Alagoas, que nem se encolhe nem se estica entre o sert&#xE3;o e o Velho Chico. De um lado, terras alagoanas. Do outro, Sergipe. Sua popula&#xE7;&#xE3;o de cerca</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/ilha-do-ferro/</link><guid isPermaLink="false">68bf328b51b4ccb20e4f14ca</guid><category><![CDATA[Aprendizados]]></category><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[sustentabilidade]]></category><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 22 Sep 2025 18:24:16 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--1--1.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--1--1.jpg" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem"><p></p><p>Helena Costa</p><p>Mariana Oliveira&#xA0;</p><p>Thiago Allis</p><p><br>A Ilha do Ferro &#xE9; um encanto. Um povoado pequeno, em Alagoas, que nem se encolhe nem se estica entre o sert&#xE3;o e o Velho Chico. De um lado, terras alagoanas. Do outro, Sergipe. Sua popula&#xE7;&#xE3;o de cerca de 500 pessoas tem &#xE1;gua, arte onipresente e comida gostosa. Sua gente &#xE9; simp&#xE1;tica e emanam&#xA0; alguma magia no modo como o tempo passa. L&#xE1; parece que ficamos, n&#xF3;s mesmos, mais aterrados e, ao mesmo tempo, conectados com algo que transcende.</p><p>O Rio S&#xE3;o Francisco &#xE9; uma entidade que corta o &#xE2;mago brasileiro nas suas por&#xE7;&#xF5;es mais &#xE1;ridas. Por isso t&#xE3;o reverenciado nos afetos, no com&#xE9;rcio, na estrutura&#xE7;&#xE3;o da vida. Um rio teimoso, que nasce no maci&#xE7;o central do pa&#xED;s, e resolve correr para o norte, escoando-se entre baixadas e pared&#xF5;es, at&#xE9; chegar nas areias singelas da costa atl&#xE2;ntica. Cada trecho dialoga e produz cultura diversa, marcada pela rela&#xE7;&#xE3;o com as &#xE1;guas e os fluxos que elas permitem h&#xE1; mil&#xEA;nios.</p><p>Uma visita &#xE0; Ilha do Ferro - que, tecnicamente n&#xE3;o &#xE9; uma ilha, mas um remanso no ter&#xE7;o final do Rio S&#xE3;o Francisco - transforma. Transforma como quase todas as boas viagens que caminhantes atentos e curiosos fazem. Mas tamb&#xE9;m preocupa: que papel e que desdobramentos o turismo ter&#xE1; no futuro pr&#xF3;ximo deste lugar t&#xE3;o especial?</p><p>Neste texto, reunimos tr&#xEA;s profissionais de Turismo com olhares, experi&#xEA;ncias e atua&#xE7;&#xF5;es diversas, apaixonados por arte popular e por tudo de bonito que o Brasil oferece. E sabemos que n&#xE3;o &#xE9; pouco - mas nem sempre dispon&#xED;vel log&#xED;stica, simb&#xF3;lica e mesmo financeiramente.. Em comum, dividimos o impacto e as reflex&#xF5;es que uma ida &#xE0; Ilha do Ferro causou sobre n&#xF3;s. Quisemos partilhar essas impress&#xF5;es assumindo o risco de desviar das superficialidades de uma visita r&#xE1;pida. Mas achamos que vale a pena: o relato pode ser alimento &#xE0; reflex&#xE3;o para quem - como n&#xF3;s - reverencia um Brasil que merece ser vivido sob preceitos de turismo respons&#xE1;vel.</p><p>Modestamente, queremos organizar alguns pensamentos de quem achou este lugar t&#xE3;o &#xFA;nico, aut&#xEA;ntico e capaz de levantar quest&#xF5;es para quem atua em desenvolvimento tur&#xED;stico, economia criativa, mobilidades de gentes, coisas e ideias, sustentabilidade e experi&#xEA;ncias de toda ordem.&#xA0;</p><h3 id="mariana">Mariana:</h3><p></p><p>Chegar &#xE0; Ilha do Ferro &#xE9; atravessar um limiar onde o tempo borda os la&#xE7;os com linha de presen&#xE7;a e conviv&#xEA;ncia. As pessoas nos chamam pelo nome, apresentam fam&#xED;lias, partilham hist&#xF3;rias como quem passa o caf&#xE9; coado da tarde. At&#xE9; os c&#xE3;es das ruas t&#xEA;m nome &#x2014; e pertencem a todos. A vida aqui pulsa no compasso do rio e das m&#xE3;os que, esculpindo madeira, transformam o que a terra d&#xE1; em arte viva.</p><p>No cotidiano, sorrisos largos; no of&#xED;cio, orgulho e calma. &#xC9; nesse cen&#xE1;rio que o turismo na Ilha do Ferro encontra sentido: quem chega vem para aprender, conhecer e sentir, n&#xE3;o para moldar. O valor maior &#xE9; ser o que se &#xE9;, sem trocar por uma ideia de &quot;melhor&quot; que vem de fora.</p><blockquote>A Ilha do Ferro nos ensina que hospitalidade n&#xE3;o cabe em manuais, nem pertencimento se ergue com receitas. &#xC9; preciso escutar antes de ensinar, caminhar antes de guiar, sentir antes de transformar. </blockquote><p>E, aos poucos, se percebe: o verdadeiro luxo n&#xE3;o &#xE9; prato com nome em franc&#xEA;s, mas o cheiro do feij&#xE3;o da Bruna ou da Bia, a leveza da dona Irene, o sabor da pizza do Pedro, o riso das crian&#xE7;as jogando bola &#xE0; beira-rio. Nesse contraste, se abre o convite: repensar a forma como tocamos os lugares &#x2014; e as vidas &#x2014; por onde passamos.</p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--2-.jpg" class="kg-image" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" loading="lazy" width="959" height="1280" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--2-.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--2-.jpg 959w" sizes="(min-width: 720px) 720px"><figcaption><span style="white-space: pre-wrap;">Arte popular em ateli&#xEA; na Ilha do Ferro. Imagem: Thiago Allis</span></figcaption></figure><p></p><h3 id="helena">Helena:</h3><p></p><p>Parece que voltamos da Ilha do Ferro mais conectados para sermos mais art&#xED;sticos, para trazermos coisas bonitas e &#xFA;nicas ao mundo. Senti l&#xE1; uma quietude profunda, misturada com uma inquietude criativa. Um lugar especial, sem d&#xFA;vida. Nem por isso quero te convencer a ir l&#xE1;. Tem v&#xE1;rios materiais j&#xE1; dispon&#xED;veis que far&#xE3;o isso com voc&#xEA; sem muito esfor&#xE7;o.&#xA0;</p><p>Por trabalhar com turismo - ter visto muita coisa nos &#xFA;ltimos 20 anos - al&#xE9;m de ter forma&#xE7;&#xE3;o, pesquisar o assunto, atuar na &#xE1;rea e ter consci&#xEA;ncia sobre seus &#xF4;nus e b&#xF4;nus, prefiro mesmo que n&#xE3;o vire um <em>hit</em>. J&#xE1; vivemos o bastante para ver Jericoacoara, Piren&#xF3;polis, Pipa e n&#xE3;o queremos cometer os mesmos erros. Quero apenas que n&#xE3;o se perca seu valor criativo e comunit&#xE1;rio.&#xA0; &#xC9; necess&#xE1;ria uma grande delicadeza ao pisar naquela terra.&#xA0;</p><p>O povoado parece longe, parece inalcan&#xE7;&#xE1;vel. Mas n&#xE3;o &#xE9;. Parece que se manteve com poucas mudan&#xE7;as no modo de vida nos &#xFA;ltimos 100 anos, mas estou certa de que aqueles que conheceram h&#xE1; 10 anos, j&#xE1; notariam muitas diferen&#xE7;as. Ouvi hist&#xF3;rias de como era - e de como deveria continuar sendo.&#xA0;</p><blockquote>Minhas maiores inquieta&#xE7;&#xF5;es ao sair de l&#xE1; foram como este povoado ir&#xE1; preservar, nas pr&#xF3;ximas d&#xE9;cadas, suas caracter&#xED;sticas que o fizeram t&#xE3;o &#xFA;nico, e ainda assim acompanhar a din&#xE2;mica do sucesso de suas pe&#xE7;as e seus mestres? Como seguir&#xE3;o extraindo a madeira de forma a sustentar os of&#xED;cios que criaram, sobretudo, a partir dela? </blockquote><p>A resposta para isso est&#xE1; na mudan&#xE7;a de uma pr&#xE1;tica centen&#xE1;ria de ser coletor de madeira - agora &#xE9; tempo de iniciar outra conduta, de replantar, de regenerar - como sugeriu o Yang, brilhante jovem l&#xED;der da associa&#xE7;&#xE3;o de artes&#xE3;os. Este &#xE9; o legado que ele gostaria de deixar.&#xA0;</p><p>Como manter entregas volumosas para os grandes centros - eu mesma presenciei encomendas de 150 pe&#xE7;as de um &#xFA;nico modelo em um pedido para S&#xE3;o Paulo - e manter uma vida calma ali naquele lugar do mundo? Como seria poss&#xED;vel ampliar os ganhos - em m&#xFA;ltiplas dimens&#xF5;es - para os artistas e suas fam&#xED;lias, ao mesmo tempo valorizar o seu saber fazer, assim como a conviv&#xEA;ncia genu&#xED;na com quem decide visitar a Ilha? Como evitar que outros atravessadores venham comercializar uma rica experi&#xEA;ncia tur&#xED;stica que est&#xE1; ali nos ateli&#xEA;s, apenas aguardando um desenho e uma percep&#xE7;&#xE3;o do valor intr&#xED;nseco a ela?</p><p>Algo que me incomoda e ati&#xE7;a a minha curiosidade &#xE9; a rela&#xE7;&#xE3;o comercial com os distribuidores. Em buscas online, constatei pe&#xE7;as vendidas em lojas especializadas por valores de 200 a 330 reais. Essa mesma pe&#xE7;a custa 50 reais se comprada diretamente na m&#xE3;o do artista. Isso me gera um mal-estar que n&#xE3;o pareceu acometer nenhum dos artistas para quem perguntei sobre a rela&#xE7;&#xE3;o. Essa quest&#xE3;o me move para maiores investiga&#xE7;&#xF5;es futuras, mas parece mais minha do que deles...&#xA0;</p><p>De toda maneira, saio provocada em um sonho: de viver mais tempo ali, e trabalhar ao lado deles para co-criar experi&#xEA;ncias nos ateli&#xEA;s, respeitando o tempo e a l&#xF3;gica de cada artista, que poderia passar a vender mais do que um objeto de arte, mas sim uma experi&#xEA;ncia art&#xED;stica e formativa de grande valor para os visitantes - em uma escala que respeite a vida que se vive ali.&#xA0;<br></p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14--1-.jpg" class="kg-image" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" loading="lazy" width="1600" height="1200" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14--1-.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14--1-.jpg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14--1-.jpg 1600w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p></p><h3 id="thiago">Thiago:<br></h3><p>A Ilha do Ferro, parte do munic&#xED;pio de P&#xE3;o de A&#xE7;&#xFA;car, na beirada alagoana, vem ganhando visibilidade, principalmente pela circula&#xE7;&#xE3;o da arte que viaja pelas redes sociais, malas e sacolas de viajantes, fretes de lojas, bem como por quem vem atr&#xE1;s de vivenciar, ver, sentir a ess&#xEA;ncia deste ambiente criativo.</p><p>Uma das reflex&#xF5;es que fiz sobre esse lugar e o que a&#xED; se produz diz respeito sobre os muitos circuitos que pe&#xE7;as de arte popular desenham mundo afora - desde a concep&#xE7;&#xE3;o est&#xE9;tica quase ancestral at&#xE9; a venda e o pouso em lares distantes.&#xA0;&#xA0;</p><p>Claro que esse assunto n&#xE3;o &#xE9; novo quando se discute com&#xE9;rcio de arte, a dita popular. Aqui objetos de madeira policromada se revestem de uma ambival&#xEA;ncia: de um lado, a oportunidade de vivenciar a cultura in loco, em visita a um povoado que pouco a pouco entra no mapa de possibilidades de turismo fora do convencional; e claro, isso inclui consumir simb&#xF3;lica e economicamente a cria&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica das entranhas do Brasil; de outro, uma crescente drenagem de pe&#xE7;as, que, por entrarem no repert&#xF3;rio de gosto (ou moda) de classes m&#xE9;dias urbanas e distantes, alimentam os portifolios de intermedi&#xE1;rios comerciais, para encomend&#xE1;-las, adquiri-las, transport&#xE1;-las e comercializ&#xE1;-las amplamente (especialmente on-line)</p><p>Em qualquer caso, a Ilha do Ferro &#xE9; posta em movimento ela mesma, alarga suas fronteiras para al&#xE9;m do Velho Chico. Em grande medida, os curiosos que chegam - como n&#xF3;s! - s&#xE3;o agentes ativos dessa mobiliza&#xE7;&#xE3;o de um lugar que, at&#xE9; n&#xE3;o muito tempo atr&#xE1;s, pouca gente seria capaz de localizar num mapa. Isso tudo agu&#xE7;a o paladar de um pesquisador de mobilidades. A compra <em>in loco </em>dialoga muito com essa vis&#xE3;o das mobilidades que eu tenho trabalhado.&#xA0;</p><p>Parto do pressuposto te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico: seguir as coisas, em sua materialidade e relacionamentos, nos ajudam a entender fen&#xF4;menos contempor&#xE2;neos- incluindo o turismo. </p><blockquote>Ao esquadrinharmos&#xA0; o caminho das coisas, temos a chance de entender&#xA0; a din&#xE2;mica dos fatos em todas as suas dimens&#xF5;es, a partir de outras miradas e conex&#xF5;es: dos indiv&#xED;duos a elas vinculados, dos processos territoriais, das din&#xE2;micas econ&#xF4;micas, das dimens&#xF5;es simb&#xF3;licas, em fun&#xE7;&#xE3;o daquele mover-se, do mover-se das coisas.&#xA0;</blockquote><p>Isso n&#xE3;o&#xA0; se resume &#xE0; perspectiva de um estudo econ&#xF4;mico, como &#xE9; que essa cadeia produtiva se constr&#xF3;i, como &#xE9; que se agrega valor entre a origem da mat&#xE9;ria-prima at&#xE9; seu consumo na outra ponta. Isso interessa e elucida certas nuances, mas, na forma como o estudo das mobilidades sugere, trata-se sobretudo de identificar os pontos dessas cadeias em que experi&#xEA;ncias tur&#xED;sticas s&#xE3;o produzidas.&#xA0;</p><p>Mas voltemos &#xE0; Ilha do Ferro. Essas pe&#xE7;as s&#xE3;o produzidas ali, v&#xE3;o gradativamente agora movendo-se em novos circuitos de valoriza&#xE7;&#xE3;o nacional e, possivelmente,&#xA0; at&#xE9; internacional. Essa nova trama de relacionamentos se estrutura a partir de v&#xE1;rios caminhos: proje&#xE7;&#xE3;o midi&#xE1;tica, circula&#xE7;&#xE3;o nas redes, promo&#xE7;&#xE3;o dos estados, pessoas que visitam e contam, influenciadores, mat&#xE9;ria na revista da Gol, etc.&#xA0;</p><p>Essa proje&#xE7;&#xE3;o Ilha do Ferro alimenta a constru&#xE7;&#xE3;o de&#xA0; um imagin&#xE1;rio, preponderantemente associado &#xE0; est&#xE9;tica e &#xE0; materialidade das pe&#xE7;as de madeira coloridas.&#xA0; Com isso, esses produtos circulam simbolicamente - a&#xED; as pessoas ou querem comprar na lojinha online, na galeria, ou querem ir l&#xE1; comprar pessoalmente. Criam-se desejos nas brechas e elos&#xA0; dessa circula&#xE7;&#xE3;o simb&#xF3;lica e mas tamb&#xE9;m material. Em alguns casos, isso gera uma demanda para os intermedi&#xE1;rios disponibilizarem as pe&#xE7;as em lojas f&#xED;sicas ou virtuais, e cada vez mais pessoas consomem Ilha do Ferro atrav&#xE9;s da compra daquela arte, mas n&#xE3;o necessariamente est&#xE3;o interessadas ou dispostas a uma viv&#xEA;ncia local. Em outros casos, essas circula&#xE7;&#xF5;es produzem&#xA0; um curiosidade&#xA0; de outros grupos de&#xA0; pessoas para irem at&#xE9; l&#xE1; porque&#xA0; t&#xEA;m uma sensibilidade e outros est&#xED;mulos de conhecer o contexto da produ&#xE7;&#xE3;o, viver o lugar, conhecer o artes&#xE3;o, ter viv&#xEA;ncia do S&#xE3;o Francisco, e, enfim, comprar <em>in loco</em>. Ou seja, &#xE9; o turismo associado a uma produ&#xE7;&#xE3;o cultural materializada e territorializada, enraizada nas beiras do rio-vida.</p><p>Aqui temos uma encruzilhada desafiadora: se, por um lado, abastecer mercados distantes e volumosos (em vendas on-line ou por atravessadores) garante receita regular e possivelmente maior, por outro, isso pode gerar uma press&#xE3;o de produ&#xE7;&#xE3;o quantitativa e, quanto mais gente se disp&#xF5;e a conhecer o povoado, gerar frustra&#xE7;&#xE3;o no caso de desabastecimento (agora direcionado para entregas comerciais em escala - para consumidores que tenham sensibilidade para saber, vagamente, n&#xE3;o mais que o nome do lugar). Em certo sentido, a fama - e at&#xE9; o reconhecimento - podem resultar numa autofagia das vantagens intr&#xED;nsecas deste lugar inspirado e inspirador, minando potencialidades &#xFA;nicas. Quem e como ir&#xE1; equilibrar essa r&#xE9;gua &#xE9; uma quest&#xE3;o que cabe, primordialmente, a essa mesma comunidade.</p><p>Mais do que tergiversa&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas, essas dimens&#xF5;es menos &#xF3;bvias das mobilidades podem servir de guia para leituras de pr&#xE1;ticas tur&#xED;sticas ligadas a uma produ&#xE7;&#xE3;o cultural num territ&#xF3;rio determinado e, a partir disso, estruturar plataformas de a&#xE7;&#xE3;o para o desenvolvimento local.&#xA0;</p><figure class="kg-card kg-gallery-card kg-width-wide kg-card-hascaption"><div class="kg-gallery-container"><div class="kg-gallery-row"><div class="kg-gallery-image"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--3--2.jpg" width="960" height="1280" loading="lazy" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--3--2.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--3--2.jpg 960w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--4--2.jpg" width="960" height="1280" loading="lazy" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--4--2.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17--4--2.jpg 960w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17.jpg" width="960" height="1280" loading="lazy" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-07-52-17.jpg 960w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></div></div><div class="kg-gallery-row"><div class="kg-gallery-image"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14-1.jpg" width="1200" height="1600" loading="lazy" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14-1.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14-1.jpg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-10-14-1.jpg 1200w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-12-00-1.jpg" width="1200" height="1600" loading="lazy" alt="O compasso da Ilha do Ferro (AL): como esta viagem entalhou algo em n&#xF3;s e fez os pensamentos passearem" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-12-00-1.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-12-00-1.jpg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/PHOTO-2025-09-16-08-12-00-1.jpg 1200w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></div></div></div><figcaption><p dir="ltr"><span style="white-space: pre-wrap;">Imagens da Ilha do Ferro. Linha superior: Thiago Allis. Linha inferior: Helena Costa</span></p></figcaption></figure><h3 id="quem-somos">Quem Somos</h3><p></p><p><strong>Helena Costa</strong> &#xE9; de Bras&#xED;lia, onde &#xE9; professora de Turismo e Administra&#xE7;&#xE3;o na Universidade de Bras&#xED;lia, com atua&#xE7;&#xE3;o em pesquisa no LETS, projetos e pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas em turismo e sustentabilidade.&#xA0;</p><p><strong>Mariana Oliveira</strong> &#xE9; arquiteta e bacharel em Turismo, vive em Recife e tem viv&#xEA;ncia em desenhar roteiros e experi&#xEA;ncias extremamente peculiares pelo Brasil.&#xA0;</p><p><strong>Thiago Allis </strong>&#xE9; professor e pesquisador em Turismo da EACH USP, e se dedica, junto de muitas outras pessoas engajadas, ao estudo das mobilidades e turismo no Mobtur.</p><p></p><h3 id="links-mobtur">Links MobTur</h3><p><a href="https://www.instagram.com/mobtur_usp?igsh=MXAwaThzZ2FwdWp1&amp;ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Instagram</a></p><p><a href="https://sites.usp.br/mobtur/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Site</a> </p><p><a href="https://m.youtube.com/@MobTurUSP?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">YouTube</a> </p><p></p><p><strong>Para saber mais: </strong></p><p>Hist&#xF3;rias de Casa <a href="https://www.historiasdecasa.com.br/2024/07/31/cor-arte-e-amor-em-um-lar-na-ilha-do-ferro/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Ilha do Ferro</a></p><p>MiniGuia Ilha do Ferro <a href="https://thesummerhunter.com/miniguia-ilha-do-ferro-em-alagoas/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">The Summer Hunter</a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Governação e políticas públicas no Turismo: repensando conceitos para uma aplicação prática em destinos]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>O turismo &#xE9; um fen&#xF4;meno e um sistema transversal que articula na din&#xE2;mica econ&#xF4;mica, com o ambiente pol&#xED;tico, elemento de for&#xE7;a e influ&#xEA;ncia, com a sociedade, a cultura, e o meio ambiente, num mesmo quadro de desenvolvimento sustent&</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/governacao/</link><guid isPermaLink="false">68bf2fc251b4ccb20e4f149d</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[Publicação]]></category><category><![CDATA[seloeditorial]]></category><dc:creator><![CDATA[Ariadne Pedra Bittencourt]]></dc:creator><pubDate>Tue, 09 Sep 2025 12:25:12 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1602679042292-0679c2663d07?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDIwfHxuZXR3b3xlbnwwfHx8fDE3NTczNjAyOTZ8MA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1602679042292-0679c2663d07?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDIwfHxuZXR3b3xlbnwwfHx8fDE3NTczNjAyOTZ8MA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Governa&#xE7;&#xE3;o e pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Turismo: repensando conceitos para uma aplica&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica em destinos"><p></p><p>O turismo &#xE9; um fen&#xF4;meno e um sistema transversal que articula na din&#xE2;mica econ&#xF4;mica, com o ambiente pol&#xED;tico, elemento de for&#xE7;a e influ&#xEA;ncia, com a sociedade, a cultura, e o meio ambiente, num mesmo quadro de desenvolvimento sustent&#xE1;vel, inclus&#xE3;o social, e fortalecimento de territ&#xF3;rios. Contudo, para que seu potencial se concretize, &#xE9; essencial que haja governa&#xE7;&#xE3;o e governan&#xE7;a eficazes, assim como pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas bem formuladas e compartilhadas. Vamos explorar por que discutir esse tema &#xE9; urgente e como ele pode transformar realidades locais e dialoga no Sistema Integrado do Turismo - SID.</p><p><strong>Governa&#xE7;&#xE3;o e/ou governan&#xE7;a no turismo?&#xA0;</strong></p><p>O termo governa&#xE7;&#xE3;o que defendo aqui, envolve os processos de decis&#xE3;o governamental,&#xA0; participa&#xE7;&#xE3;o e articula&#xE7;&#xE3;o entre atores p&#xFA;blicos &#x2013; participa&#xE7;&#xE3;o multin&#xED;vel. J&#xE1; o termo governan&#xE7;a, defendido por in&#xFA;meros autores, abrange o envolvimento dos&#xA0; atores p&#xFA;blicos (uni&#xE3;o, estados, municipios), privados (sociedade civil organizada) e comunidades (locais e tradicionais),&#xA0; universidades,&#xA0; entre outros,&#xA0; caracterizando uma participa&#xE7;&#xE3;o multin&#xED;vel e multissetorial. No turismo faz-se imprescind&#xED;vel uma governan&#xE7;a h&#xED;brida (setores p&#xFA;blico e privado) com capacidade de planejar, gerir e monitorar a&#xE7;&#xF5;es para formula&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas que envolvam o trip&#xE9;: Estado/governo, mercado/empresas e a sociedade.</p><blockquote>Uma boa governa&#xE7;&#xE3;o pode reconhecer o turismo como priorit&#xE1;rio - aten&#xE7;&#xE3;o do governo, com inser&#xE7;&#xE3;o na agenda p&#xFA;blica e, consequentemente, no or&#xE7;amento. A boa governan&#xE7;a promove a participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;, reduz desigualdades territoriais, garante continuidade das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas &#x2013; independentemente de mandatos pol&#xED;ticos, estimula a integra&#xE7;&#xE3;o intersetorial, entre outros. Ambas, governa&#xE7;&#xE3;o e governan&#xE7;a, precisam existir de forma associada e corroborativa, onde todos os atores impactam ou s&#xE3;o impactados pela tomada de decis&#xE3;o.</blockquote><p>Nesses espa&#xE7;os de di&#xE1;logo, inst&#xE2;ncias de governan&#xE7;a, as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas se articulam&#xA0; como instrumentos de governan&#xE7;a e como ferramentas de decis&#xF5;es governamentais. O <em>instrumento</em>, define &#x201C;o qu&#xEA;&#x201D;&#xA0; e&#xA0; &#x201C;porqu&#xEA;&#x201D; ser&#xE1; implementado. &#xC9; estrat&#xE9;gico, normativo, de planejamento e articula&#xE7;&#xE3;o interinstitucional, orienta a a&#xE7;&#xE3;o do Estado, da governan&#xE7;a ou outros atores do turismo. A <em>ferramenta</em> mostra &#x201C;como&#x201D; alcan&#xE7;ar os objetivos. Recurso t&#xE9;cnico, metodol&#xF3;gico ou tecnol&#xF3;gico, operacional, pr&#xE1;tico, de monitoramento e avalia&#xE7;&#xE3;o. A governan&#xE7;a deve ter ampla percep&#xE7;&#xE3;o e foco estrat&#xE9;gico, conhecimento dos fatores-chave (imperativos estrat&#xE9;gicos) sustentabilidade e competitividade.</p><p></p><p><strong>Por que o turismo precisa de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas espec&#xED;ficas?</strong></p><p>Vamos diferenciar primeiro o contexto das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas <strong>no</strong> turismo e as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas <strong>de</strong> turismo. A diferen&#xE7;a est&#xE1; no alcance e na fun&#xE7;&#xE3;o que o turismo assume dentro do campo das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. As pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas <strong>no</strong> turismo t&#xEA;m sentido ampliado, intersetorial. Trata-se de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas de outras &#xE1;reas (educa&#xE7;&#xE3;o, cultura, meio mabiente, seguran&#xE7;a, sa&#xFA;de, transporte, entre outras) que impactam e se materializam dentro do campo do turismo. O turismo aqui &#xE9; o campo de aplica&#xE7;&#xE3;o ou benefici&#xE1;rio indireto de pol&#xED;ticas mais amplas. J&#xE1; as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas <strong>de</strong> turismo t&#xEA;m sentido restrito, espec&#xED;fico. S&#xE3;o pol&#xED;ticas elaboradas especialmente para o setor e sua fun&#xE7;&#xE3;o &#xE9; estruturar, fomentar e regular o turismo. Neste caso, o turismo &#xE9; o objeto central da pol&#xED;tica.</p><p>Respondendo ao questionamento posto,&#xA0; o turismo &#xE9; transversal, envolve diversas &#xE1;reas e sem as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas espec&#xED;ficas, n&#xE3;o h&#xE1; alinhamento, coordena&#xE7;&#xE3;o, trocas entre os setores, o que pode gerar impactos negativos, exclus&#xE3;o de comunidades locais, degrada&#xE7;&#xE3;o ambiental, infla&#xE7;&#xE3;o local e outros preju&#xED;zos. Sem pol&#xED;ticas claras e alinhadas &#xE0;s diretrizes macro e ao contexto local/destino, o turismo tende a ser explorado de forma desordenada, desigual e predat&#xF3;ria. A pol&#xED;tica p&#xFA;blica deve corrigir assimetrias territoriais e n&#xE3;o o inverso. Muitas falhas derivam da fragmenta&#xE7;&#xE3;o institucional do destino e da aus&#xEA;ncia de estrat&#xE9;gias integradas e de longo prazo e da desarticula&#xE7;&#xE3;o na constru&#xE7;&#xE3;o dessas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Boas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, sejam &#x201C;no turismo&#x201D; ou &#x201C;de turismo&#x201D; s&#xE3;o constru&#xED;das com dados, di&#xE1;logo, foco no coletivo e no or&#xE7;amento.<br></p><p><strong>O papel das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no fortalecimento do setor</strong></p><p>As pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas s&#xE3;o o alicerce no desenvolvimento do turismo de forma planejada, inclusiva e sustent&#xE1;vel. O conceito entrela&#xE7;ado de planejamento e pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas est&#xE1; imbricado e entrela&#xE7;ado com o or&#xE7;amento. N&#xE3;o existe pol&#xED;tica p&#xFA;blica sem or&#xE7;amento. As pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas definem, entre outros aspectos: Prioridades de investimento; Marco regulat&#xF3;rios; Incentivos &#xE0; inova&#xE7;&#xE3;o e capacita&#xE7;&#xE3;o/qualifica&#xE7;&#xE3;o; Prote&#xE7;&#xE3;o dos patrim&#xF4;nios culturais e naturais. Uma pol&#xED;tica eficaz &#xE9; aquela que tem base em dados confi&#xE1;veis, &#xE9; construida de forma participativa, tem clareza de objetivos, metas e indicadores; garante continuidade, &#xE9; independente de mudan&#xE7;as de governo; tem efic&#xE1;cia ligada &#xE0; boa governan&#xE7;a, com mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o, transpar&#xEA;ncia, monitoramento e adapta&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s transforma&#xE7;&#xF5;es do ambiente.&#xA0;</p><p></p><p><strong>Por onde come&#xE7;ar a mudar a realidade de um destino?</strong></p><p>Incentivar f&#xF3;runs participativos com comunidades locais - inst&#xE2;ncias de governan&#xE7;a; garantir dados e diagn&#xF3;sticos atualizados sobre os destinos/territ&#xF3;rios; integrar o turismo a outras pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e qualificar os profissionais da gest&#xE3;o p&#xFA;blica do turismo. Falar sobre governa&#xE7;&#xE3;o/governan&#xE7;a e pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no turismo &#xE9; reconhecer que o turismo pode &#x2013; e deve &#x2013; ser um agente de transforma&#xE7;&#xE3;o social. O turismo passa pela escuta ativa, pelo planejamento e pela constru&#xE7;&#xE3;o coletiva.&#xA0; Camadas estrat&#xE9;gicas, t&#xE1;ticas, operacionais e de suporte e intelig&#xEA;ncia aqui sintetizadas sincronizam o processo decis&#xF3;rio.</p><p>Compreender essa complexidade exige mais do que uma mera an&#xE1;lise de componentes isolados; requer uma abordagem sist&#xEA;mica que revele as rela&#xE7;&#xF5;es intr&#xED;nsecas, as interdepend&#xEA;ncias e os fluxos din&#xE2;micos que a constituem. Essa perspectiva n&#xE3;o &#xE9; apenas um exerc&#xED;cio acad&#xEA;mico, mas uma ferramenta metodol&#xF3;gica crucial para identificar pontos de alavancagem para interven&#xE7;&#xE3;o e para o desenvolvimento sustent&#xE1;vel em um destino e as suas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.</p><p><br><strong>O livro&#xA0;</strong></p><p>Conhe&#xE7;a mais o livro <a href="https://livros.unb.br/index.php/portal/catalog/book/642?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer"><em>Governa&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas no Turismo</em></a><em> (lan&#xE7;ado pelo Selo LETS UnB, 2024)</em> &#x2013; uma obra que convida &#xE0; reflex&#xE3;o e &#xE0; a&#xE7;&#xE3;o, e, pode ser tamb&#xE9;m uma leitura complementar valiosa para as disciplinas relacionadas &#xE0;s pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, planejamento tur&#xED;stico, administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica e gest&#xE3;o territorial. &#xA0;</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/09/Capa-livro-Aria-dne.png" class="kg-image" alt="Governa&#xE7;&#xE3;o e pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Turismo: repensando conceitos para uma aplica&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica em destinos" loading="lazy" width="617" height="868" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/09/Capa-livro-Aria-dne.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/09/Capa-livro-Aria-dne.png 617w"></figure>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um memorial para Niéde Guidon]]></title><description><![CDATA[<p>Helena Costa</p><p>Ni&#xE9;de h&#xE1; muito &#xE9; conhecida e admirada por aqueles que trabalham por um turismo mais inclusivo. Na Serra da Capivara, essa corajosa cientista liderou movimentos que olhavam n&#xE3;o apenas para os antepassados e tudo que a Arqueologia poderia revelar. Como se isso fosse</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/um-memorial-para-niede-guidon/</link><guid isPermaLink="false">68472f8d51b4ccb20e4f1438</guid><category><![CDATA[Aprendizados]]></category><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[turismosustentável]]></category><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Jun 2025 19:21:09 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2025/06/img_acervo_90-06-1536x991.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/06/img_acervo_90-06-1536x991.jpg" alt="Um memorial para Ni&#xE9;de Guidon"><p>Helena Costa</p><p>Ni&#xE9;de h&#xE1; muito &#xE9; conhecida e admirada por aqueles que trabalham por um turismo mais inclusivo. Na Serra da Capivara, essa corajosa cientista liderou movimentos que olhavam n&#xE3;o apenas para os antepassados e tudo que a Arqueologia poderia revelar. Como se isso fosse insuficiente, ela olhava para aquelas comunidades que ali residiam, em grande pen&#xFA;ria, e buscava formas de que pudessem viver a grandeza do que os nossos ancestrais ali deixaram. </p><p>Toda a admira&#xE7;&#xE3;o e agradecimento do LETS &#xE0; Ni&#xE9;de Guidon, que fez muito pelo patrim&#xF4;nio arqueol&#xF3;gico do Brasil e do mundo. Que deixou um legado de determina&#xE7;&#xE3;o, apesar das incont&#xE1;veis dificuldades. Que deixou um Parque Nacional digno de ser motivo de orgulho para os brasileiros (ainda que pouco conhecido por tantos de n&#xF3;s).  </p><p>Em mar&#xE7;o deste ano, o Museu da Imagem e do Som de S&#xE3;o Paulo j&#xE1; havia organizado uma exposi&#xE7;&#xE3;o em comemora&#xE7;&#xE3;o aos 90 anos de Ni&#xE9;de. Celebrada e reconhecida em vida (felizmente!) por suas gigantes contribui&#xE7;&#xF5;es como mostrado <a href="https://mis-sp.org.br/vitrines/90-anos-de-niede-guidon-desvendando-a-origem-da-colecao-arte-rupestre-no-museu-da-imagem-e-do-som/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">aqui</a>.</p><p>Pensamos em formas de registrar essa homenagem. Um memorial mais institucional, mais pessoal, mais acad&#xEA;mico? E chegamos aqui: ao bel&#xED;ssimo texto da nossa pesquisadora Prof. Dra. Iara Brasileiro - com quem eu aprendi tanto sobre Ni&#xE9;de e passei a ter um carinho imenso por essa mulher que nunca cheguei a ver pessoalmente. </p><p>Fiquemos com o texto da Prof Iara, que nos emociona a cada palavra. </p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/06/i2_DnxgXMS.jpg.webp" class="kg-image" alt="Um memorial para Ni&#xE9;de Guidon" loading="lazy" width="620" height="430" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/06/i2_DnxgXMS.jpg.webp 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/06/i2_DnxgXMS.jpg.webp 620w"><figcaption><span style="white-space: pre-wrap;">Ni&#xE9;de Guidon. Fonte: Revista &#xC9;poca, 2017</span></figcaption></figure><p></p><p><strong>&#xC0; incans&#xE1;vel, corajosa e determinada mulher, Ni&#xE8;de Guidon</strong></p><p>Iara Brasileiro</p><p>Ni&#xE8;de Guidon encerrou sua vida entre n&#xF3;s no &#xFA;ltimo dia 4 de junho. De acordo com pessoas pr&#xF3;ximas a ela, &#x201C;sentiu um mal-estar, tomou alguma coisa para alivi&#xE1;-lo e foi dormir&#x201D;. Na madrugada, seu cora&#xE7;&#xE3;o parou. Simples assim.&#xA0;</p><p>O que dizer dessa pesquisadora e cientista? O que dizer dessa mulher?</p><p>Imposs&#xED;vel n&#xE3;o ser impactada por sua presen&#xE7;a discreta, mas impressionantemente forte e marcante. Tive o privil&#xE9;gio de conhec&#xEA;-la, de ser recebida em sua casa e, at&#xE9;, de discutir com ela a possibilidade de desenvolvermos um projeto juntas. Escrevi a proposta que ela assinou sem obje&#xE7;&#xF5;es e encaminhamos &#xE0; institui&#xE7;&#xE3;o que, pens&#xE1;vamos, teria todo interesse em apoi&#xE1;-lo.  Infelizmente, nunca recebemos resposta, mesmo sabendo que todos os que leram o projeto o julgassem inovador e importante. Uma l&#xE1;stima, mas esse seria t&#xE3;o somente mais um &#x201C;n&#xE3;o&#x201D; que recebemos quando buscamos recursos para pesquisas que, por mais importantes que sejam, n&#xE3;o sensibilizam as arcas dos financiadores. Certamente Ni&#xE8;de esbarrou em muitas portas. Aquela foi s&#xF3; mais uma.</p><p>O projeto n&#xE3;o vingou, mas a lembran&#xE7;a de Ni&#xE8;de permanece em meu cora&#xE7;&#xE3;o. Desconhe&#xE7;o as raz&#xF5;es que ela teve para determinar que o Museu fosse aberto para mim; que eu fosse acompanhada por pesquisadora e docente na visita aos laborat&#xF3;rios; que o chefe do Parque me mostrasse trilhas ainda n&#xE3;o abertas aos visitantes; que conversasse comigo por horas.&#xA0;</p><p>Como esquecer tamanha hospitalidade, se todas as &#x201C;soleiras&#x201D; foram transpostas para sempre?&#xA0;</p><p>Nos dias em que estive visitando a cidade de S&#xE3;o Raimundo Nonato (PI), o Museu do Homem Americano e o Parque da Serra da Capivara, pude conversar com mulheres e homens que trabalhavam direta ou indiretamente para a Funda&#xE7;&#xE3;o. Ali aprendi, de perto, o que &#xE9; conhecer e cuidar do passado, valorizar o presente para assegurar o futuro.</p><p>Ao perceber que muitas mulheres eram maltratadas e desvalorizadas, Ni&#xE8;de passou a contrat&#xE1;-las, garantindo-lhes emprego, poder e, consequentemente, liberdade. N&#xE3;o descuidou dos homens, dedicando-se a ensinar-lhes valores de cuidados consigo, com os outros e com a natureza. Empregou os ca&#xE7;adores como vigilantes, dando-lhes outra perspectiva para seu olhar sempre atento, conhecedor dos rastros, cheiros e presen&#xE7;as. Fez quest&#xE3;o que as crian&#xE7;as frequentassem a escola. Promoveu a forma&#xE7;&#xE3;o musical e incentivou os trabalhos em cer&#xE2;mica. Resgatou a grandeza da vida milenar.&#xA0;</p><p>Quanto &#xE0; ci&#xEA;ncia, confrontou as teorias estabelecidas e, corajosamente, defendeu outras ideias. Por d&#xE9;cadas enfrentou cr&#xED;ticas &#xE0; sua atua&#xE7;&#xE3;o e explica&#xE7;&#xE3;o sobre seus achados arqueol&#xF3;gicos. Identificou mais de 800 s&#xED;tios arqueol&#xF3;gicos, criou a Funda&#xE7;&#xE3;o Museu do Homem Americano (FUMDHAM) e o Parque Nacional da Serra da Capivara, Patrim&#xF4;nio Mundial pela UNESCO. Marcou a ci&#xEA;ncia.</p><blockquote><strong>O que a fez t&#xE3;o presente? Talvez, a for&#xE7;a misteriosa do passado long&#xED;nquo, mas t&#xE3;o vivo, a acompanhasse em sua caminhada. Ou, talvez, quem sabe, ela tenha aprendido com a vegeta&#xE7;&#xE3;o da Caatinga , com as on&#xE7;as e os p&#xE1;ssaros, e com os pequenos moc&#xF3;s, a simplesmente, resistir e manter a alma livre, valente, firme e perseverante.&#xA0;</strong></blockquote><p>Ni&#xE8;de Guidon deixou suas &#x201C;marcas na pedra&#x201D;.</p><p>Seu enterramento est&#xE1; no quintal da casa em que vivia, junto ao Museu do Homem Americano.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[“Só sei que nada sei” ou nem sei o que não sei?]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Enorme desafio, o de se propor alguma reflex&#xE3;o sobre realidades &#x2013; no plural! -, intelig&#xEA;ncia artificial, passado, presente e futuro da humanidade em todos os sentidos que queiramos dar a esse termo. Afinal, o que &#xE9; &#x201C;ser humano&#x201D;? Isso, para nem resvalar na grande</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/soseiquenadasei/</link><guid isPermaLink="false">683de72b51b4ccb20e4f13a2</guid><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[Aprendizados]]></category><dc:creator><![CDATA[Iara Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Jun 2025 18:15:46 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1521283937490-1de9cec416ba?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDE4fHxwYXRofGVufDB8fHx8MTc0ODg4NzYzN3ww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1521283937490-1de9cec416ba?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDE4fHxwYXRofGVufDB8fHx8MTc0ODg4NzYzN3ww&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" alt="&#x201C;S&#xF3; sei que nada sei&#x201D; ou nem sei o que n&#xE3;o sei?"><p></p><p>Enorme desafio, o de se propor alguma reflex&#xE3;o sobre realidades &#x2013; no plural! -, intelig&#xEA;ncia artificial, passado, presente e futuro da humanidade em todos os sentidos que queiramos dar a esse termo. Afinal, o que &#xE9; &#x201C;ser humano&#x201D;? Isso, para nem resvalar na grande quest&#xE3;o que nos acompanha: &#x201C;o que &#xE9; o ser humano&#x201D;? Pormenores que fazem toda a diferen&#xE7;a.</p><p><br>Desde que caminham sobre a Terra, os humanos s&#xE3;o desafiados a enfrentar diferentes tipos de realidades e adversidades. Antes, os problemas maiores eram relativos &#xE0; seguran&#xE7;a fisiol&#xF3;gica, de modo a garantir a sobreviv&#xEA;ncia da esp&#xE9;cie. Em tempos atuais, poder-se-ia dizer que a humanidade se encontrava na &#x201C;base da pir&#xE2;mide&#x201D; proposta pelo psic&#xF3;logo Abraham Maslow (em Uma teoria da motiva&#xE7;&#xE3;o humana, 1943), em que as necessidades do ser humano poderiam ser hierarquizadas em fisiol&#xF3;gicas, de seguran&#xE7;a, sociais, de autoestima e de autorrealiza&#xE7;&#xE3;o. As necessidades fisiol&#xF3;gicas, sem as quais n&#xE3;o se sobrevive, muito menos, se vive, dizem respeito ao funcionamento biol&#xF3;gico (alimenta&#xE7;&#xE3;o, hidrata&#xE7;&#xE3;o, excre&#xE7;&#xE3;o, sono e sexo). &#xC0; medida que o homem se organizou em tribos e comunidades, essas necessidades foram se tornando mais sofisticadas e, muitas vezes, at&#xE9;, mais subjetivas, mas sempre procuradas, pretendidas e projetadas. Ou seria o inverso? Exatamente por conta dessa subjetividade, dessa busca interna, os humanos chegaram &#xE0; realidade virtual, &#xE0; realidade aumentada, &#xE0; identifica&#xE7;&#xE3;o e ao estudo das intelig&#xEA;ncias, numa esp&#xE9;cie de reconhecimento dessa pir&#xE2;mide no interior de cada um? A eterna pergunta de quem ou o qu&#xEA; vem primeiro?</p><p><br>Fato &#xE9; que, s&#xE9;culos ou mil&#xEA;nios depois, os humanos, particularmente os da esp&#xE9;cie sapiens, caminham por essas diferentes motiva&#xE7;&#xF5;es, e suas descobertas refletem a dualidade &#xE9;tica em que est&#xE1; mergulhada a vida:<br>certo/errado; bom/mal; beleza/feiura; avan&#xE7;o/retrocesso; paz/guerra; toler&#xE2;ncia/intoler&#xE2;ncia e por a&#xED; vai.</p><p><br>Foi esse mundo, todo o tempo desconcordante, que fez com que as motiva&#xE7;&#xF5;es de cada um e de todos terminassem construindo e empilhando os degraus da &#x201C;pir&#xE2;mide&#x201D; levando o ser humano a estabelecer la&#xE7;os, compartilhar ideias e sonhos, a buscar o autoconhecimento e a autorrealiza&#xE7;&#xE3;o. Nessa caminhada, o que se chama ci&#xEA;ncia se desenvolveu e ganhou espa&#xE7;os cada vez maiores na busca do entendimento da vida, da natureza, do outro, do ser. </p><p>A hist&#xF3;ria dessa jornada &#xE9; longa para nossos par&#xE2;metros de tempo, e poderia ser contada ou discutida por um sem n&#xFA;mero de caminhos ou trilhas pavimentadas pelas mais diversas disciplinas, quer de forma isolada, quer em conjunto, no que se conhece como interdisciplinaridade. H&#xE1;, portanto, ao se pensar sobre elas, que escolher, a cada vez, somente algumas poucas dessas estradas e, claro, o material que as constitui. Seria algo como uma primeira etapa na reflex&#xE3;o sobre o momento atual da vida em sociedade. Nesse trecho, que necessariamente n&#xE3;o &#xE9; o primeiro da estrada, pode-se olhar para o piso e para o terreno que se descortina adiante. Certamente, uma das belezas que se tem diante dos olhos e &#xE0; m&#xE3;o, &#xE9; a liberdade de escolha n&#xE3;o somente do segmento, mas do material que se quer ter como pavimento das ideias a partir do qual se desenrolem os argumentos.</p><p><br>Conv&#xE9;m lembrar a primeira metade do t&#xED;tulo proposto para esta conversa, a frase atribu&#xED;da ao fil&#xF3;sofo grego S&#xF3;crates, de que a &#xFA;nica certeza que tinha era a de que nada sabia. Diante da vaidade, da insensatez e da arrog&#xE2;ncia intelectual que muitos sapiens fazem quest&#xE3;o de demonstrar nos dias atuais, &#xE9; sempre oportuno contrapor a humildade de esp&#xED;rito do pensador diante do muito que se ignora da vida e dos seus fen&#xF4;menos. Contudo, esse contraponto entre o nada saber e a curiosidade, &#xE9; o que motiva a caminhada, a descoberta. A esse desafio, acrescentei refletir brevemente sobre realidades e a Intelig&#xEA;ncia Artificial, o presente e o futuro.<br></p><blockquote>E pensar que tudo come&#xE7;ou com a curiosidade da humanidade em &#x201C;contar&#x201D; o que quer fosse...</blockquote><p><br>Essa inten&#xE7;&#xE3;o de quantificar (talvez para dividir um alimento?), anal&#xF3;gica, porque por analogia, permitiu organizar as coisas e as atividades, provavelmente diminuindo algumas tens&#xF5;es nos grupos. Poder-se-ia dizer que sobrou tempo para aprender mais, para descobrir e construir mais. Sobrou tempo para construir o conhecimento e, com ele, a necessidade de sistematizar as ideias e regulamentar as a&#xE7;&#xF5;es. Os humanos, isoladamente ou em conjunto, com suas diferentes motiva&#xE7;&#xF5;es, foram em busca da realiza&#xE7;&#xE3;o de si mesmos. Fundamentadas no conhecimento, surgiram as diferentes disciplinas e carreiras, as profiss&#xF5;es.</p><p><br>Um dia, algu&#xE9;m pensou em aproveitar o tempo que parecia &#x201C;sobrar&#x201D;. Que tal contar mais depressa? E se a m&#xE1;quina fizesse o trabalho humano, f&#xED;sico, extenuante, sujeito a maior n&#xFA;mero de erros? Estava lan&#xE7;ada a ideia do computador. A partir da&#xED;, sem que o grupo humano se desse conta, e em velocidade cada vez maior, o mundo digital abriu suas portas, ou na figura utilizada, antes, o caminho foi se tornando cada vez menos anal&#xF3;gico, descortinando um mundo absolutamente novo e, por isso mesmo, desafiador e, at&#xE9;, algumas vezes, intimidante. Os passos, antes lentos, agora poderiam ser r&#xE1;pidos, c&#xE9;leres. Alcan&#xE7;ar&#xED;amos mais rapidamente a tal autorrealiza&#xE7;&#xE3;o!<br>(Ser&#xE1;?)</p><p>A velocidade foi se tornando de tal maneira premente, que o futuro parecia (e parece) cada vez mais pr&#xF3;ximo. O presente, o atual, o momento, o agora, parece tornar-se cada vez mais curto. Se, antes, a no&#xE7;&#xE3;o de tempo era algo que n&#xE3;o entend&#xED;amos muito bem, mas nos permitia projetar um certo futuro, agora esse horizonte parece nos ser trazido por lentes teleobjetivas, que deslocam os objetos para muito pr&#xF3;ximos de n&#xF3;s, &#xE0;s custas, todavia, de restringirem nosso campo de vis&#xE3;o. Perdas e ganhos.</p><p><br>O mundo digital &#xE9; assim: contrariamente ao anal&#xF3;gico, os &#x201C;sinais&#x201D; que nos envia pertencem a um conjunto de informa&#xE7;&#xF5;es que se propagam em alta velocidade, com algumas &#x201C;paradas&#x201D; espec&#xED;ficas. Novamente, a dualidade &#x2013; lento/veloz; suave/brusco; &#x201C;uns e zeros&#x201D;; apagado/aceso. Vantagens/desvantagens.</p><p><br>Diante de tudo isso, os dados que alimentam nossos dias e nossas m&#xE1;quinas p arecem n&#xE3;o ter fim e, muitas vezes, nos assustam. A realidade se multiplica e temos de lidar com os mundos real e virtual. Contudo, o mundo virtual tamb&#xE9;m &#xE9; real, uma vez que nos permite experienciar, experimentar emo&#xE7;&#xF5;es, por exemplo, que poder&#xE3;o interferir no nosso cotidiano e, at&#xE9;, mudar nosso comportamento. H&#xE1; um campo da gen&#xE9;tica que estuda altera&#xE7;&#xF5;es de comportamento herdadas, transmitidas entre as gera&#xE7;&#xF5;es. Chama-se epigen&#xE9;tica &#x2013; mas esse &#xE9; assunto longo, que n&#xE3;o &#xE9; o foco nesta reflex&#xE3;o. Basta, aqui, a informa&#xE7;&#xE3;o de que fatores externos podem agir sobre a express&#xE3;o dos nossos genes.</p><p><br>Como, ent&#xE3;o, escolher o que queremos saber? Esta indaga&#xE7;&#xE3;o concerne a todos, uma vez que cada op&#xE7;&#xE3;o nos conduzir&#xE1; a diferentes caminhos e trajet&#xF3;rias. Rela&#xE7;&#xF5;es e relacionamentos, carreira, trabalho ou lazer ser&#xE3;o o resultado de alguma escolha feita. Anal&#xF3;gica ou digital? De que forma nos comportaremos diante das informa&#xE7;&#xF5;es? Os chamados sinais anal&#xF3;gicos s&#xE3;o explicados como mais suaves, mais lentos, mais cont&#xED;nuos e de maior diversidade; contudo, mais pass&#xED;veis de erros. Os sinais digitais s&#xE3;o mais velozes, mais precisos, mas possuem apenas dois valores discretos, ou seja, s&#xE3;o bin&#xE1;rios. Logo, h&#xE1; vantagens e desvantagens em cada um dos sistemas.</p><p><br>&#xC9; nesse ponto do nosso caminho que, penso, levanta-se a segunda parte do t&#xED;tulo desta reflex&#xE3;o: nem sei o que n&#xE3;o sei! Para optar &#xE9; necess&#xE1;rio saber haver alternativa. &#xC9; preciso saber que h&#xE1; caminhos diferentes ou, ao menos, possibilidades de que existam. Ao tomar conhecimento de outras oportunidades, saberemos ou deixaremos de n&#xE3;o saber. Conclui-se, portanto, que conhecer &#xE9; ter possibilidades de escolher. &#xC9; sair do nem sei o que n&#xE3;o sei para saber que nada sei. E s&#xF3; ent&#xE3;o, fazer a escolha!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Brasil que o Brasil quer ser: por que a imagem do país importa (e o turismo tem tudo a ver com isso)]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Texto de autoria de Helena Costa e Mateus Alves, pesquisadores do LETS, publicado em parceria com o Turismo Spot em 22/05/2025. </p><p><a href="https://turismospot.com.br/imagem-do-brasil-e-o-potencial-do-turismo/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Clique aqui</a> para visitar a publica&#xE7;&#xE3;o original. </p><blockquote>Turismo Spot &#xE9; um portal de conte&#xFA;do t&#xE9;cnico em turismo criado para compartilhar</blockquote>]]></description><link>https://lets.etc.br/o-brasil-que-o-brasil-quer-ser-por-que-a-imagem-do-pais-importa-e-o-turismo-tem-tudo-a-ver-com-isso/</link><guid isPermaLink="false">6830b78151b4ccb20e4f1356</guid><category><![CDATA[Opinião]]></category><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 23 May 2025 18:08:52 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1586268448648-1dcf8dae0a3b?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDE5MXx8cGxhY2UlMjBicmFuZGluZyUyMGJyYXNpbHxlbnwwfHx8fDE3NDgwMjM2NTB8MA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1586268448648-1dcf8dae0a3b?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDE5MXx8cGxhY2UlMjBicmFuZGluZyUyMGJyYXNpbHxlbnwwfHx8fDE3NDgwMjM2NTB8MA&amp;ixlib=rb-4.1.0&amp;q=80&amp;w=2000" alt="O Brasil que o Brasil quer ser: por que a imagem do pa&#xED;s importa (e o turismo tem tudo a ver com isso)"><p></p><p>Texto de autoria de Helena Costa e Mateus Alves, pesquisadores do LETS, publicado em parceria com o Turismo Spot em 22/05/2025. </p><p><a href="https://turismospot.com.br/imagem-do-brasil-e-o-potencial-do-turismo/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Clique aqui</a> para visitar a publica&#xE7;&#xE3;o original. </p><blockquote>Turismo Spot &#xE9; um portal de conte&#xFA;do t&#xE9;cnico em turismo criado para compartilhar mat&#xE9;rias sobre o tema, hist&#xF3;rias, boas pr&#xE1;ticas no Brasil e no mundo, dicas e opini&#xF5;es de especialistas e materiais para download.</blockquote><p></p><h2 id="a-imagem-do-brasil-importa">A imagem do Brasil importa</h2><p>Samba, futebol e carnaval. Ao ouvir estas palavras, nesta ordem, j&#xE1; sentimos um certo calafrio de quem se sabe aprisionado em estere&#xF3;tipos. Precisamos encarar que, mesmo pesquisas recentes &#x2014; como a da consultoria internacional Penta, realizada por solicita&#xE7;&#xE3;o da Embratur em 2023 &#x2014; indicam que o Brasil segue descrito por estigmas. O retrato simplificado que projetamos ao mundo &#xE9; de um pa&#xED;s praiano, alegre, natural, festivo &#x2014; mas tamb&#xE9;m distante, dif&#xED;cil, gigante, desigual e fetichizado.</p><p>Um relevante estudo da WPP-BAV Global (2024), realizado com 87 pa&#xED;ses, refor&#xE7;a esse diagn&#xF3;stico ao apontar percep&#xE7;&#xF5;es mistas sobre o Brasil. A pesquisa destaca atributos positivos, negativos e alguns que s&#xE3;o amb&#xED;guos &#x2014; por isso carecem de maior esfor&#xE7;o de interpreta&#xE7;&#xE3;o. Apareceu com for&#xE7;a o Brasil como um lugar de &#x201C;aventura&#x201D;. Mas, o que nos chamou aten&#xE7;&#xE3;o desde o dia que recebemos os dados foram as palavras &#x201C;<em>fun</em>&#x201D; e &#x201C;<em>sexy</em>&#x201D;. Embora essas ideias possam inspirar, de alguma forma, as sonhadas f&#xE9;rias tropicais, elas podem ser prejudiciais em outros contextos: nas rela&#xE7;&#xF5;es comerciais, em eventos de trabalho, na atra&#xE7;&#xE3;o de talentos e, de maneira preocupante, nas condutas direcionadas &#xE0;s nossas mulheres. Uma imagem p&#xFA;blica marcada apenas pelo entretenimento pode esvaziar nossa credibilidade, assim como perpetuar desigualdades.</p><h3 id="place-branding-e-identidade-nacional-o-turismo-como-for%C3%A7a-estrat%C3%A9gica"><strong>Place branding e identidade nacional: o turismo como for&#xE7;a estrat&#xE9;gica</strong></h3><p>Na constru&#xE7;&#xE3;o de uma marca-pa&#xED;s robusta e multidimensional, o autor Simon Anholt defende que o mais importante n&#xE3;o &#xE9; aquilo que voc&#xEA; diz sobre voc&#xEA; mesmo. Mas, sim, o que voc&#xEA; oferece ao mundo. Essa ideia nos faz mudar o olhar da comunica&#xE7;&#xE3;o pura e simples para as entregas efetivas que uma Na&#xE7;&#xE3;o oferece.&#xA0;</p><p>Tal compreens&#xE3;o &#xE9; especialmente potente em tempos de uma incontorn&#xE1;vel reconstru&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica, de uma gritante emerg&#xEA;ncia clim&#xE1;tica e de redes globais hiperconectadas. N&#xE3;o podemos nos acomodar em uma imagem estagnada como &#xFA;nica narrativa poss&#xED;vel. Precisamos, como brasileiros m&#xFA;ltiplos e diversos, assumir a r&#xE9;dea dessas narrativas, aliar conhecimentos e identificar quais s&#xE3;o as imagens aut&#xEA;nticas (que usamos propositadamente no plural) que n&#xE3;o estejam t&#xE3;o distantes do que somos (o que seria irreal), nem t&#xE3;o longe daquilo que queremos ser (o que seria apenas nostalgia).</p><p>Publicado em mar&#xE7;o de 2025 como uma iniciativa especial do Conselho de Desenvolvimento Econ&#xF4;mico Social Sustent&#xE1;vel (CDESS) por ocasi&#xE3;o da COP30 em Bel&#xE9;m &#x2014; marcada para novembro deste ano &#x2014; o relat&#xF3;rio&#xA0;<em>&#x201C;O Brasil que o Brasil quer ser&#x201D;</em>&#xA0;&#xE9; resultado do esfor&#xE7;o colaborativo de especialistas brasileiros em marca, imagem e reputa&#xE7;&#xE3;o. O documento prop&#xF5;e respostas a uma provoca&#xE7;&#xE3;o central: como queremos ser percebidos no mundo e por n&#xF3;s mesmos? Parte do princ&#xED;pio de que reputa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se inventa em um gabinete em Bras&#xED;lia, ou em um escrit&#xF3;rio publicit&#xE1;rio em uma grande capital. De fato, ela se constr&#xF3;i &#x2014; e que essa constru&#xE7;&#xE3;o deve ser orientada por valores, por a&#xE7;&#xF5;es concretas e pela escuta ativa de quem&#xA0;aponta caminhos para a sociedade que desejamos nos tornar. &#xC9;, antes de tudo, o que deveria anteceder e fundamentar qualquer a&#xE7;&#xE3;o de posicionamento de um pa&#xED;s: um ancoramento estrat&#xE9;gico para um verdadeiro&#xA0;<em>place branding</em>.</p><h3 id="o-brasil-que-o-brasil-quer-ser"><strong>O Brasil que o Brasil quer ser</strong></h3><p>A&#xA0;<strong>primeira parte</strong>&#xA0;do estudo apresenta as vis&#xF5;es dos&#xA0;<strong>estrangeiros sobre o Brasil</strong>. Nosso pa&#xED;s &#xE9; pintado como um &#x201C;amigo de fim de semana, mas na&#x303;o para as segundas-feiras&#x201D;, ou seja, encantador, mas n&#xE3;o confi&#xE1;vel para neg&#xF3;cios s&#xE9;rios. Apesar de atributos predominantemente positivos, j&#xE1; que o Brasil &#xE9;, de fato, um pa&#xED;s alegre, acolhedor e divertido, falta na imagem percebida l&#xE1; fora, credibilidade em &#xE1;reas como inova&#xE7;&#xE3;o, sustentabilidade, direitos humanos e ambiente de neg&#xF3;cios.&#xA0;</p><p>Em seguida, a&#xA0;<strong>segunda parte</strong>&#xA0;do relat&#xF3;rio prop&#xF5;e dois vetores de imagem como guias para um&#xA0;<strong>novo posicionamento do Brasil</strong>&#xA0;no mundo ao analisar como os brasileiros enxergam o pr&#xF3;prio pa&#xED;s: o Brasil como&#xA0;<em>Pot&#xEA;ncia Socioambiental</em>&#xA0;e o Brasil como&#xA0;<em>Ator-chave na constru&#xE7;&#xE3;o de di&#xE1;logos internacionais</em>. Ou seja, um pa&#xED;s que se apresenta como protagonista clim&#xE1;tico; atualizado e inovador; com identidade; influente e respeitado internacionalmente. S&#xE3;o linhas transversais e que devem permear as respostas que damos coletivamente nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, decis&#xF5;es privadas, estrat&#xE9;gias territoriais e narrativas institucionais.&#xA0;</p><p>Surge ainda, no olhar dos brasileiros, a imagem da &#x201C;promessa&#x201D;, com uma fric&#xE7;&#xE3;o entre as ideias de esperan&#xE7;a e frustra&#xE7;&#xE3;o. Revela-se uma certa fadiga com a ideia de ser o &#x201C;pa&#xED;s do futuro&#x201D;. H&#xE1; uma esperan&#xE7;a que n&#xE3;o se realiza, mas n&#xE3;o se desfaz.&#xA0;Como brasileiros, vivemos uma constante tens&#xE3;o entre orgulho e autocr&#xED;tica. Neste quesito, a maioria dos brasileiros reconhece os grandes problemas do pa&#xED;s, como a desigualdade, racismo estrutural, degrada&#xE7;&#xE3;o do meio ambiente, instabilidade democr&#xE1;tica e viol&#xEA;ncia.</p><p>Muitos destes problemas, sejamos sinceros, n&#xE3;o est&#xE3;o nas m&#xE3;os daqueles que atuam no Turismo. Mas o Turismo pode &#x2014; e deve &#x2014; aportar solu&#xE7;&#xF5;es a estas quest&#xF5;es, apresentando o que o pa&#xED;s tem de melhor (e de mais desafiador) a compartilhar. Dessa forma, o estudo defende que a gente rompa com o &#x201C;complexo de vira-lata&#x201D;, valorizando, promovendo e investindo em boas iniciativas e inova&#xE7;&#xF5;es que o Brasil j&#xE1; possui. Isso des&#xE1;gua na&#xA0;<strong>terceira parte</strong>&#xA0;do relat&#xF3;rio, que nos provoca a deslocar a imagem de um pa&#xED;s predat&#xF3;rio e passivo para uma&#xA0;<strong>posi&#xE7;&#xE3;o ativa</strong>: a de protagonista de solu&#xE7;&#xF5;es em meio &#xE0; crise civilizat&#xF3;ria que enfrentamos e fortalecer a no&#xE7;&#xE3;o de que &#x201C;somos o pa&#xED;s do&#xA0;<em>presente</em>!&#x201D;&#xA0;</p><h3 id="turismo-%C3%A9-soma"><strong>Turismo &#xE9; soma</strong></h3><p>O brasileiro Caio Esteves, especialista em&#xA0;<em>place branding</em>, defende que tudo come&#xE7;a por reconhecer o que &#xE9; aut&#xEA;ntico, articular alian&#xE7;as entre marcas e sair para o mundo com esse posicionamento como guia. Autenticidade n&#xE3;o significa perfei&#xE7;&#xE3;o &#x2014; significa coer&#xEA;ncia. Mas como manter a coer&#xEA;ncia em um pa&#xED;s t&#xE3;o contradit&#xF3;rio? Somos o pa&#xED;s da Havaiana e seu caminhar descolado, e tamb&#xE9;m uma das na&#xE7;&#xF5;es que mais deixou morrer durante a pandemia por pol&#xED;ticas insuficientes, inconsequentes e desarticuladas.&#xA0;</p><p>Encarar isso nos far&#xE1; sair do lugar comum e criar, de fato, um projeto de pa&#xED;s com reputa&#xE7;&#xE3;o internacional s&#xF3;lida &#x2014; aquela que se conquista n&#xE3;o com promessas, mas com a&#xE7;&#xF5;es que inspiram confian&#xE7;a, cuidado e reconhecimento do que oferecemos ao mundo. Assim, n&#xE3;o podemos deixar de fazer a nossa parte. Proteger a dignidade de povos origin&#xE1;rios, ribeirinhos e quilombolas, garantir acesso universal aos servi&#xE7;os b&#xE1;sicos de saneamento, combater o racismo, valorizar nossa cultura e biodiversidade, transitar para a economia verde, reduzir desigualdades s&#xE3;o alguns dos caminhos estrat&#xE9;gicos para o Brasil se consolidar como essa Lideran&#xE7;a Sociobioecon&#xF4;mica-Diplom&#xE1;tica almejada.&#xA0;&#xA0;</p><p>O turismo soma-se como um dos catalisadores dessa virada. Ele &#xE9; campo de contato, de trocas, de experi&#xEA;ncia real, de imagina&#xE7;&#xE3;o, de pertencimento. Mas para exercer esse papel com responsabilidade, &#xE9; preciso que tamb&#xE9;m ele se reinvente. Que deixe de vender o Brasil como promessa e comece a participar da constru&#xE7;&#xE3;o de um pa&#xED;s que se reconhece e que se mostra para o mundo n&#xE3;o s&#xF3; pelo que &#xE9; &#x2014; mas tamb&#xE9;m pelo que decide se tornar.</p><h3 id="saiba-mais"><strong>Saiba mais</strong></h3><p>Se voc&#xEA; se interessou pelo estudo&#xA0;<strong>O Brasil que o Brasil quer ser</strong>, leia ele na &#xED;ntegra:&#xA0;<a href="https://www.obrasilqueobrasilquerser.com.br/?ref=lets.etc.br">https://www.obrasilqueobrasilquerser.com.br/</a>.&#xA0;</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Confira a participação do LETS na WTM!]]></title><description><![CDATA[<p>O LETS participou da WTM Latin America @wtmlat, ontem. Por meio de nossa pesquisadora @jaqueline.gil, moderamos dois paineis no &#xE2;mbito das discuss&#xF5;es de Turismo, Sustentabilidade e Diversidade:</p><ol><li>A import&#xE2;ncia das Parcerias Publico-Privadas para a Sustentabilidade e a Diversidade em Turismo, com as convidadas especiais</li></ol>]]></description><link>https://lets.etc.br/participacao-do-lets-na-wtm/</link><guid isPermaLink="false">67fe763451b4ccb20e4f1312</guid><dc:creator><![CDATA[Jaqueline Gil]]></dc:creator><pubDate>Tue, 15 Apr 2025 15:12:25 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.06.03-2.jpeg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.06.03-2.jpeg" alt="Confira a participa&#xE7;&#xE3;o do LETS na WTM!"><p>O LETS participou da WTM Latin America @wtmlat, ontem. Por meio de nossa pesquisadora @jaqueline.gil, moderamos dois paineis no &#xE2;mbito das discuss&#xF5;es de Turismo, Sustentabilidade e Diversidade:</p><ol><li>A import&#xE2;ncia das Parcerias Publico-Privadas para a Sustentabilidade e a Diversidade em Turismo, com as convidadas especiais @heloisaschurmann, da @voiceoftheoceans, e Liliana Saavedra Dominguez </li><li>Turismo na Amaz&#xF4;nia: desafios e oportunidades em um Ecossistema Vital, com as convidadas especiais Vanessa Mari&#xF1;o da @amazonemotions e Jannet Benavides, da @rainforestexpeditions.</li></ol><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.03.41-1.jpeg" class="kg-image" alt="Confira a participa&#xE7;&#xE3;o do LETS na WTM!" loading="lazy" width="1600" height="1248" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.03.41-1.jpeg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.03.41-1.jpeg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-15-at-12.03.41-1.jpeg 1600w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p>No @lets.unb, acreditamos que parcerias entre a academia e o mercado s&#xE3;o fundamentais para o aprimoramento do turismo, sempre!</p><p>Agradecemos imensamente &#xE0; @wtmlat pela parceria!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Por um sistema único de patrimônio: em busca de uma governança sustentável]]></title><description><![CDATA[<p>Vivemos de espasmos. Essa afirma&#xE7;&#xE3;o poderia ser feita, &#xE9; quase certo, por qualquer profissional que atua no campo da preserva&#xE7;&#xE3;o do patrim&#xF4;nio cultural no Brasil.</p><p>Depois do 8 de janeiro de 2023, o 5 de fevereiro de 2025 pode ser uma nova</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/por-um-sistema-unico-de/</link><guid isPermaLink="false">67b32b5f51b4ccb20e4f12c0</guid><dc:creator><![CDATA[Marcelo Brito]]></dc:creator><pubDate>Mon, 17 Feb 2025 12:32:42 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2025/02/PHOTO-2025-02-14-10-32-51.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/02/PHOTO-2025-02-14-10-32-51.jpg" alt="Por um sistema &#xFA;nico de patrim&#xF4;nio: em busca de uma governan&#xE7;a sustent&#xE1;vel"><p>Vivemos de espasmos. Essa afirma&#xE7;&#xE3;o poderia ser feita, &#xE9; quase certo, por qualquer profissional que atua no campo da preserva&#xE7;&#xE3;o do patrim&#xF4;nio cultural no Brasil.</p><p>Depois do 8 de janeiro de 2023, o 5 de fevereiro de 2025 pode ser uma nova oportunidade de ouro para se colocar em evid&#xEA;ncia a pauta do patrim&#xF4;nio e reposicion&#xE1;-la, finalmente, no pa&#xED;s. Ser&#xE1;?!</p><p>Outros eventos catastr&#xF3;ficos, por exemplo, poderiam ser aqui tamb&#xE9;m elencados: o do 2 de setembro (2018), quando o Museu Nacional do Rio de Janeiro sofreu a trag&#xE9;dia do inc&#xEA;ndio em suas instala&#xE7;&#xF5;es destruindo quase todo o acervo hist&#xF3;rico e cient&#xED;fico ali existente, de cerca de 20 milh&#xF5;es de itens. E quem se lembra do caso da Matriz do Ros&#xE1;rio, em Piren&#xF3;polis, Goi&#xE1;s, do inc&#xEA;ndio de 5 de setembro (2002)? Dois casos, apenas para dar &#xEA;nfase a essa triste realidade que vivemos no pa&#xED;s.&#xA0;</p><p>Essas trag&#xE9;dias, por si s&#xF3;, j&#xE1; deveriam nos levar a reflex&#xF5;es sobre nossa compreens&#xE3;o de pa&#xED;s e de na&#xE7;&#xE3;o, sob o olhar das mais diferentes perspectivas, acerca da governan&#xE7;a existente nesse campo da a&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica p&#xFA;blica no Brasil, desde a economia at&#xE9; a cultura, passando pelas pol&#xED;ticas setoriais que s&#xE3;o transversais a esse campo, pelo arcabou&#xE7;o legal que lhe d&#xE1; sustenta&#xE7;&#xE3;o e, naturalmente, pelo entendimento que temos de n&#xF3;s mesmos, brasileiros, como indiv&#xED;duos e como grupos que comp&#xF5;em a sociedade brasileira.</p><p>Ao considerarmos esses fatos mencionados, podemos alinhavar aqui alguns paralelos do que vemos no Brasil no que se refere &#xE0; governan&#xE7;a do patrim&#xF4;nio cultural.</p><p>Iniciemos com o <strong>8 de janeiro </strong>(2023), quando houve uma tentativa frustrada de golpe de Estado no Brasil, com ataques &#xE0;s sedes dos Tr&#xEA;s Poderes em Bras&#xED;lia, ocasi&#xE3;o em que o Pal&#xE1;cio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal foram invadidos e vandalizados em atos amplamente condenados, nacional e internacionalmente.&#xA0; Naquele dia, assistimos estarrecidos pela TV as tentativas de destrui&#xE7;&#xE3;o tanto dos pr&#xE9;dios como de bens integrantes do acervo desses edif&#xED;cios institucionais da Rep&#xFA;blica que integram o conjunto tombado de Bras&#xED;lia, reconhecido como Patrim&#xF4;nio Mundial pela Unesco em 1987, sendo os dois &#xFA;ltimos tombados individualmente em n&#xED;vel federal.</p><p>Subtraindo aqui outros tantos sinistros, pouco noticiados, que possam ter ocorrido nesse interregno, chegamos ao <strong>5 de fevereiro</strong> (2025), quando ocorreu o desabamento do forro do teto da Igreja de S&#xE3;o Francisco de Assis, um dos mais importantes exemplares do barroco brasileiro, conhecida como &#x201C;Igreja de Ouro&#x201D;, bem tombado em n&#xED;vel federal que integra o Centro Hist&#xF3;rico de Salvador, s&#xED;tio declarado pela Unesco em 1985 como Patrim&#xF4;nio Mundial. O incidente resultou na morte de uma pessoa e deixou feridas outras cinco que realizavam visita tur&#xED;stica ao monumento.</p><p>Esses ocorridos, que poder&#xED;amos enquadrar como sinistros, constituem-se em eventos ou ocorr&#xEA;ncias que causam preju&#xED;zos, danos ou perdas. No caso do patrim&#xF4;nio cultural material, que se reportam a edifica&#xE7;&#xF5;es de interesse hist&#xF3;rico em especial, essas ocorr&#xEA;ncias podem dar-se, entre outros, em fun&#xE7;&#xE3;o de desastres naturais, atos de vandalismo, neglig&#xEA;ncia e abandono e processos danosos de desenvolvimento urbano e moderniza&#xE7;&#xE3;o, com consequ&#xEA;ncias, em certos casos, irrepar&#xE1;veis.</p><p>Mas, o que se pode extrair dos acontecimentos em tela? A quest&#xE3;o do patrim&#xF4;nio cultural &#xE9; assunto bastante complexo e poderia ser analisado por diversos &#xE2;ngulos. Diante do arcabou&#xE7;o legal e gerencial existente no Brasil, e de exemplos como esses, por que esses sinistros seguem ocorrendo no pa&#xED;s?</p><p>Seria necess&#xE1;rio abordar o tema considerando ao menos quatro pontos fundamentais:</p><p>1-&#xA0;&#xA0; <strong>O significado do reconhecimento</strong>: para que, para quem e por que se reconhecem bens de interesse cultural?</p><p>2-&#xA0;&#xA0; <strong>As consequ&#xEA;ncias imediatas do reconhecimento</strong>: qual a Responsabiliza&#xE7;&#xE3;o e a Visibiliza&#xE7;&#xE3;o desses bens reconhecidos para a sociedade como um todo?</p><p>3-&#xA0;&#xA0; <strong>Os desdobramentos do reconhecimento</strong>: qual dinamiza&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica, social e cultural resultante e onde o Turismo e a Valoriza&#xE7;&#xE3;o Identit&#xE1;ria entram nessa equa&#xE7;&#xE3;o?</p><p>4-&#xA0;&#xA0; <strong>Os questionamentos (de/re)correntes do reconhecimento</strong>: como estamos e para onde vamos?</p><p>De modo sucinto, mas sem perder de vista o foco central de cada quest&#xE3;o assinalada, do ponto de vista do significado do reconhecimento, a identifica&#xE7;&#xE3;o de bens culturais da sociedade brasileira e a valoriza&#xE7;&#xE3;o desses bens identificados consolidou-se no pa&#xED;s como um processo territorialmente fragmentado e estratificado, a partir das inst&#xE2;ncias pol&#xED;tico-administrativas do Estado brasileiro. Isto com base nos fatos de relev&#xE2;ncia para hist&#xF3;ria local, regional, nacional ou mesmo internacional. Por outro lado, nem todos os aspectos da hist&#xF3;ria, em especial, dos envolvidos nessa trajet&#xF3;ria foram devidamente considerados. Assim, a aus&#xEA;ncia de sujeitos e de seus lugares de fala em narrativas registradas a partir das manifesta&#xE7;&#xF5;es materiais reconhecidas deixam lacunas para a compreens&#xE3;o mais integral do processo civilizat&#xF3;rio do pa&#xED;s que nos permita entender quem somos e por que somos como somos. Da&#xED; n&#xE3;o haver, muitas vezes, conex&#xE3;o e resson&#xE2;ncia de grupos formadores da sociedade brasileira com o acervo de bens que foram nessa trajet&#xF3;ria de patrimonializa&#xE7;&#xE3;o de bens culturais no pa&#xED;s protegidos e declarados Patrim&#xF4;nio.&#xA0; Assim, sem maiores delongas, preservamos o que conhecemos, amamos e nos identificamos como refer&#xEA;ncia cultural nossa. Fora disso, &#xE9; puro desejo de uns. Da&#xED; ser importante seguir identificando e reconhecendo bens culturais no pa&#xED;s. Mas, esse processo precisa ser revisitado e restruturado, a fim de sanar essas pend&#xEA;ncias, por assim dizer.</p><p>Das consequ&#xEA;ncias imediatas desse processo de reconhecimento como tal, fica evidente que, tradicionalmente, por for&#xE7;a de uma imperante vis&#xE3;o verticalizada e descendente onde tudo tende a operar dos n&#xED;veis mais altos para os mais baixos da estrutura organizacional do Estado e da sociedade brasileiros, as decis&#xF5;es adotadas ou as a&#xE7;&#xF5;es realizadas no topo afetam ou deixam de afetar, negligenciando, os seus demais n&#xED;veis. Assim, ou se focalizam determinados atores como os estritamente respons&#xE1;veis por assegurar e manter os bens culturais reconhecidos, como &#xE9; o que sucede no Brasil no caso do Instituto do Patrim&#xF4;nio Hist&#xF3;rico e Art&#xED;stico Nacional, o Iphan, ou em situa&#xE7;&#xE3;o de sinistro que incidem sobre os bens culturais patrimonializados, a caracteriza&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;sujeitos ocultos&#x201D; ou, muitas vezes, &#x201C;sujeitos indeterminados&#x201D;, pela falta de clareza sobre a quem cabe o que na responsabiliza&#xE7;&#xE3;o quando se trata de preservar o patrim&#xF4;nio cultural nas localidades, seja em qual esfera de reconhecimento for.</p><p>Assim, os processos de visibiliza&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;rios, ao menos, em decorr&#xEA;ncia desse reconhecimento, evidenciam a import&#xE2;ncia dos processos de comunica&#xE7;&#xE3;o e de constru&#xE7;&#xE3;o de di&#xE1;logos entre a cidadania e os bens culturais patrimonializados, onde os processo de educativos e de sensibiliza&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria s&#xE3;o estrat&#xE9;gias fundamentais para a consolida&#xE7;&#xE3;o das conex&#xF5;es antes mencionadas para a gera&#xE7;&#xE3;o das sinergias de pertencimento e de apropria&#xE7;&#xE3;o por parte da sociedade em seu conjunto daqueles bens que passaram a integrar o acervo patrimonial do pa&#xED;s. Deste modo, sem subterf&#xFA;gios, quem n&#xE3;o &#xE9; visto n&#xE3;o &#xE9; lembrado e para ser lembrado &#xE9; preciso instar quem o v&#xEA;, o que pressup&#xF5;e interpreta&#xE7;&#xE3;o em linguagens que considerem os diversos p&#xFA;blicos que venham a acessar os bens culturais patrimonializados. Para tanto, uma matriz de responsabilidades, identificando pap&#xE9;is e compromissos de cada agente envolvido ou a envolver, constru&#xED;da consensualmente entre todos, constitui em ferramenta essencial para a supress&#xE3;o de disfuncionalidades gerenciais sobre o patrim&#xF4;nio cultural protegido.</p><p>Naturalmente, em decorr&#xEA;ncia de como cada bem cultural patrimonializado &#xE9; tratado, os poss&#xED;veis desdobramentos de seu reconhecimento podem ter resultados diferenciados, que podem ir, por exemplo, desde a sua valoriza&#xE7;&#xE3;o imobili&#xE1;ria ou deprecia&#xE7;&#xE3;o edil&#xED;cia, proporcionando ora processos de gentrifica&#xE7;&#xE3;o &#x2013; enobrecimento de lugares &#x2013; at&#xE9; o abandono e esvaziamento funcional de zonas que se degradam &#x2013; tuguriza&#xE7;&#xE3;o. A depender disso, esse acervo patrimonial passa a ser apropriado mais ou menos fortemente pela gest&#xE3;o tur&#xED;stica, constituindo-se adequadamente ou n&#xE3;o em produtos tur&#xED;sticos que podem ou n&#xE3;o gerar benef&#xED;cios para os detentores desse patrim&#xF4;nio e para as &#xE1;reas onde eles se localizam, transmitindo ou n&#xE3;o uma mensagem adequada e desej&#xE1;vel desse patrim&#xF4;nio como atrativo tur&#xED;stico. Dessa forma, o turismo como atividade econ&#xF4;mica e sociocultural entre nessa equa&#xE7;&#xE3;o como um fator que pode mobilizar meios para assegurar consorciadamente a preserva&#xE7;&#xE3;o e em decorr&#xEA;ncia o desfrute desse patrim&#xF4;nio por visitantes, al&#xE9;m dos residentes. Os valores identit&#xE1;rios, igualmente, entram nessa equa&#xE7;&#xE3;o, de modo positivo ou negativo, quando essa mensagem, na ocasi&#xE3;o em que &#xE9; veiculada, expressa ou n&#xE3;o os valores leg&#xED;timos do(s) grupo(s) que comp&#xF5;e(m) a sociedade onde esse patrim&#xF4;nio se localiza. Assim, sem sombra de d&#xFA;vida, enquanto o patrim&#xF4;nio cultural for entendido como um passivo da sociedade, seu entendimento enquanto um estorvo para o desenvolvimento, impedir&#xE1; sua apropria&#xE7;&#xE3;o adequada e sustent&#xE1;vel, gerando processos ineficazes e conflituosos de preserva&#xE7;&#xE3;o patrimonial, em uma permanente e insana disputa entre agentes na sociedade por qual medida a adotar diante de processos de preserva&#xE7;&#xE3;o, renova&#xE7;&#xE3;o e crescimento das localidades. Deste modo, inserir o patrim&#xF4;nio nas pautas do desenvolvimento local &#xE9; essencial para vivenci&#xE1;-lo e apropriar-se dele em sua contemporaneidade, sem a necessidade habitual de sua mera museifica&#xE7;&#xE3;o.</p><p>Por &#xFA;ltimo, ao refletirmos sobre como estamos e para onde estamos indo, cabe, ao menos reconhecer que o patrim&#xF4;nio constitu&#xED;do como tal &#xE9; um paciente enfermo que necessita de cuidados e de uma aten&#xE7;&#xE3;o diferenciada pela enfermidade que o acomete.&#xA0;</p><p>Em um contexto em que h&#xE1; diversos agentes que atuam no &#xE2;mbito da preserva&#xE7;&#xE3;o do patrim&#xF4;nio cultural brasileiro, muitas vezes, descoordenadamente, em uma realidade de escassez de recursos para a promo&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es voltadas &#xE0; preserva&#xE7;&#xE3;o desse patrim&#xF4;nio, verifica-se, ainda, no pa&#xED;s, uma dispers&#xE3;o de esfor&#xE7;os e de aplica&#xE7;&#xE3;o de recursos que t&#xEA;m resultado, comumente, em pouca efetividade nas a&#xE7;&#xF5;es empreendidas. A pouca ado&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas que promovam uma maior sincronia interfederativa e uma maior participa&#xE7;&#xE3;o na rela&#xE7;&#xE3;o entre o Estado e a sociedade corrobora ainda mais para agravar essa situa&#xE7;&#xE3;o.&#xA0;</p><p>Admitindo e atestando que o patrim&#xF4;nio cultural da sociedade brasileira &#xE9; um ativo para a promo&#xE7;&#xE3;o do seu pr&#xF3;prio desenvolvimento, pautado na autoestima, autodetermina&#xE7;&#xE3;o e sustentabilidade, essa situa&#xE7;&#xE3;o recorrente se constitui no maior desafio para o campo da pol&#xED;tica de preserva&#xE7;&#xE3;o do patrimonio cultural brasileiro na atualidade.&#xA0;</p><p>Assim, para um paciente enfermo, diante da complexidade da enfermidade diagnosticada, um &#x201C;salto de f&#xE9; raciocinada&#x201D; e medidas corajosas s&#xE3;o demandadas em busca de uma governan&#xE7;a sustent&#xE1;vel. Para tanto, acreditamos que o Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de (SUS) aponta caminhos que poderiam ser adotados para o campo do patrim&#xF4;nio cultural, para analogicamente, inspirar a implanta&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico de Patrim&#xF4;nio (SUP).</p><p>Deste modo, fazendo uma analogia entre os princ&#xED;pios do Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de (SUS) e a preserva&#xE7;&#xE3;o do Patrim&#xF4;nio Cultural, poder&#xED;amos explorar o que segue<a href="#_ftn1">[1]</a>:</p><p>1.&#xA0;&#xA0;&#xA0; <strong>Universalidade</strong>: Assim como o SUS assegura que todos os cidad&#xE3;os tenham direito &#xE0; sa&#xFA;de, o Patrim&#xF4;nio Cultural deve ser acess&#xED;vel a todas as pessoas, garantindo que todos possam usufruir, conhecer e valorizar a heran&#xE7;a cultural, independentemente de classe social, etnia ou localiza&#xE7;&#xE3;o geogr&#xE1;fica, para al&#xE9;m de outros aspectos que poderiam ainda ser considerados.</p><p>2.&#xA0;&#xA0;&#xA0; <strong>Integralidade</strong>: O Patrim&#xF4;nio Cultural deve ser preservado em sua totalidade, considerando todos os aspectos que o definem, conforme o seu valor e import&#xE2;ncia hist&#xF3;rica, cultural, cient&#xED;fica, art&#xED;stica e social, entre outros, o que inclui a conserva&#xE7;&#xE3;o de monumentos, a valoriza&#xE7;&#xE3;o de tradi&#xE7;&#xF5;es, pr&#xE1;ticas culturais e saberes populares, assim como o SUS cuida da sa&#xFA;de de maneira abrangente, cobrindo preven&#xE7;&#xE3;o, tratamento e reabilita&#xE7;&#xE3;o.</p><p>3.&#xA0;&#xA0;&#xA0; <strong>Equidade</strong>: A valoriza&#xE7;&#xE3;o e preserva&#xE7;&#xE3;o do Patrim&#xF4;nio Cultural devem ser feitas de forma equitativa, ou seja, justa e imparcial, reconhecendo e respeitando a diversidade cultural existente. &#xC9; necess&#xE1;rio garantir que todas as culturas e tradi&#xE7;&#xF5;es sejam preservadas e valorizadas, promovendo justi&#xE7;a social e cultural em nome da diversidade e pluralidade existente na sociedade brasileira, assim como o SUS busca atender &#xE0;s necessidades espec&#xED;ficas de cada indiv&#xED;duo de forma justa e adequada.</p><p>4.&#xA0;&#xA0;&#xA0; <strong>Descentraliza&#xE7;&#xE3;o</strong>: A gest&#xE3;o do Patrim&#xF4;nio Cultural deve ser descentralizada, com responsabilidades compartilhadas entre diferentes n&#xED;veis de governo e a comunidade local. A participa&#xE7;&#xE3;o de diversas esferas garante uma gest&#xE3;o mais eficaz e democr&#xE1;tica, similar &#xE0; gest&#xE3;o descentralizada do SUS.</p><p>5.&#xA0;&#xA0;&#xA0; <strong>Participa&#xE7;&#xE3;o Social</strong>: A sociedade deve estar envolvida na preserva&#xE7;&#xE3;o do Patrim&#xF4;nio Cultural, participando ativamente das decis&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es de preserva&#xE7;&#xE3;o. Isso fortalece o senso de pertencimento e responsabilidade coletiva, assim como a participa&#xE7;&#xE3;o social &#xE9; essencial no SUS para a formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de.</p><p>Essa analogia busca destacar, de modo sucinto, a import&#xE2;ncia de princ&#xED;pios inclusivos, abrangentes e participativos existentes tanto na sa&#xFA;de quanto na preserva&#xE7;&#xE3;o do patrim&#xF4;nio cultural, pass&#xED;veis de promover o bem-estar da popula&#xE7;&#xE3;o e a valoriza&#xE7;&#xE3;o de nossas refer&#xEA;ncias culturais.</p><p>Esse exerc&#xED;cio instiga a investigar e refletir sobre o que seria necess&#xE1;rio para torn&#xE1;-lo realidade. Fica aqui o registro como ponto de partida e refer&#xEA;ncia.&#xA0;</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/02/PHOTO-2025-02-14-10-30-37.jpg" class="kg-image" alt="Por um sistema &#xFA;nico de patrim&#xF4;nio: em busca de uma governan&#xE7;a sustent&#xE1;vel" loading="lazy" width="965" height="1600" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/02/PHOTO-2025-02-14-10-30-37.jpg 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/02/PHOTO-2025-02-14-10-30-37.jpg 965w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p>Foto: Brito, Marcelo (2024).</p><hr><p><a href="#_ftnref1">[1]</a> A partir dos instrumentos legais vigentes que institu&#xED;ram e implementaram o SUS &#x2013; Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de, quais sejam: 1) Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988; 2) Lei Org&#xE2;nica da Sa&#xFA;de (Lei n&#xBA; 8.080/1990); 3) Lei complementar que disp&#xF5;e sobre a participa&#xE7;&#xE3;o da comunidade na gest&#xE3;o do SUS (Lei n&#xBA; 8.142/1990); 4) Decreto de regulamenta&#xE7;&#xE3;o da Lei n&#xBA; 8.080/1990, para a organiza&#xE7;&#xE3;o do SUS, o planejamento das pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de, a assist&#xEA;ncia &#xE0; sa&#xFA;de e articula&#xE7;&#xE3;o interfederativa.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Governação e Políticas Públicas no Turismo: lançamento de livro]]></title><description><![CDATA[<p>Ari&#xE1;dne Bittencourt lan&#xE7;ar&#xE1;, pelo Selo Travessias do LETS, seu livro: Governa&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas no Turismo. </p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png" class="kg-image" alt loading="lazy" width="617" height="868" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png 617w"></figure><p>O livro e&#x301; uma versa&#x303;o da tese de Doutoramento em Territo&#x301;rio, Risco e Poli&#x301;ticas Pu&</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/governacao-ariadne-bittencourt/</link><guid isPermaLink="false">67ace61051b4ccb20e4f122e</guid><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 12 Feb 2025 18:50:07 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1517770413964-df8ca61194a6?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDEyfHxib29rJTIwcmVsZWFzZXxlbnwwfHx8fDE3NDA2MDU0MzV8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1517770413964-df8ca61194a6?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDEyfHxib29rJTIwcmVsZWFzZXxlbnwwfHx8fDE3NDA2MDU0MzV8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Governa&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas no Turismo: lan&#xE7;amento de livro"><p>Ari&#xE1;dne Bittencourt lan&#xE7;ar&#xE1;, pelo Selo Travessias do LETS, seu livro: Governa&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas no Turismo. </p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png" class="kg-image" alt="Governa&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas no Turismo: lan&#xE7;amento de livro" loading="lazy" width="617" height="868" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/2025/02/Capa-livro-Ari-dne-1.png 617w"></figure><p>O livro e&#x301; uma versa&#x303;o da tese de Doutoramento em Territo&#x301;rio, Risco e Poli&#x301;ticas Pu&#x301;blicas, intitulada <em>Governac&#x327;a&#x303;o e Poli&#x301;ticas Pu&#x301;blicas no Setor de Turismo em Brasi&#x301;lia/DF</em> - orientada pelo professor Doutor Jose&#x301; Manuel Oliveira Mendes (Universidade de Coimbra/PT) e pelo Professor Doutor Carlos Manuel Martins Costa (Universidade de Aveiro/PT). O trabalho foi apresentado ao Instituto de Investigac&#x327;a&#x303;o Interdisciplinar da Universidade de Coimbra/Portugal em asso- ciac&#x327;a&#x303;o com as Universidades de Lisboa e de Aveiro, defendido em 12 de julho de 2023, foi aprovado com Distinc&#x327;a&#x303;o e Louvor.</p><p>O livro conta com Prefa&#x301;cio da Prof. Dra.&#xA0;Iara Brasileiro (UnB) e com Posfa&#x301;cio do Dr.&#xA0;Jose&#x301; Manuel Oliveira Mendes.  </p><p>Segundo a prefaciadora, &quot; Quem ler essa obra &#x2014; e sugiro que todas as pessoas que se interessem pelo&#xA0;turismo e por sua organizac&#x327;a&#x303;o o fac&#x327;am &#x2014; entendera&#x301; o que estou afirmando: este&#xA0;na&#x303;o e&#x301; &#x201C;mais um&#x201D; texto sobre gesta&#x303;o, governanc&#x327;a e governac&#x327;a&#x303;o. Os mais jovens diriam que esta na&#x303;o e&#x301; uma leitura &#x201C;para os fracos&#x201D;. O conteu&#x301;do e&#x301; denso. As ana&#x301;lises, so&#x301;lidas e concretas. Ha&#x301; que ter fo&#x302;lego para le&#x302;-lo, compreende&#x302;-lo e dele extrair lic&#x327;o&#x303;es teo&#x301;ricas e, sobretudo, pra&#x301;ticas, no desafio dia&#x301;rio e constante de planejar, formular, organizar e executar poli&#x301;ticas pu&#x301;blicas.&quot;</p><p>Para o Dr. Jos&#xE9; Manuel (Universidade de Coimbra), &quot;as concluso&#x303;es obtidas permitem estruturar analiticamente toda a&#xA0;investigac&#x327;a&#x303;o futura sobre poli&#x301;ticas pu&#x301;blicas e o seu grau de efica&#x301;-&#xA0;cia e eficie&#x302;ncia. E isto porque se fixou claramente os fatores positivos indutores de boas pra&#x301;ticas, como a qualidade e as condic&#x327;o&#x303;es sociais intri&#x301;nsecas das lideranc&#x327;as e a capacidade de proatividade e de mobilizac&#x327;a&#x303;o dessas mesmas lideranc&#x327;as. Ale&#x301;m do mais, a permeabilidade setor pu&#x301;blico/setor privado, que muitos autores assumem como tendencialmente negativa, pode resultar virtuosa se ancorada em princi&#x301;pios e dina&#x302;micas comuns, potenciadora do conhecimento sustentado dos quadros estrate&#x301;gicos existentes e dos instrumentos a utilizar. Um dos u&#x301;ltimos fatores positivos prende-se com a responsabilizac&#x327;a&#x303;o e assunc&#x327;a&#x303;o transparente das estra- te&#x301;gias e processos empreendidos&quot;.</p><p>A Cole&#xE7;&#xE3;o Travessias se prop&#xF5;e a divulgar literatura cient&#xED;fica aprofudada, de forma gratuita e livre, para o p&#xFA;blico de pesquisadores em Turismo. Suas capas, cuidadosamente pensadas, retratam artistas brasileiros incr&#xED;veis. </p><blockquote></blockquote><div class="kg-card kg-header-card kg-v2 kg-width-full kg-content-wide kg-style-accent" data-background-color="accent">
            
            <div class="kg-header-card-content">
                
                <div class="kg-header-card-text kg-align-center">
                    <h2 id="baixe-o-livro-aqui" class="kg-header-card-heading" style="color: #FFFFFF;" data-text-color="#FFFFFF"><span style="white-space: pre-wrap;">Baixe o livro aqui</span></h2>
                    
                    
                </div>
            </div>
        </div><div class="kg-card kg-file-card"><a class="kg-file-card-container" href="https://lets.etc.br/content/files/2025/02/Livro-Bittencourt-final.pdf" title="Download" download><div class="kg-file-card-contents"><div class="kg-file-card-title">Livro Bittencourt final</div><div class="kg-file-card-caption">Baixe gratuitamente aqui </div><div class="kg-file-card-metadata"><div class="kg-file-card-filename">Livro Bittencourt final.pdf</div><div class="kg-file-card-filesize">48 MB</div></div></div><div class="kg-file-card-icon"><svg viewbox="0 0 24 24"><defs><style>.a{fill:none;stroke:currentColor;stroke-linecap:round;stroke-linejoin:round;stroke-width:1.5px;}</style></defs><title>download-circle</title><polyline class="a" points="8.25 14.25 12 18 15.75 14.25"/><line class="a" x1="12" y1="6.75" x2="12" y2="18"/><circle class="a" cx="12" cy="12" r="11.25"/></svg></div></a></div><p>Ou acesso o Portal de Livros da UnB: <a href="https://livros.unb.br/index.php/portal/catalog/book/642?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">aqui</a></p><blockquote>Ari&#xE1;dne manifesta seus a<em>gradecimentos ao Conselho Editorial do Laborato&#x301;rio de Estudos em Turismo e Sustentabilidade (LETS) da Universidade de Brasi&#x301;lia por publicar essa investigac&#x327;a&#x303;o e ao apoio do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES). Tamb&#xE9;m expressa sua gratida&#x303;o ao artista </em><a href="https://alexandremancini.com/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer"><em>Alexandre Mancini</em></a><em> pela generosidade<br>e sensibilidade ao permitir o uso da imagem &quot;Tesourinhas a&#x300; Noite&quot; nesta publicac&#x327;a&#x303;o.&#xA0;Sua arte, que captura com maestria os trac&#x327;os e a identidade<br>de nossa cidade, enriquece imensamente este livro.</em></blockquote><p><strong>Sobre a autora</strong></p><p>Aria&#x301;dne Bittencourt,&#xA0;e&#x301; doutora em Territo&#x301;rio, Risco e Poli&#x301;ticas Pu&#x301;blicas com foco no Turismo pela Universidade de Coimbra/ Portugal (2023). E&#x301; membro do Observato&#x301;rio de Riscos &#x2013; OSIRIS/ Portugal e do Laborato&#x301;rio de Estudos em Turismo e Sustentabilidade (LETS/Brasil); Mestre em Gesta&#x303;o e Atividades de Recursos Turi&#x301;sticos pela Universidade Latino-Americana e do Caribe/ULA- C-ES (2002), revalidado pela Universidade de Brasi&#x301;lia (2006). E&#x301; especialista em Marketing pela Fundac&#x327;a&#x303;o Getu&#x301;lio Vargas &#x2013; FGV/DF; especialista em Administrac&#x327;a&#x303;o Hoteleira pelo Centro de Estudos Turi&#x301;sticos e Hoteleiros &#x2013; CETH/RS e Bacharel em Turismo pela Unia&#x303;o Pioneira de Integrac&#x327;a&#x303;o Social - UPIS/DF. E&#x301; professora e gestora pu&#x301;blica. Na a&#x301;rea pu&#x301;blica, exerceu o cargo de Subsecreta&#x301;ria de Poli&#x301;ticas de Turismo do Distrito Federal (2011-2014), elaborou, em conjunto com o Condetur-DF, a Lei No 4.883, de 11 de julho de 2012 que dispo&#x303;e sobre a Poli&#x301;tica de Turismo do Distrito Federal e implementou o Observato&#x301;rio de Turismo do Distrito Federal (OTDF). Ainda na a&#x301;rea pu&#x301;blica ocupou o cargo de Assessora de Planejamento e Modernizac&#x327;a&#x303;o, vinculado a&#x300; Preside&#x302;ncia da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (METRO&#x302;-DF) (2015- 2018). Atualmente e&#x301; consultora nas a&#x301;reas de poli&#x301;ticas pu&#x301;blicas de&#xA0;turismo e afins, com foco no desenvolvimento e implementac&#x327;a&#x303;o&#xA0;de programas e projetos para o turismo junto a entidades pu&#x301;blicas e privadas no territo&#x301;rio brasileiro.<strong>Ficha T&#xE9;cnica</strong><br>Autora:&#xA0;Ari&#xE1;dne Pedra Bittencourt<br>Editora:&#xA0;Helena Costa<br>Diagrama&#xE7;&#xE3;o:&#xA0;Nath&#xE1;lia Leite Abdalla&#xA0;<br>Imagem da Capa:&#xA0;Alexandre Mancini&#xA0;<br>Revis&#xE3;o:&#xA0;Milena Fernandes<br>Revis&#xE3;o T&#xE9;cnica:&#xA0;Elimar Nascimento</p><p><strong>O livro ser&#xE1; lan&#xE7;ado no dia 20 de fevereiro, &#xE0;s 17h30, na Universidade de Bras&#xED;lia. Mais detalhes em breve. </strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A COP29 tornou-se um marco histórico para o turismo internacional. E o Brasil é decisivo para os próximos passos]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>O primeiro dia dedicado ao Turismo no &#xE2;mbito da Confer&#xEA;ncia das Partes da UNFCCC (COP / Mudan&#xE7;a do Clima) aconteceu em 20 de novembro de 2024, na COP29 em Baku, Azerbaij&#xE3;o. Isso significa que a agenda de alto n&#xED;vel do turismo incorporou-se</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/a-cop29-tornou-se-um-marco-historico-para-o-turismo-internacional-e-o-brasil-e-decisivo-para-os-proximos-passos/</link><guid isPermaLink="false">67535e4551b4ccb20e4f11dc</guid><category><![CDATA[Eventos]]></category><category><![CDATA[mudançasclimáticas]]></category><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[sustentabilidade]]></category><dc:creator><![CDATA[Jaqueline Gil]]></dc:creator><pubDate>Fri, 06 Dec 2024 20:32:17 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2024/12/DFF74EDC-1D02-48B1-A1E8-48B2C6719D1F.jpeg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/12/DFF74EDC-1D02-48B1-A1E8-48B2C6719D1F.jpeg" alt="A COP29 tornou-se um marco hist&#xF3;rico para o turismo internacional. E o Brasil &#xE9; decisivo para os pr&#xF3;ximos passos"><p></p><p>O primeiro dia dedicado ao Turismo no &#xE2;mbito da Confer&#xEA;ncia das Partes da UNFCCC (COP / Mudan&#xE7;a do Clima) aconteceu em 20 de novembro de 2024, na COP29 em Baku, Azerbaij&#xE3;o. Isso significa que a agenda de alto n&#xED;vel do turismo incorporou-se &#xE0; agenda internacional de meio ambiente e mudan&#xE7;a do clima. A primeira &#xE9; uma jovem caloura. A segunda, uma veterana precursora de movimentos a favor do desenvolvimento sustent&#xE1;vel, desde meados do s&#xE9;culo XX, com crescente engajamento internacional.</p><p>O turismo agora tem assento, voz, direitos e deveres na constru&#xE7;&#xE3;o de um presente e de um futuro em mais harmonia entre humanos e natureza. A responsabilidade aumentou. L&#xED;deres de todos os continentes se encontraram, em Baku, para discutir uma agenda clim&#xE1;tica para o turismo, com compromissos ambiciosos e direcionados aos desafios e &#xE0;s oportunidades do setor. Foi um dia memor&#xE1;vel, de revigorado otimismo sobre nosso futuro.&#xA0;</p><p>No caso dos profissionais do turismo e das rela&#xE7;&#xF5;es internacionais do Brasil, em que me incluo, essa responsabilidade &#xE9; ainda maior. Como anfitri&#xE3;o da COP30, o Brasil definir&#xE1; a agenda priorit&#xE1;ria da Confer&#xEA;ncia. No caso do Dia Tem&#xE1;tico do Turismo, o&#xA0;<a href="https://br.linkedin.com/company/mturismo?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention&amp;ref=lets.etc.br">Minist&#xE9;rio do Turismo</a>&#xA0;dever&#xE1; trabalhar em conjunto com a&#xA0;<a href="https://es.linkedin.com/company/unwto-world-tourism-organization?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention&amp;ref=lets.etc.br">UN Tourism</a>para&#xA0;continuidade das tratativas iniciadas em Baku, al&#xE9;m de aprofund&#xE1;-las e aportar novas propostas e estrat&#xE9;gias.&#xA0;</p><p>Qual a posi&#xE7;&#xE3;o do Brasil na discuss&#xE3;o global de mudan&#xE7;as clim&#xE1;ticas e turismo? Como o turismo no Brasil tem atuado em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s mudan&#xE7;as do clima? Setores p&#xFA;blico e privado, como discutem e agem &#xE0; luz da tem&#xE1;tica?&#xA0;</p><p>As discuss&#xF5;es est&#xE3;o em est&#xE1;gio inicial no Brasil. H&#xE1; casos de excel&#xEA;ncia no pa&#xED;s, mais no &#xE2;mbito privado do que no p&#xFA;blico. Mas est&#xE3;o longe de serem suficientes, ou transformadores. H&#xE1; uma necessidade de as lideran&#xE7;as do turismo acelerarem o passo, n&#xE3;o apenas mas especialmente no Brasil. &#xA0;</p><p>Tive o privil&#xE9;gio de participar do &#x201C;UN Climate Change COP 29 Tourism Thematic Day&#x201D;. Na foto, meu largo sorriso representa muito. A integra&#xE7;&#xE3;o do turismo &#xE0;s principais agendas internacionais sempre me nortearam profissionalmente. Viajei a convite da&#xA0;<a href="https://es.linkedin.com/company/unwto-world-tourism-organization?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention&amp;ref=lets.etc.br">UN Tourism</a>&#xA0;, a quem muito agrade&#xE7;o pela oportunidade.&#xA0;</p><p>Resumo as principais reflex&#xF5;es, desconfort&#xE1;veis mas otimistas:&#xA0;</p><p></p><ul><li>Medir, descarbonizar, adaptar, regenerar, financiar e inovar foram os principais verbos nas mesas de discuss&#xE3;o e de negocia&#xE7;&#xE3;o. Nenhum deles &#xE9; de simples implementa&#xE7;&#xE3;o, mas todos eles carecem de urgente a&#xE7;&#xE3;o.&#xA0;</li><li>A cocria&#xE7;&#xE3;o das solu&#xE7;&#xF5;es &#xE9; o caminho. A crise clim&#xE1;tica &#xE9; s&#xE9;ria, complexa e impacta a todos. As solu&#xE7;&#xF5;es precisam de velocidade, em suas cocria&#xE7;&#xF5;es e implementa&#xE7;&#xF5;es.&#xA0;</li><li>A colabora&#xE7;&#xE3;o precisa acontecer em &#xE2;mbito local, nacional, regional e global. Quem emite e quem &#xE9; mais impactado n&#xE3;o necessariamente est&#xE3;o no mesmo local, ou atuam nas mesmas propor&#xE7;&#xF5;es. Parcerias, entre o p&#xFA;blico e o privado, o local e o global, nunca fizeram tanto sentido, sobretudo em apoio &#xE0;s regi&#xF5;es e comunidades mais vulner&#xE1;veis. Isso tamb&#xE9;m &#xE9; parte da justi&#xE7;a clim&#xE1;tica.&#xA0;</li><li>Perfei&#xE7;&#xE3;o &#xE9; menos importante do que velocidade. N&#xE3;o h&#xE1; mais tempo para discuss&#xF5;es sobre os melhores caminhos. A ci&#xEA;ncia j&#xE1; nos indica desafios e aponta para necess&#xE1;rias mudan&#xE7;as de rumos h&#xE1; d&#xE9;cadas. A partir de agora, &#xE9; direcionar a proa do barco e remar, todos na mesma dire&#xE7;&#xE3;o e na velocidade mais alta poss&#xED;vel.&#xA0;</li><li>A ado&#xE7;&#xE3;o da Declara&#xE7;&#xE3;o de Baku para o Fortalecimento das A&#xE7;&#xF5;es Clim&#xE1;ticas em Turismo (ou apenas Declara&#xE7;&#xE3;o de Baku) &#xE9; passo importante para&#xA0; prioriza&#xE7;&#xE3;o da tem&#xE1;tica em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas de turismo, e investimentos p&#xFA;blicos. Ainda que esta Declara&#xE7;&#xE3;o seja volunt&#xE1;ria, ela aporta medidas para a descarboniza&#xE7;&#xE3;o do turismo, integrando-as &#xE0;s Contribui&#xE7;&#xF5;es Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Acordo de Paris, que s&#xE3;o compuls&#xF3;rias. Mais de 50 pa&#xED;ses assinaram o documento, inclusive o Brasil.&#xA0;</li><li>S&#xE3;o necess&#xE1;rias mudan&#xE7;as sist&#xEA;micas e transformadoras, a fim de reduzir rapidamente as emiss&#xF5;es do turismo, que s&#xE3;o incrivelmente crescentes e robustas. Promover solu&#xE7;&#xF5;es para reduzir as emiss&#xF5;es, bem como compens&#xE1;-las, &#xE9; essencial e urgente.&#xA0;</li><li>Importante revisitar a aloca&#xE7;&#xE3;o dos recursos, humanos, energ&#xE9;ticos e financeiros. Um caminho para os tomadores de decis&#xE3;o &#xE9; fazer-se a pergunta: o direcionamento dos investimentos atuais resolve o problema, ou aprofunda-o? Aprofundar o conhecimento entre as equipes, transitar para matriz energ&#xE9;tica com baixa ou baix&#xED;ssima emiss&#xE3;o de gases poluentes e implementar economia circular s&#xE3;o a&#xE7;&#xF5;es imediatas, apesar de complexas.&#xA0;</li><li>A Declara&#xE7;&#xE3;o de Glasgow para A&#xE7;&#xF5;es Clim&#xE1;ticas em Turismo, cujos 900 signat&#xE1;rios comprometem-se em publicar seus planos de a&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas anualmente, teve destaque em Baku com 58 novos signat&#xE1;rios anunciados. Apesar do progresso, mais aprimoramentos e participa&#xE7;&#xE3;o global, sobretudo de governos, s&#xE3;o necess&#xE1;rios para promover Glasgow como mecanismo de colabora&#xE7;&#xE3;o e aprendizado compartilhados.&#xA0;</li><li>Enquanto a Declara&#xE7;&#xE3;o de Glasgow tem um foco maior nos prestadores de servi&#xE7;os, a Declara&#xE7;&#xE3;o de Baku &#xE9; direcionada aos pa&#xED;ses e seus &#xF3;rg&#xE3;os centrais de turismo. S&#xE3;o complementares e integradas ao mesmo contexto na&#xA0;<a href="https://es.linkedin.com/company/unwto-world-tourism-organization?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention&amp;ref=lets.etc.br">UN Tourism</a>&#xA0;.&#xA0;</li><li>A&#xA0;<a href="https://es.linkedin.com/company/unwto-world-tourism-organization?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention&amp;ref=lets.etc.br">UN Tourism</a>&#xA0;coordena a matriz para mensura&#xE7;&#xE3;o de indicadores de sustentabilidade e a&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas no turismo, a&#xA0;<a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fwww.unwto.org%2Ftourism-statistics%2Fmeasuring-sustainability-tourism&amp;urlhash=DcHp&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block&amp;ref=lets.etc.br">UN Statistical Framework for Measuring the Sustainability of Tourism</a>. &#xC9; necess&#xE1;rio mais colabora&#xE7;&#xE3;o para aprimorar a ferramenta, e, cada vez mais, as mensura&#xE7;&#xF5;es de carbono.&#xA0;</li></ul><p></p><p><strong>As lideran&#xE7;as brasileiras tem o privil&#xE9;gio e a responsabilidade de dar continuidade &#xE0; agenda clim&#xE1;tica do turismo globalmente. &#xC9; poss&#xED;vel inspirar-se na</strong>&#xA0;<a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Ftheconversation.com%2Fnova-lei-geral-do-turismo-e-um-avanco-mas-ainda-falta-muito-para-o-setor-decolar-de-vez-no-brasil-244574&amp;urlhash=CKqS&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block&amp;ref=lets.etc.br"><strong>lideran&#xE7;a do Brasil para os temas do meio ambiente.</strong></a>&#xA0;<strong>Sempre importante lembrarmos que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1992, a assinatura da Conven&#xE7;&#xE3;o-Quadro das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas para Mudan&#xE7;as do Clima (UNFCC, da sigla em ingl&#xEA;s), que deu origem aos protocolos de Kyoto e de Paris, de onde decorrem as COPs e as NDCs.</strong>&#xA0;</p><p><strong>Ser&#xE1; o turismo brasileiro capaz de ser l&#xED;der? Eu voto e espero que sim! &#xC9; sobre nosso futuro na Terra, antes de tudo.</strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Taxa de Turismo em destinos brasileiros: cobrar ou não?]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Nos &#xFA;ltimos dias, li a not&#xED;cia em alguns jornais: Caldas Novas - um destino nacional em Goi&#xE1;s, destino termal conhecido por um turismo de massa - acaba de aprovar a cobran&#xE7;a de taxa de turismo a partir de 2025 (<a href="https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2024/11/caldas-novas-cobrara-taxa-para-entrada-de-turistas-a-partir-de-2025.shtml?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Folha de SP</a>, <a href="https://www.metropoles.com/brasil/turistas-terao-que-pagar-taxa-para-entrar-em-caldas-novas-entenda?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Metr&</a></p>]]></description><link>https://lets.etc.br/taxa-de-turismo-em-destinos-brasileiros/</link><guid isPermaLink="false">6748d02251b4ccb20e4f0fe7</guid><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[sustentabilidade]]></category><category><![CDATA[turismosustentável]]></category><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 03 Dec 2024 22:39:00 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1452289765185-5df11aa2a706?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDY5fHxwb29sfGVufDB8fHx8MTczMjgyNTcxNHww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1452289765185-5df11aa2a706?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDY5fHxwb29sfGVufDB8fHx8MTczMjgyNTcxNHww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Taxa de Turismo em destinos brasileiros: cobrar ou n&#xE3;o?"><p></p><p>Nos &#xFA;ltimos dias, li a not&#xED;cia em alguns jornais: Caldas Novas - um destino nacional em Goi&#xE1;s, destino termal conhecido por um turismo de massa - acaba de aprovar a cobran&#xE7;a de taxa de turismo a partir de 2025 (<a href="https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2024/11/caldas-novas-cobrara-taxa-para-entrada-de-turistas-a-partir-de-2025.shtml?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Folha de SP</a>, <a href="https://www.metropoles.com/brasil/turistas-terao-que-pagar-taxa-para-entrar-em-caldas-novas-entenda?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Metr&#xF3;poles</a>, <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2024/11/6998485-saiba-quanto-turistas-pagarao-de-taxa-para-entrar-em-caldas-novas.html?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Correio Braziliense</a>). </p><p>Em uma das reportagens, &#xE9; dito que a popula&#xE7;&#xE3;o de Caldas Novas e turistas estavam <a href="https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2024/11/28/moradores-e-visitantes-se-revoltam-com-cobranca-de-taxa-de-turistas-com-valores-que-podem-chegar-a-r-183-desestimulo-para-viajar.ghtml?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">revoltados</a> com o fato. Revolta ligada ao receio de reduzir fluxos, consequentemente, renda e ocupa&#xE7;&#xE3;o dos empreendimentos hoteleiros. Qui&#xE7;&#xE1; tamb&#xE9;m ligada &#xE0; falta de clareza do que a taxa pode fazer pelo ordenamento do destino.</p><p>J&#xE1; observamos modelos em teste em diferentes localidades. <a href="https://viagemeturismo.abril.com.br/mundo/veneza-continuara-cobrando-taxa-de-visitantes-em-2025?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Veneza</a>, um destino tur&#xED;stico global &#xED;cone do <em>overtourism </em>(turismo excessivo, desequilibrado), instituiu uma taxa de visita&#xE7;&#xE3;o para manejar seus fluxos. Ela varia entre 5 e 10 Euros, &#xE9; cobrada por pessoa que acessa a cidade e que n&#xE3;o pernoitar&#xE1;, a ser paga para visita&#xE7;&#xE3;o em datas e hor&#xE1;rios espec&#xED;ficos, com calend&#xE1;rio publicado no ano anterior. Em 2024, foram angariados mais de 3 milh&#xF5;es de Euros nos 29 dias de dura&#xE7;&#xE3;o da cobran&#xE7;a. Para 2025, ser&#xE3;o 59 dias a serem cobrados em dias de picos de fluxos (as d&#xFA;vidas s&#xE3;o respondidas neste <a href="https://cdamedia.veneziaunica.it/en/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">FAQ </a>muito simp&#xE1;tico, a prop&#xF3;sito, com explica&#xE7;&#xF5;es de moradores). </p><p>No M&#xE9;xico, o estado de <a href="https://www.visitax.app/?gad_source=1&amp;gbraid=0AAAAABekiZdyL0y_oPJLFNaEo_tc4xONj&amp;ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Quintana Roo</a>, onde fica Canc&#xFA;n e outros destinos com alto fluxo, cobra uma taxa de USD 17 por estrangeiro que visita a localidade. A explica&#xE7;&#xE3;o: &quot;<em>a world-renowned destination that attracts millions of visitors each year and, as such, requires significant investments to support its growth and ensure a positive experience for all visitors</em>&quot; (um destino que atrai milh&#xF5;es de turistas por ano requer investimentos significativos para apoiar seu crescimento e garatir uma experi&#xEA;ncia positiva para todos os visitantes, tradu&#xE7;&#xE3;o livre).</p><p>No Brasil, <a href="https://www.noronha.pe.gov.br/catalogo-de-servicos/taxa-de-preservacao-ambiental-tpa/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Fernando de Noronha</a> (PE) &#xE9; o local mais conhecido pela cobran&#xE7;a, que ocorre desde 2004 aos turistas que visitam o arquip&#xE9;lago. Tamb&#xE9;m <a href="https://www.tpabombinhas.com.br/?ref=lets.etc.br#/" rel="noreferrer">Bombinhas</a> (SC) e <a href="https://speedgov.com.br/satjij/servlet/com.satweb.gerataxatur?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Jericoacora</a> (CE) s&#xE3;o alguns destinos nacionais que j&#xE1; possuem taxas de turismo para a preserva&#xE7;&#xE3;o local. Em Bombinhas, a cobran&#xE7;a &#xE9; feita por ve&#xED;culo que acessa a localidade, apenas durante o ver&#xE3;o (de novembro a fevereiro). Em Jeri,  a taxa &#xE9; cobrada por pessoa para estadias de at&#xE9; 10 dias, sendo necess&#xE1;rio pagar adicionais a cada dia de perman&#xEA;ncia. <a href="https://correiodoestado.com.br/cidades/taxa-que-sera-cobrada-de-turistas-em-bonito-sobe-de-r-7-para-r-15/436033/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">Bonito </a>(MS) ir&#xE1; iniciar a cobran&#xE7;a em 2025, com o valor de R$ 15 reais por dia que os viajantes passarem no destino. </p><h3 id="a-taxa-de-turismochamada-em-alguns-lugares-de-tpa-taxa-de-preserva%C3%A7%C3%A3o-ambiental%C3%A9-um-instrumento-econ%C3%B4mico-que-permite-estimular-ou-desestimular-comportamentos">A taxa de turismo - chamada em alguns lugares de TPA (Taxa de Preserva&#xE7;&#xE3;o Ambiental) - &#xE9; um instrumento econ&#xF4;mico que permite estimular ou desestimular comportamentos. </h3><p></p><p>Vou te explicar porque a taxa pode ser positiva, preocupa&#xE7;&#xF5;es e indicar alguns aspectos a serem observados para que ela possa reverter em resultados positivos para o destino. </p><h3 id="a-taxa-%C3%A9-positiva-quando">A taxa &#xE9; positiva quando... </h3><p>Permite gerenciar melhor os fluxos, dentro da realidade de cada destino. E quando permite que o destino viabilize investimentos para a&#xE7;&#xF5;es que ajudam a preservar seus atrativos, melhorar a qualidade de vida da popula&#xE7;&#xE3;o e da experi&#xEA;ncia do turista, mitigar os preju&#xED;zos gerados pela visita&#xE7;&#xE3;o excessiva. Ou seja, pode ser uma agregada na busca por equilibrar vis&#xF5;es e implement&#xE1;-las dentro do destino. </p><p>Se utilizada para gerar benef&#xED;cios coletivos, a taxa &#xE9; positiva. Exemplos de investimentos: despoluir uma nascente, melhorar a brigada contra inc&#xEA;ndios florestais, fazer plantio de &#xE1;rvores em espa&#xE7;os p&#xFA;blicos, implantar uma ciclovia, aumentar a acessibilidade das cala&#xE7;adas, instalar gest&#xE3;o de res&#xED;duos com foco na economia circular, promover educa&#xE7;&#xE3;o ambiental, implementar pr&#xE1;ticas de seguran&#xE7;a em atrativos, fomentar pr&#xE1;ticas regenerativas de turismo, fazer pesquisas e estudos sobre os impactos do pr&#xF3;prio turismo e por a&#xED; vai.</p><h3 id="preocupa%C3%A7%C3%B5es-para-termos-em-mente">Preocupa&#xE7;&#xF5;es para termos em mente</h3><p>A primeira delas &#xE9; a elitiza&#xE7;&#xE3;o excessiva do destino, ou seja, o encarecimento da visita&#xE7;&#xE3;o a ponto de receber apenas quem tem um poder aquisitivo muito alto, gerando exclus&#xE3;o de uma parte expressiva da popula&#xE7;&#xE3;o. Outra preocupa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a falta de clareza: para onde vai o dinheiro, com que ele &#xE9; gasto, quem decide isso, cad&#xEA; os benef&#xED;cios?</p><h3 id="o-que-%C3%A9-preciso-garantir-para-que-a-tpa-fa%C3%A7a-sentido">O que &#xE9; preciso garantir para que a TPA fa&#xE7;a sentido:</h3><ul><li><strong>Ser participativa</strong>: a comunidade precisa participar da defini&#xE7;&#xE3;o do uso do recurso, de acordo com prioridades. Onde est&#xE3;o os maiores preju&#xED;zos causados pelo turismo? Onde seria priorit&#xE1;rio e mais vis&#xED;vel este benef&#xED;cio? A comunidade &#xE9; formada por v&#xE1;rios grupos - alguns ligados diretamente com o turismo e outros n&#xE3;o. Todos precisam ter espa&#xE7;o de escuta e participa&#xE7;&#xE3;o. Ap&#xF3;s resultados observados, provavelmente as preocupa&#xE7;&#xF5;es iniciais de que a taxa prejudicou o destino ser&#xE3;o abandonadas. </li><li><strong>Ser transparente e com governan&#xE7;a forte</strong>: as pessoas da comunidade - moradores, empreendedores, etc - precisam saber quanto foi arrecadado e como o recurso foi utilizado. Relat&#xF3;rios peri&#xF3;dicos, audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas, presta&#xE7;&#xE3;o de contas s&#xE3;o fundamentais. Al&#xE9;m disso, as regras pactuadas de investimento do recurso devem estar claras e serem audit&#xE1;veis para evitar desconfian&#xE7;a e corrup&#xE7;&#xE3;o. Com clareza de aplica&#xE7;&#xE3;o do recurso, o instrumento ganha legitimidade. </li><li><strong>Ser fact&#xED;vel de implementar e de fiscalizar:</strong> h&#xE1; destinos que decidem cobrar taxas sem defini&#xE7;&#xE3;o pr&#xE9;via de quem cobra, como arrecada, quem fiscaliza, como paga. Isso faz com que o instrumento seja fadado a fracassar. Ou cai em desuso, ou n&#xE3;o serve para o que se prop&#xF5;e. Essas quest&#xF5;es precisam estar respondidas na regulamenta&#xE7;&#xE3;o local. Precisa haver aten&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m para que os mecanismos de opera&#xE7;&#xE3;o da taxa n&#xE3;o sejam t&#xE3;o caros que superem a arreda&#xE7;&#xE3;o da pr&#xF3;pria taxa - os famosos custos de transa&#xE7;&#xE3;o superiores aos resultados. </li><li><strong>Ser coerente com os comportamentos a serem premiados</strong>: o destino precisa conhecer seus pontos desafiadores e que comportamentos quer estimular de antem&#xE3;o. Isso serve para decidir como ser&#xE3;o as isen&#xE7;&#xF5;es, os valores e as cobran&#xE7;as. Se eu quero estadias mais longas, preciso premiar este comportamento. Se eu desejo que as pessoas fiquem por menos tempo, posso elevar o pre&#xE7;o para estadias mais longas. Por exemplo, n&#xE3;o teria sentido eu &quot;premiar&quot; com isen&#xE7;&#xE3;o aqueles que n&#xE3;o pernoitam na cidade se este p&#xFA;blico tende a causar mais impactos negativos e menos impactos positivos na sua localidade. Cada destino precisa ter sua pr&#xF3;pria avalia&#xE7;&#xE3;o de necessidades. </li><li><strong>Ser favor&#xE1;vel a uma boa jornada do turista</strong>: &#xE9; preciso ser f&#xE1;cil e simples seu entendimento e pagamento. O turista precisa da informa&#xE7;&#xE3;o com anteced&#xEA;ncia para se preparar, compreender e, preferencialmente, ser estimulado a comportamentos adequados naquele destino. Radares, sistemas f&#xE1;ceis, tecnologias distintas podem ser aplicadas para isso. Ningu&#xE9;m deseja um turista em uma fila na hora de chegada, acessando um sistema pouco amig&#xE1;vel, que n&#xE3;o aceita o meio de pagamento que ele tem ou que n&#xE3;o fale o idioma dele para pagar uma taxa. Ou seja, a intera&#xE7;&#xE3;o para o pagamento da taxa tamb&#xE9;m far&#xE1; parte da experi&#xEA;ncia dele no destino.   </li></ul><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Nova Lei Geral do Turismo é um avanço, mas ainda falta muito para o setor decolar de vez no Brasil]]></title><description><![CDATA[<p>Artigo publicado originalmente em 25 novembro 2024 em <a href="https://theconversation.com/nova-lei-geral-do-turismo-e-um-avanco-mas-ainda-falta-muito-para-o-setor-decolar-de-vez-no-brasil-244574?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">The Conversation</a> por Gui Lohmann (RMIT University), Glauber Santos (USP) e Jaqueline Gil (UnB).</p><p></p><p>O Brasil tem uma nova oportunidade para pivotar sua hist&#xF3;ria no desenvolvimento tur&#xED;stico. A Lei Geral do Turismo, promulgada em 2008, foi&#xA0;<a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2024/09/nova-lei-geral-do-turismo-visa-desburocratizar-e-aprimorar-o-setor?ref=lets.etc.br">atualizada</a></p>]]></description><link>https://lets.etc.br/nova-lei-geral-do-turismo-e-um-avanco-mas-ainda-falta-muito-para-o-setor-decolar-de-vez-no-brasil/</link><guid isPermaLink="false">6748f59251b4ccb20e4f10d9</guid><category><![CDATA[mudançasclimáticas]]></category><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[sustentabilidade]]></category><category><![CDATA[turismosustentável]]></category><category><![CDATA[políticas de turismo]]></category><dc:creator><![CDATA[Jaqueline Gil]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 Nov 2024 23:07:37 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1567978207986-b05049455ba9?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDU2fHx0b3VyaXNtJTIwYnJhemlsfGVufDB8fHx8MTczMjgzNTE0MXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1567978207986-b05049455ba9?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDU2fHx0b3VyaXNtJTIwYnJhemlsfGVufDB8fHx8MTczMjgzNTE0MXww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Nova Lei Geral do Turismo &#xE9; um avan&#xE7;o, mas ainda falta muito para o setor decolar de vez no Brasil"><p>Artigo publicado originalmente em 25 novembro 2024 em <a href="https://theconversation.com/nova-lei-geral-do-turismo-e-um-avanco-mas-ainda-falta-muito-para-o-setor-decolar-de-vez-no-brasil-244574?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">The Conversation</a> por Gui Lohmann (RMIT University), Glauber Santos (USP) e Jaqueline Gil (UnB).</p><p></p><p>O Brasil tem uma nova oportunidade para pivotar sua hist&#xF3;ria no desenvolvimento tur&#xED;stico. A Lei Geral do Turismo, promulgada em 2008, foi&#xA0;<a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2024/09/nova-lei-geral-do-turismo-visa-desburocratizar-e-aprimorar-o-setor?ref=lets.etc.br">atualizada em setembro de 2024</a>. Frente aos&#xA0;<a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/2456/1524?ref=lets.etc.br">avan&#xE7;os e recuos da pol&#xED;tica brasileira de turismo neste in&#xED;cio de s&#xE9;culo</a>, a lei oferece aprimoramentos. Contudo, &#xE9; necess&#xE1;rio acelerar inova&#xE7;&#xF5;es, facilidades para se fazer neg&#xF3;cios e novas formas de gest&#xE3;o para garantir que o&#xA0;<a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/2759?ref=lets.etc.br">novo marco legal resulte em desenvolvimento sustent&#xE1;vel e resili&#xEA;ncia, frente ao grande desafio desta d&#xE9;cada: as mudan&#xE7;as clim&#xE1;ticas</a>.</p><p>No contexto da&#xA0;<a href="https://www.unwto.org/un-tourism-world-tourism-barometer-data?ref=lets.etc.br">acirrada concorr&#xEA;ncia pelos crescentes fluxos globais de turistas</a>, algumas novas e ambiciosas propostas por competitividade sobressaem-se. Entre elas, os volumosos investimentos da&#xA0;<a href="https://www.bbc.com/travel/article/20240206-most-visited-cities-in-the-world-istanbul-antalya-turkey-travel-visa-requirements?ref=lets.etc.br">Turquia</a>&#xA0;em conectividade a&#xE9;rea, a&#xA0;<a href="https://oxfordbusinessgroup.com/reports/saudi-arabia/2023-report/tourism/on-the-rise-the-kingdom-continues-to-attract-both-foreign-investment-and-visitors-as-it-cements-its-position-as-a-global-destination-overview/?ref=lets.etc.br">Ar&#xE1;bia Saudita</a>, que priorizou o turismo como sua &#x201C;nova&#x201D; fonte econ&#xF4;mica, e a aposta da&#xA0;<a href="https://www.reuters.com/world/americas/coca-fields-eco-tourism-colombian-farmers-embrace-green-pivot-2024-10-16/?ref=lets.etc.br#:%7E:text=A%20transformation%20has%20taken%20root%20in%20Colombia%27s%20jungle,is%20offering%20new%20livelihoods%20for%20hundreds%20of%20residents.">Col&#xF4;mbia</a>&#xA0;pela sustentabilidade e biodiversidade.&#xA0;<a href="https://books.google.com.br/books?id=KevZ6Hw_X9QC&amp;printsec=frontcover&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false">Estudiosos</a>&#xA0;<a href="https://books.google.com.br/books?id=KevZ6Hw_X9QC&amp;printsec=frontcover&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false">indicam que o crescimento do turismo ser&#xE1; cont&#xED;nuo e, em 2050</a>, ser&#xE3;o mais de 4 bilh&#xF5;es de viajantes internacionais,&#xA0;<a href="https://www.unwto.org/news/international-tourism-to-reach-pre-pandemic-levels-in-2024?ref=lets.etc.br">mais de tr&#xEA;s vezes o atual volume</a>. <strong>O Brasil n&#xE3;o pode esperar mais vinte e cinco anos para se beneficiar desse movimento.</strong></p><p>A atualiza&#xE7;&#xE3;o da lei aprimorou mecanismos que conectam o Brasil a oportunidades presentes. Entre eles, a facilita&#xE7;&#xE3;o para investimentos estrangeiros, o uso do Fundo Nacional de Avia&#xE7;&#xE3;o Civil para companhias a&#xE9;reas renovarem frotas, abastecerem nos aeroportos da Amaz&#xF4;nia Legal e financiarem projetos de combust&#xED;veis renov&#xE1;veis, al&#xE9;m da formaliza&#xE7;&#xE3;o de agricultores na cadeia de prestadores de servi&#xE7;os tur&#xED;sticos. A prescri&#xE7;&#xE3;o da centralidade da sustentabilidade &#xE9; tamb&#xE9;m novidade.</p><h2 id="o-que-faltou-ser-feito">O que faltou ser feito</h2><p>Entretanto, o novo marco legal perdeu uma chance de ouro ao n&#xE3;o priorizar temas transformadores, nem consolidar uma clara vis&#xE3;o de futuro para o turismo no Brasil. Caber&#xE1; &#xE0;s futuras pol&#xED;ticas nacional, estaduais e municipais de turismo a prioriza&#xE7;&#xE3;o de investimentos e de programas que levem &#xE0; transforma&#xE7;&#xE3;o digital, ao desenvolvimento de novas habilidades em profissionais do turismo, e, principalmente, a parcerias para fomento &#xE0; inova&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; melhoria do ambiente de neg&#xF3;cios, sempre assentados em sustentabilidade e a&#xE7;&#xE3;o clim&#xE1;tica.</p><p>A Lei n&#xE3;o tratou da desburocratiza&#xE7;&#xE3;o do turismo,&#xA0;<a href="https://archive.doingbusiness.org/en/data/exploreeconomies/brazil?ref=lets.etc.br">no contexto da dificuldade de se fazer neg&#xF3;cios no Brasil</a>, nem atualizou indicadores que mensuram impactos e benef&#xED;cios da atividade no pa&#xED;s. Pa&#xED;ses como&#xA0;<a href="https://www.qld.gov.au/__data/assets/pdf_file/0036/68697/building-resilient-tourism-industry-qld-ccr-plan.pdf?ref=lets.etc.br">Austr&#xE1;lia</a>,&#xA0;<a href="https://www.tourismdatacollective.ca/wealth-wellbeing?ref=lets.etc.br">Canad&#xE1;</a>&#xA0;e&#xA0;<a href="https://www.forbes.com/sites/christopherelliott/2024/09/21/sustainable-tourism-in-stockholm-heres-how-theyre-doing-it/?ref=lets.etc.br">Su&#xE9;cia</a>&#xA0;j&#xE1; fazem uso de novos indicadores, como prosperidade, bem-estar e resili&#xEA;ncia de destinos tur&#xED;sticos. No Brasil, seguiram prevalecendo o n&#xFA;mero de turistas e de entrada de divisas, como no s&#xE9;culo passado.</p><h2 id="legisla%C3%A7%C3%A3o-em-outros-pa%C3%ADses-%C3%A9-exemplo-a-ser-seguido">Legisla&#xE7;&#xE3;o em outros pa&#xED;ses &#xE9; exemplo a ser seguido</h2><p>Tr&#xEA;s exemplos de marcos legais que poderiam inspirar transforma&#xE7;&#xF5;es para o turismo brasileiro:</p><p>Em Portugal,&#xA0;<a href="https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-conselho-ministros/29-2020-132133787?ref=lets.etc.br">legisla&#xE7;&#xE3;o de 2020 regulamentou a transforma&#xE7;&#xE3;o digital da economia</a>. As&#xA0;<a href="https://portugaldigital.gov.pt/acelerar-a-transicao-digital-em-portugal/testar-e-incorporar-nova-tecnologia/zonas-livres-tecnologicas-zlt/?ref=lets.etc.br">zonas livres tecnol&#xF3;gicas</a><a href="https://portugaldigital.gov.pt/acelerar-a-transicao-digital-em-portugal/testar-e-incorporar-nova-tecnologia/zonas-livres-tecnologicas-zlt/?ref=lets.etc.br">(ZLT)</a>&#xA0;tornaram-se o projeto piloto para a declarada inten&#xE7;&#xE3;o portuguesa de lideran&#xE7;a em pesquisa e aplica&#xE7;&#xE3;o de tecnologias emergentes, sobretudo com ve&#xED;culos aut&#xF4;nomos e intelig&#xEA;ncia artificial (IA). As ZLT s&#xE3;o espa&#xE7;os geograficamente definidos em que h&#xE1; fomento e concess&#xF5;es especiais para testes e experimenta&#xE7;&#xF5;es, em ambiente real, de tecnologias inovadoras com uso de IA, blockchain, 5G ou nanotecnologias. A&#xA0;<a href="https://ani.pt/zonas-livres-tecnologicas/?ref=lets.etc.br">ZLT Matosinhos est&#xE1; orientada para testes de solu&#xE7;&#xF5;es de mobilidade com neutralidade de carbono</a>, por exemplo.</p><p>A lei brasileira poderia ter introduzido marcos para fomento a testes de solu&#xE7;&#xF5;es inovadoras para opera&#xE7;&#xF5;es com maiores &#xED;ndices de polui&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;guas e de emiss&#xE3;o de carbono em destinos tur&#xED;sticos. Economia circular,&#xA0;<a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/2481?ref=lets.etc.br">elimina&#xE7;&#xE3;o de pl&#xE1;stico de uso &#xFA;nico</a>&#xA0;e transi&#xE7;&#xE3;o energ&#xE9;tica, com&#xA0;<a href="https://www.neoenergia.com/w/neoenergia-buggy-eletrico-noronha?ref=lets.etc.br">mobilidade</a>&#xA0;de baixa ou neutralizada emiss&#xE3;o de carbono, por exemplo, merecem destaque.</p><p>No Canad&#xE1;, o&#xA0;<a href="https://www.canada.ca/en/atlantic-canada-opportunities/services/canadianexperiencesfund.html?ref=lets.etc.br">Fundo de Experi&#xEA;ncias</a>&#xA0;disponibiliza mais de 58 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares canadenses em microcr&#xE9;dito para desenvolver ou aprimorar turismo fora dos tradicionais centros. Os investimentos s&#xE3;o direcionados para experi&#xEA;ncias que: a) operem no inverno ou na baixa esta&#xE7;&#xE3;o; b) sejam lideradas por comunidades ind&#xED;genas, como o&#xA0;<a href="https://shearwater.ca/?ref=lets.etc.br">ShearWater Wilderness Resort</a>, de propriedade do&#xA0;<a href="https://www.heiltsuknation.ca/?ref=lets.etc.br">Conselho da Na&#xE7;&#xE3;o Ind&#xED;gena Heiltsuknation</a>; c) sejam inclusivas, especialmente para a comunidade LGBTQIAPN+; d) aconte&#xE7;am em comunidades rurais e em &#xE1;reas remotas; e e) promovam a gastronomia &#x201C;da fazenda &#xE0; mesa&#x201D;, valorizando agricultores e chefs locais.</p><p>Uma proposta para regulamentar microcr&#xE9;dito para turismo no Brasil poderia, por exemplo, priorizar experi&#xEA;ncias que financiam conserva&#xE7;&#xE3;o ou regenera&#xE7;&#xE3;o de biomas.&#xA0;<a href="https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2024/08/07/araras-ficam-desabrigadas-apos-ninhos-de-ong-serem-consumidos-pelos-incendios-no-pantanal-veja-video.ghtml?ref=lets.etc.br">Grandes inc&#xEA;ndios</a>,&#xA0;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/sos-rio-grande-do-sul/noticia/2024/05/17/serra-gaucha-estima-perda-de-meio-bilhao-de-reais-no-turismo-ate-julho-devido-as-chuvas.ghtml?ref=lets.etc.br">enchentes</a>&#xA0;ou&#xA0;<a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/10/16/cerca-de-80percent-dos-corais-da-maior-area-de-conservacao-marinha-do-brasil-morreram-nos-ultimos-seis-meses-diz-instituto.ghtml?ref=lets.etc.br">branqueamento de corais</a>&#xA0;em regi&#xF5;es tur&#xED;sticas, apenas citando fen&#xF4;menos devastadores que aconteceram no segundo semestre de 2024, precisam de mais aten&#xE7;&#xE3;o.</p><p>Na &#xC1;frica do Sul, a&#xA0;<a href="https://www.krugerpark.co.za/krugerpark-times-2-2-greater-kruger-19029.html?ref=lets.etc.br">regulamenta&#xE7;&#xE3;o de parcerias p&#xFA;blico-privadas para ampliar unidades de conserva&#xE7;&#xE3;o</a>&#xA0;garantiu safaris com diversidade de fauna e flora o ano todo. Os safaris africanos t&#xEA;m valor direto&#xA0;<a href="https://sowc.alueducation.com/research/?ref=lets.etc.br">estimado em mais de US$ 14 bilh&#xF5;es</a>, podendo ultrapassar US$ 30 bilh&#xF5;es com os servi&#xE7;os indiretos. A regi&#xE3;o do Parque Kruger, entre &#xC1;frica do Sul e Mo&#xE7;ambique, foi o piloto da transfer&#xEA;ncia de cercas das terras p&#xFA;blicas para incorporar as privadas ao espa&#xE7;o territorial da conserva&#xE7;&#xE3;o. Mais savana e mais &#xE1;gua garantidas aos animais facilitam sua prolifera&#xE7;&#xE3;o e o equil&#xED;brio das cadeias alimentares. Iniciada em 1994, essa pr&#xE1;tica j&#xE1; adicionou milhares de hectares ao Kruger. Recentemente, mais de 35 mil hectares foram incorporados ao que se convencionou chamar de &#x201C;Greater Kruger National Park (GKNP)&#x201D;.&#xA0;<a href="https://africageographic.com/stories/the-real-economic-value-of-greater-kruger-national-park/?ref=lets.etc.br">Pesquisa da ag&#xEA;ncia Parques Nacionais da &#xC1;frica do Sul e da Universidade da Fl&#xF3;rida</a>&#xA0;avaliou que as reservas privadas, ainda que detenham apenas 12% do territ&#xF3;rio GKNP, s&#xE3;o atualmente respons&#xE1;veis por 60% da gera&#xE7;&#xE3;o de valor econ&#xF4;mico, emprego e renda na regi&#xE3;o.</p><p>A legisla&#xE7;&#xE3;o brasileira poderia fomentar novos empreendimentos de turismo em &#xE1;reas privadas no entorno de unidades de conserva&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m de consistir em mecanismo para possivelmente limitar a expans&#xE3;o irregular do desmatamento, ampliar &#xE1;reas de biodiversidade e fortalecer&#xA0;<a href="https://www.metropoles.com/distrito-federal/entorno/territorio-kalunga-na-chapada-e-o-quilombo-mais-ameacado-por-mineracao?ref=lets.etc.br">empreendimentos comunit&#xE1;rios</a>, o fomento ao turismo de natureza poderia&#xA0;<a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202309/governo-amplia-para-48-a-meta-de-reducao-da-emissao-de-gases-de-efeito-estufa-ate-2025?ref=lets.etc.br#:%7E:text=O%20Governo%20Federal%20ampliou%20o,de%2050%25%20para%2053%25.">contribuir para as metas brasileiras de redu&#xE7;&#xE3;o nas emiss&#xF5;es de gases de efeito estufa</a>. O entorno do&#xA0;<a href="https://www.metropoles.com/brasil/em-20-anos-area-ocupada-por-lavouras-aumentou-300-na-chapada-dos-veadeiros?ref=lets.etc.br">Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros</a>&#xA0;(GO) ou do&#xA0;<a href="https://oeco.org.br/reportagens/chapada-dos-guimaraes-mt-area-fragil-sobre-forte-pressao/?ref=lets.etc.br">Parque Nacional da Chapada dos Guimar&#xE3;es</a>&#xA0;(MT), onde h&#xE1; press&#xE3;o do agroneg&#xF3;cio pelo uso da terra, poderiam ser pilotos.</p><h2 id="seria-a-legisla%C3%A7%C3%A3o-ambiental-brasileira-uma-inspira%C3%A7%C3%A3o-para-o-turismo">Seria a legisla&#xE7;&#xE3;o ambiental brasileira uma inspira&#xE7;&#xE3;o para o turismo?</h2><p>A&#xA0;<a href="https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/livros/160719_governanca_ambiental.pdf?ref=lets.etc.br">vanguardista pol&#xED;tica ambiental brasileira, legislada desde a d&#xE9;cada de 1930</a>, n&#xE3;o se deu em fun&#xE7;&#xE3;o de press&#xE3;o ou concorr&#xEA;ncia internacional. Ao contr&#xE1;rio,&#xA0;<a href="https://www.dukeupress.edu/greening-brazil?ref=lets.etc.br">o Brasil inaugurou escolas, por ag&#xEA;ncias governamentais ou movimentos da sociedade civil</a>. Sua lideran&#xE7;a internacional, consagrada na&#xA0;<a href="https://www.un.org/en/conferences/environment/rio1992?ref=lets.etc.br">Rio-92, quando foi assinada a Conven&#xE7;&#xE3;o-Quadro das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas para as Mudan&#xE7;as do Clima</a>, ser&#xE1; testada na COP-30, no ano que vem. Preparando-se para novos pioneirismos, a recente legisla&#xE7;&#xE3;o que&#xA0;<a href="https://valorinternational.globo.com/environment/news/2024/09/18/brazil-may-lead-production-of-sustainable-aviation-fuel-experts-say.ghtml?ref=lets.etc.br">estabelece as bases para produ&#xE7;&#xE3;o em larga escala de combust&#xED;vel sustent&#xE1;vel de avia&#xE7;&#xE3;o (SAF)</a>&#xA0;&#xE9; um marco.</p><p>Em turismo, os grandiosos apelos culturais e naturais do pa&#xED;s parecem convergir em tempo e tema: este &#xE9; o momento de o Brasil aprimorar suas pol&#xED;ticas de turismo para, enfim, ocupar o lugar que lhe cabe. Apesar de&#xA0;<a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/2456/1524?ref=lets.etc.br">aprimoramentos em rankings internacionais de competitividade do turismo,</a><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/meio-ambiente/audio/2023-08/revista-forbes-elege-o-brasil-como-o-melhor-destino-para-o-ecoturismo?ref=lets.etc.br">inclusive em </a><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/meio-ambiente/audio/2023-08/revista-forbes-elege-o-brasil-como-o-melhor-destino-para-o-ecoturismo?ref=lets.etc.br">ecoturismo</a><a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/2456/1524?ref=lets.etc.br">,</a>&#xA0;o Brasil tem tamanho (<a href="https://www.unep.org/pt-br/noticias-e-reportagens/story/brasil-megadiverso-dando-um-impulso-online-para-biodiversidade?ref=lets.etc.br">primeiro em megabiodiversidade</a>,&#xA0;<a href="https://www.britannica.com/place/Brazil?ref=lets.etc.br">quinto em territ&#xF3;rio</a>,&#xA0;<a href="https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.TOTL?most_recent_value_desc=true&amp;ref=lets.etc.br">s&#xE9;timo em popula&#xE7;&#xE3;o</a> e&#xA0;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/en/economia/noticia/2023-12/brazil-jumps-two-places-becomes-worlds-ninth-largest-economy-2023?ref=lets.etc.br#:%7E:text=With%20growth%20forecast%20at%203.1%20percent%20in%20its,International%20Monetary%20Fund%20%28IMF%29%20announced%20Tuesday%20%28Dec.%2019%29.">nono em economia</a>&#xA0;para ser pot&#xEA;ncia tur&#xED;stica focada em pessoas e na natureza. Para isso, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel seguir sem se reinventar. &#xC9; preciso definir um foco, o que vai al&#xE9;m da centralidade em sustentabilidade. Temos a faca e o queijo: &#x201C;Brasil, um para&#xED;so do turismo regenerativo&#x201D; pode ser um caminho, com muita tecnologia e novos perfis de neg&#xF3;cios. O Conselho Nacional de Turismo deveria liderar a cria&#xE7;&#xE3;o deste novo paradigma ao turismo brasileiro, j&#xE1; que a Lei deixou a desejar.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Investimento Social Privado no Turismo]]></title><description><![CDATA[<p>O LETS participou como parceiro acad&#xEA;mico do estudo pioneiro lan&#xE7;ado hoje na Universidade de Bras&#xED;llia. </p><p>A proposta nasceu da Ra&#xED;zes 360, uma parceria entre as empresas&#xA0;<a href="https://raizesds.com.br/pt/?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Ra&#xED;zes Desenvolvimento Sustent&#xE1;vel</a>&#xA0;e&#xA0;<a href="https://t360consultoria.com/?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Turismo 360 Consultoria</a>. Para o</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/investimento-social-privado-no-turismo/</link><guid isPermaLink="false">6747753b51b4ccb20e4f0f87</guid><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 27 Nov 2024 19:53:07 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1483324084333-5c7a74cac8b9?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDV8fGJyYXppbHxlbnwwfHx8fDE3MzI4MjQ3ODF8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1483324084333-5c7a74cac8b9?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDV8fGJyYXppbHxlbnwwfHx8fDE3MzI4MjQ3ODF8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Investimento Social Privado no Turismo"><p>O LETS participou como parceiro acad&#xEA;mico do estudo pioneiro lan&#xE7;ado hoje na Universidade de Bras&#xED;llia. </p><p>A proposta nasceu da Ra&#xED;zes 360, uma parceria entre as empresas&#xA0;<a href="https://raizesds.com.br/pt/?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Ra&#xED;zes Desenvolvimento Sustent&#xE1;vel</a>&#xA0;e&#xA0;<a href="https://t360consultoria.com/?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Turismo 360 Consultoria</a>. Para o desenvolvimento metodol&#xF3;gico foi convidada a Universidade de Bras&#xED;lia (UNB) que rapidamente aderiu ao prop&#xF3;sito por meio do LETS &#x2013;&#xA0;<a href="http://cds.unb.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=89&amp;Itemid=704&amp;ref=lets.etc.br" rel="noopener">Laborat&#xF3;rio de Estudos de Turismo e Sustentabilidade</a>, parceiro acad&#xEA;mico da iniciativa. Se uniram, tamb&#xE9;m, como parceiro de divulga&#xE7;&#xE3;o, o&#xA0;<a href="https://turismospot.com.br/?ref=lets.etc.br">Turismo Spot&#xA0;</a>(plataforma de difus&#xE3;o de pesquisas e artigos de turismo),e como apoio institucional a&#xA0;<a href="https://www.fundacaogrupoboticario.org.br/pt/Paginas/Inicial.aspx?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Funda&#xE7;&#xE3;o Grupo Botic&#xE1;rio</a>&#xA0;(atualmente uma das iniciativas mais atuantes no ISP em a&#xE7;&#xF5;es envolvendo turismo) e a&#xA0;<a href="https://ponteaponte.com.br/?ref=lets.etc.br">ponteAponte</a>&#xA0;(empresa especializada no suporte ao ISP), com o apoio do&#xA0;<a href="http://gife.org.br/?ref=lets.etc.br" rel="noopener">Grupo de Institutos, Funda&#xE7;&#xF5;es e Empresas</a>&#xA0;(GIFE).&#xA0;</p><figure class="kg-card kg-image-card kg-width-wide kg-card-hascaption"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6431-2.jpeg" class="kg-image" alt="Investimento Social Privado no Turismo" loading="lazy" width="1170" height="1508" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/11/IMG_6431-2.jpeg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/11/IMG_6431-2.jpeg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6431-2.jpeg 1170w"><figcaption><span style="white-space: pre-wrap;">Capa do estudo </span></figcaption></figure><p>A forma&#xE7;&#xE3;o do grupo iniciou-se ainda em 2022 e as primeiras entrevistas com question&#xE1;rio cocriado por essa alian&#xE7;a acontecer&#xE3;o no m&#xEA;s de julho de 2023. Foram &#xA0;coletados dados qualitativos e em profundidade com os principais atores do investimento social privado no Brasil, sejam eles empresas, institutos ou funda&#xE7;&#xF5;es.</p><p>Os resultados dessa pesquisa est&#xE3;o sistematizados no e-book dispon&#xED;vel aqui: </p><p><a href="https://turismospot.com.br/investimento-social-privado-em-turismo/?ref=lets.etc.br">https://turismospot.com.br/investimento-social-privado-em-turismo/</a></p><p> O desejo dos envolvidos &#xE9; gerar e compartilhar reflex&#xF5;es sobre como as empresas j&#xE1; impactam (e podem impactar mais) a sociedade com a&#xE7;&#xF5;es no setor de turismo e toda sua ampla cadeia.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/11/0c8806ec-5cb8-4c73-8305-b5171d6dd788-1.jpeg" class="kg-image" alt="Investimento Social Privado no Turismo" loading="lazy" width="1133" height="1599" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/11/0c8806ec-5cb8-4c73-8305-b5171d6dd788-1.jpeg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/11/0c8806ec-5cb8-4c73-8305-b5171d6dd788-1.jpeg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2024/11/0c8806ec-5cb8-4c73-8305-b5171d6dd788-1.jpeg 1133w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6422.jpeg" class="kg-image" alt="Investimento Social Privado no Turismo" loading="lazy" width="2000" height="1500" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/11/IMG_6422.jpeg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/11/IMG_6422.jpeg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1600/2024/11/IMG_6422.jpeg 1600w, https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6422.jpeg 2000w" sizes="(min-width: 720px) 720px"><figcaption><span style="white-space: pre-wrap;">Membros do LETS no lan&#xE7;amento do ebook </span></figcaption></figure><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6430-1.jpeg" class="kg-image" alt="Investimento Social Privado no Turismo" loading="lazy" width="1170" height="2193" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/11/IMG_6430-1.jpeg 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/11/IMG_6430-1.jpeg 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2024/11/IMG_6430-1.jpeg 1170w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p></p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Porque apenas o marketing turístico não é mais suficiente]]></title><description><![CDATA[<p></p><p>Nos meus 18 meses de atua&#xE7;&#xE3;o na Ag&#xEA;ncia Brasileira de Promo&#xE7;&#xE3;o Internacional do Turismo (Embratur), uma das maiores alegrias que senti foi ver o Brasil estampando novamente a <a href="https://www.wanderlustmagazine.com/inspiration/travel-green-list-2024/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer"><em>The Travel Green List</em></a><em>: for travellers who care</em> - da respeitada editora inglesa Wanderlust.</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/porque-apenas-o-marketing-turistico-nao-e-mais-suficiente/</link><guid isPermaLink="false">670055a051b4ccb20e4f0e3d</guid><category><![CDATA[Opinião]]></category><category><![CDATA[sustentabilidade]]></category><category><![CDATA[turismosustentável]]></category><category><![CDATA[marketing]]></category><category><![CDATA[Aprendizados]]></category><dc:creator><![CDATA[Helena Costa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 07 Oct 2024 18:25:27 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1584270060326-bac9f7520e98?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDMzfHxjb3JhbHxlbnwwfHx8fDE3MjgzMjUwNDR8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1584270060326-bac9f7520e98?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDMzfHxjb3JhbHxlbnwwfHx8fDE3MjgzMjUwNDR8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Porque apenas o marketing tur&#xED;stico n&#xE3;o &#xE9; mais suficiente"><p></p><p>Nos meus 18 meses de atua&#xE7;&#xE3;o na Ag&#xEA;ncia Brasileira de Promo&#xE7;&#xE3;o Internacional do Turismo (Embratur), uma das maiores alegrias que senti foi ver o Brasil estampando novamente a <a href="https://www.wanderlustmagazine.com/inspiration/travel-green-list-2024/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer"><em>The Travel Green List</em></a><em>: for travellers who care</em> - da respeitada editora inglesa Wanderlust. </p><p>O Brasil figurou ao lado da Costa Rica, da Col&#xF4;mbia, do Equador e do Panam&#xE1;  com iniciativas que mostram o compromisso do turismo com a sustentabilidade.</p><p>No meu dia-a-dia, ap&#xF3;s diversas intera&#xE7;&#xF5;es e trocas com atores relevantes internacionais, percebi com anima&#xE7;&#xE3;o a abertura global que existia para um Brasil comprometido com suas quest&#xF5;es socioambientais e suas origens. Sim, ouvi isso de editores internacionais considerados refer&#xEA;ncias no universo da comunica&#xE7;&#xE3;o e da comercializa&#xE7;&#xE3;o do turismo.   </p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/10/travel-greeen-2.png" class="kg-image" alt="Porque apenas o marketing tur&#xED;stico n&#xE3;o &#xE9; mais suficiente" loading="lazy" width="1390" height="714" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/10/travel-greeen-2.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/10/travel-greeen-2.png 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2024/10/travel-greeen-2.png 1390w" sizes="(min-width: 720px) 720px"><figcaption><span style="white-space: pre-wrap;">Imagem do Site Wanderlust - Brazil na The Travel Green List</span></figcaption></figure><p>T&#xE3;o ou mais animador foi ver, na mesma edi&#xE7;&#xE3;o, a men&#xE7;&#xE3;o ao trabalho da Embratur de apoio &#xE0; regenera&#xE7;&#xE3;o de corais, ao lado de projetos na Austr&#xE1;lia, na Polin&#xE9;sia, entre outros. No nosso caso, a Wanderlust dizia: nem toda inova&#xE7;&#xE3;o no turismo &#xE9; vista pelo turista.<strong> </strong>E desejava que a nossa  iniciativa se espalhasse amplamente pelo setor. </p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/10/travel-list-3.png" class="kg-image" alt="Porque apenas o marketing tur&#xED;stico n&#xE3;o &#xE9; mais suficiente" loading="lazy" width="1004" height="659" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/10/travel-list-3.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/size/w1000/2024/10/travel-list-3.png 1000w, https://lets.etc.br/content/images/2024/10/travel-list-3.png 1004w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p>O que fizemos foi <strong>substituir souvenires tradicionais distribu&#xED;dos em eventos do <em>trade</em> de turismo por presentes &quot;imateriais&quot; que demonstraram a alian&#xE7;a entre turismo e regenera&#xE7;&#xE3;o</strong> - uma ideia genial plantada em n&#xF3;s pela Diretora Jaqueline Gil em fevereiro de 2023. </p><blockquote>Neste momento, revisitei a primeira reuni&#xE3;o da equipe toda, quando Jaqueline  nos convocou a pensar no novo, dizendo: &quot;quero um Brasil que seja <em>trend maker (</em>gerador de tend&#xEA;ncias), e n&#xE3;o<em> trend taker</em> (seguidor de tend&#xEA;ncias)&quot; [tradu&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria]. </blockquote><p>No caso, autoridades, operadores e outras personalidades foram presenteadas com certificados de ado&#xE7;&#xE3;o de corais em parceria com a Biof&#xE1;brica de Corais em Alagoas. Essa foi uma iniciativa bem amarrada entre tend&#xEA;ncias globais, promo&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica, gest&#xE3;o de imagem, coes&#xE3;o entre a esfera federal e a estadual, fortalecimento da tecnologia nacional, ancoramento em uma startup s&#xF3;lida e audit&#xE1;vel com rela&#xE7;&#xF5;es saud&#xE1;veis com a comunidade local. Essa <a href="https://embratur.com.br/2024/03/05/itb-acao-de-sustentabilidade-da-embratur-na-alemanha-ganha-elogio-de-operadores-caminho-correto/?ref=lets.etc.br" rel="noreferrer">a&#xE7;&#xE3;o foi lan&#xE7;ada</a>, n&#xE3;o por acaso, na ITB de Berlim em mar&#xE7;o de 2024 - afinal a Alemanha &#xE9; um mercado com altos padr&#xF5;es no tema da sustentabilidade. Desta forma, causou uma repercuss&#xE3;o mais do que esperada.</p><p>A iniciativa foi bem recebida por pa&#xED;ses que temos um profundo respeito no tema da constru&#xE7;&#xE3;o de imagem, como o Chile. Chegamos a ouvir de profissionais incr&#xED;veis de outros pa&#xED;ses um: &quot;como eu n&#xE3;o pensei nisso antes?!&quot; e &quot;iremos copiar&quot;, com bom humor e grande reconhecimento nestas falas. </p><p>Ao mesmo tempo, j&#xE1; est&#xE1;vamos explorando novos projetos para onde a iniciativa poderia expandir e diversificar: s&#xE3;o muitos projetos lindos como On&#xE7;afari, Instituto Araras Azul, Instituto Peixe Boi, Projeto Tamar, entre outros maravilhosos que temos no Brasil. Assim, a a&#xE7;&#xE3;o estava pronta para crescer e se multiplicar. Destinos e empresas brasileiras queriam conhecer melhor como era o mecanismo para poder implementar em seus pr&#xF3;prios destinos, algumas queriam oferecer um souvenir assim a seus exigentes clientes que visitavam o Brasil, alcan&#xE7;ando at&#xE9; o p&#xFA;blico-final com esta mensagem. </p><p>De t&#xE3;o inovadora, a iniciativa mereceu um destaque na publica&#xE7;&#xE3;o da Wanderlust. De t&#xE3;o interessante, captou a aten&#xE7;&#xE3;o nacional e internacional. </p><blockquote>Senti que est&#xE1;vamos no caminho certo - e que, como todo caminho de grandes mudan&#xE7;as, leva tempo, requer esfor&#xE7;o coletivo e necessita de vis&#xE3;o de futuro partilhada. </blockquote><p>Voltei para o momento presente, e me alegrou pensar em cada pequena decis&#xE3;o que tomamos rumo a fortalecer o posicionamento do Brasil em favor de um turismo mais respons&#xE1;vel, sustent&#xE1;vel e regenerativo. E de est&#xED;mulo para que outros caminhem conosco neste sentido - afinal, n&#xE3;o &#xE9; um caminho que se percorre s&#xF3;. </p><p><strong>Nem s&#xF3; de marketing tur&#xED;stico vivemos n&#xF3;s. </strong></p><p>Mesmo em se tratando de uma ag&#xEA;ncia de promo&#xE7;&#xE3;o internacional, ficou muito claro para mim que nem s&#xF3; de a&#xE7;&#xF5;es de marketing vivemos. E com isso quero dizer que precisamos dar um salto - expressivo e qualitativo - rumo ao que j&#xE1; sabemos: a constru&#xE7;&#xE3;o de um <em>branding</em> de pa&#xED;s. </p><p>E o que isso quer dizer?</p><p>Que n&#xE3;o podemos mais estar isolados no setor de turismo, construindo apenas a&#xE7;&#xF5;es tradicionais de marketing tur&#xED;stico - campanhas, materiais, sites, redes sociais, bancos de imagens, eventos. Tudo isso &#xE9; importante, desde que costurados dentro de algo que ainda estamos longe de encontrar no Brasil: uma <strong>gest&#xE3;o estrat&#xE9;gica de marca-pa&#xED;s</strong>. </p><p>Essa no&#xE7;&#xE3;o nos desafia porque n&#xE3;o cabe em uma autoridade, uma ag&#xEA;ncia, um minist&#xE9;rio. Ela abra&#xE7;a muitos atores, em todas as sua a&#xE7;&#xF5;es. Ela &#xE9; transversal e se relaciona desde cada a&#xE7;&#xE3;o do representante da Rep&#xFA;blica Brasileira, at&#xE9; a Casa Civil (com a Secom), o Minist&#xE9;rio de Rela&#xE7;&#xF5;es Exteriores (com toda a nossa diplomacia pol&#xED;tica, de fronteiras, a atua&#xE7;&#xE3;o de seus setores culturais, comerciais, etc), a APEX, que fomenta a exporta&#xE7;&#xE3;o de produtos e servi&#xE7;os &quot;Made in Brazil&quot;, para citar alguns atores. Construir a&#xE7;&#xF5;es coesas pedem governan&#xE7;a, coordena&#xE7;&#xE3;o e prop&#xF3;sito.</p><p>Para ser justa com o passado, a origem da Marca Brasil trazia essa ideia: uma marca de pa&#xED;s, e n&#xE3;o de governo, que estivesse presente de forma transversal em produtos brasileiros. Uma costura interministerial foi feita, avan&#xE7;os foram alcan&#xE7;ados. Mas, depois: abandonados. Aqui nasce outro aprendizado:</p><blockquote> Gest&#xE3;o de marca-pa&#xED;s se faz com continuidade, compromisso, investimento e persist&#xEA;ncia. </blockquote><p>J&#xE1; n&#xE3;o existe mais a ilus&#xE3;o de que seremos competitivos globalmente se n&#xE3;o olharmos para o Brasil como gerador de <em>softpower</em>, de solu&#xE7;&#xF5;es com relev&#xE2;ncia global e com a responsabilidade que nos cabe na constru&#xE7;&#xE3;o do futuro - como um pa&#xED;s que tem mais de 8 mil km de zona costeira e abriga imensas Amaz&#xF4;nias (verde e azul) e mais de 300 povos origin&#xE1;rios. </p><p>Enquanto estivermos olhando para as melhores respostas somente dentro do marketing tur&#xED;stico, ainda estaremos olhando para o lugar errado. </p><hr><p>Agradecimentos</p><p>Obrigada ao LETS por ser este espa&#xE7;o generoso de partilha, matura&#xE7;&#xE3;o e exposi&#xE7;&#xE3;o de ideias. Agrade&#xE7;o aos colegas que fizeram uma gentil leitura pr&#xE9;via do texto. </p><p>Obrigada &#xE0; Jaqueline Gil pela confian&#xE7;a e pela inspira&#xE7;&#xE3;o nesta estimulante jornada.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um novo salto: como ultrapassar a marca dos 6 milhões de turistas estrangeiros no Brasil, com tecnologias e ações ambientalmente responsáveis]]></title><description><![CDATA[<p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Turismo e de uma reflex&#xE3;o publicada na<a href="https://veja.abril.com.br/comportamento/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://veja.abril.com.br/comportamento/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional/?ref=lets.etc.br">Revista Veja</a> e no<a href="https://theconversation.com/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional-239547?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://theconversation.com/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional-239547?ref=lets.etc.br">The Conversation,</a> escrita por<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Professor Gui Lohmann</a> ,<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Glauber Eduardo de Oliveira Santos</a> e por mim, na qual elencamos 5 raz&#xF5;es sobre a dificuldade de avan&</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/um-novo-salto-como-ultrapassar-a-marca-dos-6-milhoes-de-turistas-estrangeiros-no-brasil-com-tecnologias-e-acoes-ambientalmente-responsaveis/</link><guid isPermaLink="false">66fc32c351b4ccb20e4f0dd4</guid><dc:creator><![CDATA[Jaqueline Gil]]></dc:creator><pubDate>Tue, 01 Oct 2024 17:43:35 GMT</pubDate><media:content url="https://images.unsplash.com/photo-1523225918988-00624e6d8fee?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDd8fHRvdXJpc3RzfGVufDB8fHx8MTcyNzgwNDUyNHww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://images.unsplash.com/photo-1523225918988-00624e6d8fee?crop=entropy&amp;cs=tinysrgb&amp;fit=max&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3wxMTc3M3wwfDF8c2VhcmNofDd8fHRvdXJpc3RzfGVufDB8fHx8MTcyNzgwNDUyNHww&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=80&amp;w=2000" alt="Um novo salto: como ultrapassar a marca dos 6 milh&#xF5;es de turistas estrangeiros no Brasil, com tecnologias e a&#xE7;&#xF5;es ambientalmente respons&#xE1;veis"><p>Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Turismo e de uma reflex&#xE3;o publicada na<a href="https://veja.abril.com.br/comportamento/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://veja.abril.com.br/comportamento/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional/?ref=lets.etc.br">Revista Veja</a> e no<a href="https://theconversation.com/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional-239547?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://theconversation.com/cinco-razoes-que-fazem-do-brasil-um-gigante-ainda-adormecido-para-o-turismo-internacional-239547?ref=lets.etc.br">The Conversation,</a> escrita por<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Professor Gui Lohmann</a> ,<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Glauber Eduardo de Oliveira Santos</a> e por mim, na qual elencamos 5 raz&#xF5;es sobre a dificuldade de avan&#xE7;armos no turismo internacional no Brasil, retomo o tema que me motivou na constru&#xE7;&#xE3;o de novos paradigmas enquanto estive &#xE0; frente da Diretoria de Marketing Internacional, Neg&#xF3;cios e Sustentabilidade da Embratur.</p><p>Um recente grande salto em turismo internacional no Brasil, com registros de s&#xE9;ries hist&#xF3;ricas, aconteceu entre 2002 e 2015, per&#xED;odo em que a entrada de divisas expandiu 134% (de US$ 2,27 bilh&#xF5;es para US$ 5,81 bilh&#xF5;es - fonte <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Banco Central do Brasil</a>), a entrada de estrangeiros cresceu 66% (de 3,7 milh&#xF5;es para 6,3 milh&#xF5;es, ainda antes do efeito Rio 2016 - fonte <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Pol&#xED;cia Federal</a> e <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Minist&#xE9;rio do Turismo</a> ) e o volume total de bilhetes a&#xE9;reos no pa&#xED;s aumentou mais de tr&#xEA;s vezes (de 31 milh&#xF5;es para 100 milh&#xF5;es - fonte <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">ANAC - Ag&#xEA;ncia Nacional de Avia&#xE7;&#xE3;o Civil</a>). Um conjunto de fatores contribu&#xED;ram, entre eles: a melhoria da imagem internacional do Brasil (soft power), mais voos para e dentro do pa&#xED;s, e, tamb&#xE9;m, com a cria&#xE7;&#xE3;o do<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Minist&#xE9;rio do Turismo</a>, em 2003, a dedica&#xE7;&#xE3;o exclusiva da <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">EMBRATUR - Brazilian Tourist Board</a> ao apoio &#xE0; comercializa&#xE7;&#xE3;o, marketing e promo&#xE7;&#xE3;o internacional, inclusive com novas possibilidades de comunica&#xE7;&#xE3;o internacional como o <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Visit Brasil</a>. Apesar desses avan&#xE7;os, e de atuais tamb&#xE9;m (desde 2022/2023, no p&#xF3;s-pandemia), os n&#xFA;meros do turismo internacional no Brasil representam uma &quot;estagna&#xE7;&#xE3;o&quot;, e n&#xE3;o refletem o crescimento vis-&#xE0;-vis seu imenso potencial.</p><p>Um dos maiores legados da Embratur como institui&#xE7;&#xE3;o que se dedica &#xE0; promo&#xE7;&#xE3;o internacional, sob as presid&#xEA;ncias de Eduardo Sanovicz (in memoriam) e<a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Jeanine Pires</a>, poss&#xED;vel a partir da presid&#xEA;ncia de <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">Caio Luiz Cibella de Carvalho</a>, l&#xED;der de uma das mais estruturantes pol&#xED;ticas do turismo brasileiro, o Programa Nacional de Municipaliza&#xE7;&#xE3;o do Turismo - PNMT, foi a cria&#xE7;&#xE3;o do Plano Aquarela, o <a href="https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo-/publicacoes/planos-de-marketing-turistico/plano_aquarela_2003_a_2006.pdf?ref=lets.etc.br">primeiro Plano de Marketing Internacional do Brasil (2004)</a> e da<a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx2402200515.htm?ref=lets.etc.br"> </a><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx2402200515.htm?ref=lets.etc.br">Marca Brasil (2005)</a>.</p><p>O vanguardista Aquarela manteve-se por duas d&#xE9;cadas (2004-2024) como o paradigma da promo&#xE7;&#xE3;o internacional brasileira, apesar de avan&#xE7;os e recuos em investimentos e/ou direcionamentos estrat&#xE9;gicos, ao longo desses anos. Jamais houve uma altera&#xE7;&#xE3;o estruturante da matriz do Plano, e seguiu vigente sua l&#xF3;gica de promo&#xE7;&#xE3;o internacional desenvolvida a partir de mercados priorit&#xE1;rios e de segmentos de turismo, com processos decis&#xF3;rios offline principalmente baseados na presen&#xE7;a f&#xED;sica no exterior, de maneira permanente (Escrit&#xF3;rios Brasileiros de Turismo - EBTs, descontinuados ap&#xF3;s 2015) ou com a&#xE7;&#xF5;es presenciais e espor&#xE1;dicas/tempor&#xE1;rias, como treinamentos, eventos ou feiras, majorit&#xE1;ria mas n&#xE3;o exclusivamente, em modelos que inovaram em formatos e/ou conte&#xFA;dos, mantendo suas l&#xF3;gicas offline B2B ou B2C.</p><p>Para se obter um novo salto em turismo internacional, entendo ser preciso o Brasil revisitar a l&#xF3;gica da promo&#xE7;&#xE3;o e de suas complexas vari&#xE1;veis. Apenas para focar em uma delas, neste artigo, vou falar de promo&#xE7;&#xE3;o. H&#xE1; muitas outras vari&#xE1;veis envolvidas, naturalmente. A cria&#xE7;&#xE3;o de um novo Planejamento de Marketing Tur&#xED;stico Internacional do Brasil sempre foi meu norte, e, tamb&#xE9;m, meu maior orgulho por t&#xEA;-lo estruturado: trata-se de uma promessa de legado que deixei, porque, sim, trabalhei com a perspectiva de constru&#xE7;&#xE3;o de legado e n&#xE3;o de &#x201C;balc&#xE3;o de projetos&#x201D;.</p><p>Essa proposta altera l&#xF3;gicas e traz para seu centro uma nova modelagem do sistema de promo&#xE7;&#xE3;o comercial do turismo brasileiro, como um avan&#xE7;o necess&#xE1;rio ao legado de 2004. Ela n&#xE3;o surgiu repentinamente. Ao contr&#xE1;rio, construiu-se a partir de an&#xE1;lises de resultados dos &#xFA;ltimos anos, de proje&#xE7;&#xE3;o de cen&#xE1;rios futuros para a promo&#xE7;&#xE3;o internacional do Brasil, de aprendizados de orgulhosa participa&#xE7;&#xE3;o na cria&#xE7;&#xE3;o e implementa&#xE7;&#xE3;o do Aquarela e seus principais programas (minha e de muitos outros profissionais). Tamb&#xE9;m, e, principalmente, reflete a contribui&#xE7;&#xE3;o de brilhantes profissionais que participaram das discuss&#xF5;es publicadas no <a href="https://teoriaedebate.org.br/cadernos/diretrizes-para-um-futuro-melhor-fundamentado-em-pessoas-desenvolvimento-sustentavel-e-inovacao-do-turismo-brasileiro/?ref=lets.etc.br">Diretrizes para um Futuro Melhor, Fundamentado em Pessoas, Desenvolvimento Sustent&#xE1;vel e Inova&#xE7;&#xE3;o do Turismo Brasileiro (cr&#xE9;ditos indicados no documento)</a>, al&#xE9;m de amigas e amigos, e alguns ex-colegas, talentosos e experientes com quem tive o privil&#xE9;gio de trabalhar na Embratur e fora dela. Um novo plano de marketing complementa o planejamento, como indicador estrat&#xE9;gico de rumos, fundamentado em pesquisas e direcionamentos de oportunidades futuras, mas passa a acoplar-se a um sistema mais amplo, robusto e centrado em tecnologias como Intelig&#xEA;ncia Artificial (IA) e Costumer Relationship Management (CRM), e em necess&#xE1;rias premissas de diversidade e sustentabilidade, frente &#xE0;s mudan&#xE7;as clim&#xE1;ticas. Para criar coes&#xE3;o entre os stakeholders e fortalecer o direcionamento, complementa-se com um evento estrat&#xE9;gico e h&#xED;brido, sediado no Brasil e com participa&#xE7;&#xE3;o internacional. A mensagem de pa&#xED;s precisa ter coer&#xEA;ncia e, para isso, um direcionamento &#xFA;nico proveniente do Planejamento de Marketing Tur&#xED;stico Internacional do Brasil.</p><p>Esse novo modelo tem foco nas pessoas, independente de seu local de resid&#xEA;ncia. S&#xE3;o turistas estrangeiros e seus interesses, stakeholders/indiv&#xED;duos estrangeiros e brasileiros, dos setores privado e p&#xFA;blico (nesta ordem), al&#xE9;m da imprensa e de formadores de opini&#xE3;o de diferentes perfis e origens. A essas pessoas, s&#xE3;o levados os diferenciais competitivos do Brasil, assentados tamb&#xE9;m nos meios de acesso/transportes, em tend&#xEA;ncias de consumo, em sustentabilidade, a&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas e regenera&#xE7;&#xE3;o de ecossistemas (natureza e culturas), por meio de tecnologias (IA, CRM, plataformas online de comunica&#xE7;&#xE3;o, intera&#xE7;&#xE3;o e engajamento).</p><p>A substitui&#xE7;&#xE3;o de mercados e de segmentos, como regra, por pessoas e seus interesses, dever&#xE1; se dar por meio da centralidade em personas, a serem trabalhadas ativamente como p&#xFA;blico-alvo central da nova promo&#xE7;&#xE3;o internacional. Identificadas e trazidas para um robusto e personalizado CRM, com IA e novas tecnologias aplicadas, precisam ser alimentadas com conte&#xFA;dos de seu exclusivo interesse. A elas devem chegar tem&#xE1;ticas gerais relacionadas ao Brasil, para constru&#xE7;&#xE3;o de imagem e de soft power (influ&#xEA;ncia indireta), experi&#xEA;ncias de hospitalidade e turismo, oportunidades de parcerias comerciais, iniciativas destacadas do pa&#xED;s, e adi&#xE7;&#xF5;es que impactam em sua decis&#xE3;o de viagens, em termos racionais e emocionais.</p><p>O ponto central do novo planejamento de marketing tur&#xED;stico internacional &#xE9; renovar a matriz do Plano Aquarela, considerando seus &#xEA;xitos e desafios, e acrescentando as tecnologias e perspectivas aceleradas do S&#xE9;culo XXI p&#xF3;s-pandemia. Pesquisas indicam que experi&#xEA;ncias com interesses espec&#xED;ficos e ao mesmo tempo complementares (como natureza e gastronomia; cidades e relaxamento; turismo em comunidades e luxo), sustentabilidade e a&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas, facilidades de transportes e tecnologias devem ser essenciais.</p><p>A rela&#xE7;&#xE3;o custo-benef&#xED;cio do modelo offline, essencial para o primeiro grande salto no turismo internacional brasileiro, j&#xE1; mostrou a necessidade de ajustes. &#xC9; s&#xF3; analisar o montante de investimento necess&#xE1;rio para se fazer uma a&#xE7;&#xE3;o de qualidade em cidades globais e de alto potencial emissor para o Brasil, como Nova York, Londres ou Paris, e os resultados derivados, para compreender que &#xE9; preciso mudar.</p><p>As bases do novo j&#xE1; nascem com diversidade, inclus&#xE3;o, tecnologias, sustentabilidade e a&#xE7;&#xF5;es clim&#xE1;ticas, regenera&#xE7;&#xE3;o, integra&#xE7;&#xE3;o com outros setores, e, tamb&#xE9;m, direcionado aos fluidos perfis dos viajantes com interesses nas experi&#xEA;ncias em que o Brasil tem excel&#xEA;ncia, bem como em parceiros comerciais. Isso de maneira estruturante, com plataformas robustas. H&#xE1; cada vez menos espa&#xE7;o para recuos, sobretudo no ambiente competitivo que &#xE9; a promo&#xE7;&#xE3;o internacional.</p><p>Tornam-se essenciais para decis&#xF5;es de investimentos, ao inv&#xE9;s das informa&#xE7;&#xF5;es prioritariamente relacionadas a mercados geogr&#xE1;ficos, os interesses do p&#xFA;blico estrangeiro e suas comunidades (agregadas em din&#xE2;micas cada vez mais globalizadas e online). Cito como exemplo personas interessadas em iniciativas de regenera&#xE7;&#xE3;o de natureza, que consomem conte&#xFA;do em ingl&#xEA;s: elas podem estar no Canad&#xE1;, no Chile, na Pol&#xF4;nia ou na Su&#xE9;cia, e serem igualmente impactadas, com efici&#xEA;ncia, por diversos tipos de canais online e parceiros, independente da realiza&#xE7;&#xE3;o de um evento em alguma cidade de seus pa&#xED;ses de resid&#xEA;ncia, com objetivo de informa&#xE7;&#xE3;o e resultados de convers&#xE3;o em vendas.</p><p>Enquanto estava no metr&#xF4; de Nova York, na semana passada, acompanhei de relance uma senhora sentada ao meu lado, por longos minutos, interagindo no aplicativo da <a href="https://www.linkedin.com/article/edit/7245408362010427394/?ref=lets.etc.br">FARM Rio</a> , observando com aten&#xE7;&#xE3;o itens da moda brasileira. No celular dela precisa chegar, tamb&#xE9;m e imediatamente ap&#xF3;s acessar este conte&#xFA;do, por exemplo, informa&#xE7;&#xF5;es e experi&#xEA;ncias que se somam ao interesse na moda, entre elas programas de carbono neutro do contexto e viagens ao pa&#xED;s de origem dos talentosos designers, com empresas especializadas em viagens de nichos e com a companhia a&#xE9;rea parceira da regenera&#xE7;&#xE3;o da natureza que inspira as estampas da Farm Rio, s&#xF3; para dar um r&#xE1;pido exemplo.</p><p>Neste novo modelo, cabem quaisquer novas, emergentes ou maduras experi&#xEA;ncias brasileiras, pois seu conte&#xFA;do &#xE9; direcionado &#xE0; demanda das personas, independente de sua resid&#xEA;ncia, e aqui h&#xE1; ilimitadas oportunidades.</p><p>Presen&#xE7;a permanente torna-se direcionada &#xE0;s constru&#xE7;&#xF5;es e manuten&#xE7;&#xF5;es de parcerias ultra-estrat&#xE9;gicas, e &#xE0; capacidade de atingir turistas de alto valor, conectados com os valores mais caros ao Brasil, sempre com foco em maior custo-benef&#xED;cio do investimento. A presen&#xE7;a tempor&#xE1;ria, como ao realizar ou participar em eventos offline, sempre com investimentos significativos, sobretudo em moeda estrangeira forte, passa a ser essencial quando houver um conjunto de personas (pessoas, B2B, B2C, formadores de opini&#xE3;o, stakeholders estrat&#xE9;gicos etc) com interesses objetivos, em determinada localidade, ou em calend&#xE1;rios oficiais de feiras que geram neg&#xF3;cios. As entregas nessas a&#xE7;&#xF5;es se tornam, portanto, direcionadas a um conjunto de pessoas, conhecido e de mais f&#xE1;cil acesso, para apurada assertividade no custo-benef&#xED;cio.</p><p>Todos os atores da cadeia do turismo, como empreendimentos de hospitalidade ou de experi&#xEA;ncias e receptivos (no Brasil), emissivos (no exterior), institui&#xE7;&#xF5;es governamentais, federais, estaduais e municipais (brasileiras), al&#xE9;m de associa&#xE7;&#xF5;es segmentadas, operadores, hotelaria, companhias a&#xE9;reas, clubes e comunidades de interesses espec&#xED;ficos, marcas de bens ou servi&#xE7;os com valores convergentes, novos parceiros (&#xF3;bvios ou inusitados), tornam-se integrantes estruturantes deste novo sistema de promo&#xE7;&#xE3;o comercial.</p><p>Com recursos limitados para promo&#xE7;&#xE3;o internacional, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel imaginar um novo grande salto se ainda assentada a promo&#xE7;&#xE3;o em matriz datada do in&#xED;cio do s&#xE9;culo XXI, j&#xE1; em meados de sua terceira d&#xE9;cada. &#xC9; preciso um novo Aquarela, igualmente vanguardista em tempos atuais, fundamentado na l&#xF3;gica de que exporta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os de turismo &#xE9; um neg&#xF3;cio que pode financiar melhorias constantes para o pa&#xED;s, inclusive a t&#xE3;o necess&#xE1;ria conserva&#xE7;&#xE3;o da natureza e a regenera&#xE7;&#xE3;o de nossos ecossistemas.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[“Barcelona és bona si la bossa sona”. Reflexões acerca das razões e consequências da financeirização turística da cidade.]]></title><description><![CDATA[<p>A cidade condal, na pen&#xED;nsula ib&#xE9;rica, desde longa data, &#xE9; considerada um lugar de trocas, de forte cunho comercial. Porto aberto para o Mediterr&#xE2;neo, sempre teve proje&#xE7;&#xE3;o al&#xE9;m-mar por sua din&#xE2;mica econ&#xF4;mica e cultural. A</p>]]></description><link>https://lets.etc.br/barcelona-es-bona-si-la-bossa-sona-reflexoes-acerca-das-razoes-e-consequencias-da-financeirizacao-turistica-da-cidade/</link><guid isPermaLink="false">66eb29d151b4ccb20e4f0d8e</guid><dc:creator><![CDATA[Marcelo Brito]]></dc:creator><pubDate>Wed, 18 Sep 2024 19:31:44 GMT</pubDate><media:content url="https://lets.etc.br/content/images/2024/09/Barcelona.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/09/Barcelona.jpg" alt="&#x201C;Barcelona &#xE9;s bona si la bossa sona&#x201D;. Reflex&#xF5;es acerca das raz&#xF5;es e consequ&#xEA;ncias da financeiriza&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica da cidade."><p>A cidade condal, na pen&#xED;nsula ib&#xE9;rica, desde longa data, &#xE9; considerada um lugar de trocas, de forte cunho comercial. Porto aberto para o Mediterr&#xE2;neo, sempre teve proje&#xE7;&#xE3;o al&#xE9;m-mar por sua din&#xE2;mica econ&#xF4;mica e cultural. A express&#xE3;o em catal&#xE3;o, l&#xED;ngua nativa falada at&#xE9; os dias atuais na regi&#xE3;o, que d&#xE1; t&#xED;tulo a este artigo, &#xE9; de origem italiana, atribu&#xED;da a seus comerciantes, que diziam que a cidade era boa quando conseguiam vender os seus produtos (METROPOLI, 2024). Assim, Barcelona, querendo ou n&#xE3;o, estigmatizou-se, ao longo do tempo, por ser um territ&#xF3;rio do capital, presente, de modo mais ou menos ostensivo, nas rela&#xE7;&#xF5;es socioecon&#xF4;micas da cidade, no sentido de que ser&#xE1; sempre melhor viv&#xEA;-la, quando dinheiro dispuser no bolso para tanto.&#xA0; No entanto, adicionalmente a essa express&#xE3;o, existe um dito que a complementa, nem sempre levado em conta, qual seja: &#x201C;...per&#xF2; tant si sona com si no sona, Barcelona sempre &#xE9;s bona&#x201D;, ou seja, a cidade sempre recebe o visitante com os bra&#xE7;os abertos, independentemente do dinheiro que leve consigo (PADRONEL, 2014).</p><p>Dilemas &#xE0; parte, &#xE9; claro que aqui, neste texto, trata-se de transmitir o olhar e o sentir deste autor, diante de recente visita tur&#xED;stica nost&#xE1;lgica &#xE0; cidade onde viveu e que o acolheu em um determinado per&#xED;odo de sua vida, mais precisamente, no per&#xED;odo de prepara&#xE7;&#xE3;o da cidade para os Jogos Ol&#xED;mpicos de 1992.</p><p>Pode-se observar que a necessidade de se projetar, de modo cada vez mais aut&#xF4;nomo, especialmente a partir dos referidos Jogos Ol&#xED;mpicos, &#xE9;poca em que o Estado espanhol passa a integrar a Uni&#xE3;o Europeia, v&#xEA;-se fortalecida, diante das oportunidades que foram criadas e das novas din&#xE2;micas urbanas, sociais, econ&#xF4;micas e culturais que foram fomentadas na cidade. Isto favoreceu um desejo generalizado de se conhecer a cidade, que desde ent&#xE3;o, vem se intensificando exponencialmente no mundo, em especial, como dito, pela exposi&#xE7;&#xE3;o global que os Jogos permitiram fazer, proporcionando de maneira crescente a massifica&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica da cidade.</p><p>Lugares, equipamentos e servi&#xE7;os que antes eram livre e facilmente acessados pelos seus residentes e mesmo por turistas, passaram a ser disputados, o que vem promovendo uma verdadeira estratifica&#xE7;&#xE3;o espacial do seu territ&#xF3;rio, gerando hierarquias funcionais, usos preferenciais e destinat&#xE1;rios priorit&#xE1;rios no desfrute e apropria&#xE7;&#xE3;o de seu territ&#xF3;rio e seus atrativos.</p><p>Assim, o crescente afluxo de visitantes, decorrente disso e associado a fatores facilitadores do acesso ao destino, como os relacionados aos modais de transporte, com deslocamentos mais baratos em voos de empresas a&#xE9;reas de <em>low</em> <em>cost</em>, de linhas terrestres de empresas rodovi&#xE1;rias cada vez mais conectadas a centros irradiadores europeus, al&#xE9;m da opera&#xE7;&#xE3;o de trens de alta velocidade encurtando dist&#xE2;ncias entre localidades, e os relacionados aos tipos de acomoda&#xE7;&#xE3;o que se proliferaram no destino e arredores, ampliando a oferta no &#xE2;mbito da rede de alojamentos existentes, como ainda, a prolifera&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os <em>fast-food</em>, com um relativo barateamento das necessidades de restaura&#xE7;&#xE3;o alimentar, intensificaram o consumo dos atrativos tur&#xED;sticos existentes e das externalidades urban&#xED;sticas a eles associados.</p><p>Assim, apoiado em Aalbers que define a financeiriza&#xE7;&#xE3;o como &#x201C;o crescente dom&#xED;nio dos atores financeiros, mercados, pr&#xE1;ticas, medidas e narrativas financeiras, em v&#xE1;rias escalas, resultando numa transforma&#xE7;&#xE3;o estrutural de economias, empresas (incluindo institui&#xE7;&#xF5;es financeiras), estados e fam&#xED;lias&#x201D; (AALBERS, 2015, p. 214), e mais com o objetivo de &#x201C;jogar luz sobre o tema da financeiriza&#xE7;&#xE3;o e seus nexos com o territ&#xF3;rio&#x201D; (BONICENHA, 2017, p.03), e neste particular, a partir da perspectiva de mercantiliza&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica da cidade, a transforma&#xE7;&#xE3;o de recursos urbanos, sociais e culturais, por excel&#xEA;ncia, em produtos econ&#xF4;micos, face &#xE0; massifica&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica, est&#xE3;o encarecendo, obstruindo e estratificando o acesso a esses ativos &#x201C;turistificados&#x201D; em fun&#xE7;&#xE3;o de seu intenso consumo econ&#xF4;mico.</p><p>Por exemplo, espa&#xE7;os p&#xFA;blicos, antes de acesso livre e irrestrito, como o Parque G&#xFC;ell, passam a ter &#x201C;filtros&#x201D; para o seu desfrute, mediante o acesso pago, justificado, no discurso pol&#xED;tico-institucional, como via para assegurar a sua conserva&#xE7;&#xE3;o e uso seguro, permitindo assim, a melhoria de suas condi&#xE7;&#xF5;es de uso ao longo do tempo, como atrativo tur&#xED;stico de import&#xE2;ncia para a cidade. Destaque-se que, nos chamados &#x201C;filtros&#x201D;, antes mencionados, moradores que, mediante cadastramento junto &#xE0; administra&#xE7;&#xE3;o municipal, comprovem sua resid&#xEA;ncia, seja nas imedia&#xE7;&#xF5;es ao parque ou na cidade, contar&#xE3;o com um livre ingresso, assegurando, sem custos, como cidad&#xE3;os barceloneses, o desfrute de sua cidade, por nela viverem. Um cart&#xE3;o pessoal e intransfer&#xED;vel de acesso com um n&#xFA;mero identificador sinaliza sua condi&#xE7;&#xE3;o.&#xA0; Assim, &#x201C;o objetivo da gest&#xE3;o de acessos &#xE9; controlar o acesso ao Parque G&#xFC;ell, a fim de evitar a sobrelota&#xE7;&#xE3;o, os movimentos e as multid&#xF5;es na zona patrimonial, garantindo assim a sua seguran&#xE7;a, a sua correta utiliza&#xE7;&#xE3;o, a sua conserva&#xE7;&#xE3;o e a qualidade da visita&#x201D; (PARKGUELL, s.d.).</p><p>Outras situa&#xE7;&#xF5;es podem ser mencionadas. Destaco, aqui, o caso do <em>Mercat de la Boquer&#xED;a</em>, na zona central antiga da cidade, que se transformou em um verdadeiro espa&#xE7;o gastron&#xF4;mico, al&#xE9;m de <em>spot</em> de refer&#xEA;ncia para o turismo criativo, a partir da realiza&#xE7;&#xE3;o de um tour por suas instala&#xE7;&#xF5;es com vistas &#xE0; compra de ingredientes para, sob o comando de um chef, preparar pratos da culin&#xE1;ria local, como tapas, sangrias e <em>paellas</em>. Nesse caso, &#xE9; evidente a transforma&#xE7;&#xE3;o do espa&#xE7;o do mercado tradicional, ao assumir, diante das demandas de funcionalidade tur&#xED;stica emergentes, o papel de espa&#xE7;o de &#xF3;cio e lazer que, em fun&#xE7;&#xE3;o da alta procura, tem se tornado um ambiente pouco acolhedor, decorrente de uma capacidade de carga sobrepassada, al&#xE9;m de se tornar um espa&#xE7;o exclusivo e caro.</p><p>Este e outros ambientes da cidade acabam por afastar os seus usu&#xE1;rios correntes, por uma substitui&#xE7;&#xE3;o progressiva em nome dos visitantes que, pela financeiriza&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica da cidade, podem e pagam mais pelo seu desfrute. Isto, a custa de um certo grau de ressentimento dos habitantes locais que se veem preteridos e buscam outros ambientes para satisfazer suas necessidades e interesses, gerando, em maior ou em menor grau, processos segregacionistas na cidade.&#xA0;</p><p>Poderia, em contraposi&#xE7;&#xE3;o a movimentos sociais reativos de recha&#xE7;o aos turistas na cidade, destacar iniciativas locais que j&#xE1; existiam e que ajudam a contemporizar essa situa&#xE7;&#xE3;o, como o fomento a visitas gratuitas e agendadas para todos os usu&#xE1;rios, em especial, em equipamentos museais, como ainda o fomento de eventos abertos e irrestritos ao p&#xFA;blico em geral, em especial em per&#xED;odos de mais afluxo tur&#xED;stico, para tornar mais acess&#xED;vel a todos atividades culturais e de lazer, como os festivais de ver&#xE3;o, ou maior apoio e promo&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s festas populares da cidade, como <em>La Merc&#xE9;</em> ou a <em>Fiesta Mayor de Gracia</em>.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://lets.etc.br/content/images/2024/09/image.png" class="kg-image" alt="&#x201C;Barcelona &#xE9;s bona si la bossa sona&#x201D;. Reflex&#xF5;es acerca das raz&#xF5;es e consequ&#xEA;ncias da financeiriza&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica da cidade." loading="lazy" width="886" height="1181" srcset="https://lets.etc.br/content/images/size/w600/2024/09/image.png 600w, https://lets.etc.br/content/images/2024/09/image.png 886w" sizes="(min-width: 720px) 720px"></figure><p><em>Registro de manifesta&#xE7;&#xE3;o no Bairro de Gracia, Barcelona, Espanha. Acervo pessoal.</em></p><p>Assim, os movimentos manifestos nos grafismos de &#x201C;tourists go home&#x201D; em Barcelona expressam um descontentamento de setores sociais barceloneses que veem, em particular, os pre&#xE7;os dos alugu&#xE9;is de im&#xF3;veis na cidade terem uma subida de mais de 30% nos &#xFA;ltimos cinco anos (FERNANDEZ, 2024). Outro aspecto tamb&#xE9;m relevante &#xE9; o da transforma&#xE7;&#xE3;o de usos em determinadas zonas da cidade, em especial de com&#xE9;rcios locais tradicionais que, ao terem se mantido ao longo do tempo, apesar da oferta empresarial dos grandes equipamentos como os centros comerciais e os supermercados implantados a partir da segunda metade do s&#xE9;culo passado, por conta do apelo tur&#xED;stico ostensivo em determinadas zonas da cidade, veem-se progressivamente transformados com a especializa&#xE7;&#xE3;o urbana de &#xE1;reas tur&#xED;sticas como a das <em>Ramblas</em>, em <em>Ciutat Vella</em>, e das zonas lindeiras ao Templo Expiat&#xF3;rio da Sagrada Fam&#xED;lia, do arquiteto Antoni Gaudi, no <em>Eixample</em>, que passaram a se constituir em zonas de oferta comercial exclusivamente orientada ao visitante (AJUNTAMENT DE BARCELONA, BARCELONA ACTIVA, 2023).</p><p>Deste modo, proliferam processos de gentrifica&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;reas urbanas (HAMNET, 2003; GLASS, 1964; CAMPOS, s.d.), que, no caso, t&#xEA;m incidido em ambientes com potente conte&#xFA;do patrimonial arquitet&#xF4;nico e urban&#xED;stico, transformando consider&#xE1;veis &#xE1;reas pela sua segrega&#xE7;&#xE3;o socioespacial, esta, caracterizada pela sua valoriza&#xE7;&#xE3;o acentuada, resultando na sa&#xED;da progressiva de residentes e usu&#xE1;rios correntes em raz&#xE3;o do aumento do custo de vida local e de consumo de seus equipamentos e servi&#xE7;os.</p><p>Por outro lado, de modo direto ou indireto, a turistifica&#xE7;&#xE3;o de lugares pelos atrativos ali existentes (HERN&#xC1;NDEZ-RAM&#xCD;REZ, 2018; NOVY, 2017), pode favorecer ou mesmo financiar a recupera&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os onde esses atrativos se assentam, como ainda, promover a sua pr&#xF3;pria conserva&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m disso, podem fomentar a dinamiza&#xE7;&#xE3;o de atividades locais que associadas ao turismo possibilitam sua reinser&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica e revaloriza&#xE7;&#xE3;o no contexto urbano da cidade. No entanto, &#xE9; certo que essa turistifica&#xE7;&#xE3;o cobra a sua fatura pela monetiza&#xE7;&#xE3;o de tudo o que pode ser oferecido e ocorrer naqueles lugares.&#xA0; Assim, as taxas tur&#xED;sticas que, no princ&#xED;pio tiveram um car&#xE1;ter experimental mais volunt&#xE1;rio e solid&#xE1;rio &#xE0; localidade, t&#xEA;m se tornado cada vez mais obrigat&#xF3;rias em contextos urbanos e que, segundo a normativa correspondente, devem ter uma destina&#xE7;&#xE3;o clara e pragm&#xE1;tica.&#xA0;</p><p>No caso de Barcelona, essa taxa tur&#xED;stica, estabelecida em lei e justificada para dar suporte financeiro &#xE0; melhoria e manuten&#xE7;&#xE3;o da infraestrutura e dos servi&#xE7;os relacionados ao turismo na cidade, como manuten&#xE7;&#xE3;o de monumentos, museus e &#xE1;reas p&#xFA;blicas, promo&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica em suas campanhas de marketing, apoio a servi&#xE7;os p&#xFA;blicos de seguran&#xE7;a, limpeza e transporte, financiamento de eventos e atividades culturais locais, entre outros (Cf. GENERALITAT DE CATALUNYA. LLei n&#xBA; 5/2017, de 28 de mar&#xE7;o; AJUNTAMENT DE BARCELONA Ordenan&#xE7;a Fiscal n&#xBA; 2.2/2020, de 23 de dessembre), tem sido utilizada, ademais, para a aplica&#xE7;&#xE3;o de sobretaxas para justificar-se muito mais como um meio para conter o turismo massivo na cidade, diante do afluxo crescente de turistas.&#xA0;</p><p>Sua aplica&#xE7;&#xE3;o ocorre, por excel&#xEA;ncia, no &#xE2;mbito do setor de alojamento da cidade, e que no caso das acomoda&#xE7;&#xF5;es privadas de aluguel de variada dura&#xE7;&#xE3;o, como as acessadas mediante a plataforma <em>Airbnb</em>, &#xE9; uma exig&#xEA;ncia a ser atendida, caso o visitante queira efetivamente utilizar esse servi&#xE7;o. Assim, s&#xE3;o &#xA0;cobrados 6,05 euros por pessoa/noite, para at&#xE9; 7 noites consecutivas, estando isentos menores de at&#xE9; 16 anos (Cf. AIRBNB, s.d.)</p><p>Desse instrumento arrecadat&#xF3;rio, o Imposto sobre Estadias em Estabelecimentos Tur&#xED;sticos (IEETS), est&#xE3;o previstos para serem computados em favor dos cofres municipais, valores da ordem de 95 milh&#xF5;es de euros em 2024, podendo esse valor ser acrescido se for aprovado ainda este ano um aumento nessa sobretaxa a partir de outubro deste ano, o que poder&#xE1; ascender a 115 milh&#xF5;es de euros (CHECKINSCAN, 2024).</p><p>Apesar disto, a massifica&#xE7;&#xE3;o tur&#xED;stica na cidade, caracterizada no fen&#xF4;meno do <em>overtourism</em> (VAGENA, 2021; BROWN, s.d.), que estima receber 32 milh&#xF5;es de visitantes anuais na cidade condal (RAMOS,., 2024), segue, ainda, sem uma solu&#xE7;&#xE3;o clara de como enfrentar o desafio de ser uma oferta tur&#xED;stica de n&#xED;vel global sem perder a qualidade de vida que necessita assegurar aos seus cidad&#xE3;os e aos que a visitam, demonstrando ser Barcelona uma cidade v&#xED;tima de seu pr&#xF3;prio sucesso (PLUSH, 2017).</p><p>Trata-se, portanto, de uma equa&#xE7;&#xE3;o de dif&#xED;cil opera&#xE7;&#xE3;o, mas que necessita de uma s&#xE9;rie de resolu&#xE7;&#xF5;es, o que certamente est&#xE1; a demandar um debate sistem&#xE1;tico sobre quais estrat&#xE9;gias, em uma perspectiva transversal, a adotar de forma contundente, consistente e permanente para alcan&#xE7;ar um patamar de realiza&#xE7;&#xE3;o adequada da atividade tur&#xED;stica que seja socialmente justa, economicamente vi&#xE1;vel, culturalmente diversa e ambientalmente equilibrada.&#xA0;</p><p><strong>REFER&#xCA;NCIAS BIBLIOGR&#xC1;FICAS</strong></p><p>AALBERS, M. The potential for financialization. Dialogues in human geography, 2015, 5(2), 214-219.</p><p>AJUNTAMENT DE BARCELONA. Ordenanza Fiscal n&#xBA; 2.2/2020, de 23 de dessembre. Ordenan&#xE7;a Fiscal Reguladora del Rec&#xE0;rrec a L&#x2019;impost sobre les Estades en Establiments Tur&#xED;stics. Barcelona, 2020.</p><p>AJUNTAMENT DE BARCELONA; BARCELONA ACTIVA. Comercio y Turismo. Informe sectorial. Barcelona, 2023.</p><p>Barcelona: Experi&#xEA;ncia de cozinhar paella e passeio pelo mercado Boqueria. Get your Guide. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.getyourguide.com/pt-br/barcelona-l45/aula-de-culinaria-c-paella-e-tour-la-boqueria-t44533/?ranking_uuid=67240773-1982-4934-8b52-7d3abecc773c&amp;ref=lets.etc.br">https://www.getyourguide.com/pt-br/barcelona-l45/aula-de-culinaria-c-paella-e-tour-la-boqueria-t44533/?ranking_uuid=67240773-1982-4934-8b52-7d3abecc773c</a>. Acesso em: 13/09/23.</p><p>BONICENHA, R. C. Financeiriza&#xE7;&#xE3;o e Territ&#xF3;rio: uma revis&#xE3;o da literatura recente. Desenvolvimento, crise e resist&#xEA;ncia: quais os caminhos do Planejamento Urbano e Regional?&#xA0; XVII ENANPUR, S&#xE3;o Paulo, 2017, pp. 1-16.</p><p>BROWN, Vicky. Overtourism in Barcelona. Responsible travel, s.d. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.responsibletravel.com/copy/overtourism-in-barcelona?ref=lets.etc.br">https://www.responsibletravel.com/copy/overtourism-in-barcelona</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>CAMPOS, M. Gentrifica&#xE7;&#xE3;o. Mundo Educa&#xE7;&#xE3;o, s.d. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/gentrificacao.htm?ref=lets.etc.br#:~:text=A%20gentrifica%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20o%20termo,local%20do%20custo%20de%20vida">https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/gentrificacao.htm#:~:text=A%20gentrifica%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20o%20termo,local%20do%20custo%20de%20vida</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>FERNANDEZ, David. Se dispara, otra vez, el precio de los alquileres en Barcelona. La Raz&#xF3;n. 01.07.2024. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.larazon.es/cataluna/barcelona/dispara-otra-vez-precio-alquileres-barcelona_2024070166827e390de31e0001f71add.html?ref=lets.etc.br#:~:text=El%20precio%20medio%20del%20alquiler,al%20%C3%BAltimo%20trimestre%20de%202023">https://www.larazon.es/cataluna/barcelona/dispara-otra-vez-precio-alquileres-barcelona_2024070166827e390de31e0001f71add.html#:~:text=El%20precio%20medio%20del%20alquiler,al%20%C3%BAltimo%20trimestre%20de%202023</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>GENERALITAT DE CATALUNYA.&#xA0; Ley n&#xBA; 5/2017, de 28 de mar&#xE7;, de mesures fiscals, administratives, financeres i del sector p&#xFA;blic i de creaci&#xF3; i regulaci&#xF3; dels impostos sobre grans establiments comercials, sobre estades en establiments tur&#xED;stics, sobre elements radiot&#xF2;xics, sobre begudes ensucrades envasades i sobre emissions de di&#xF2;xid de carboni. Barcelona, 2017.</p><p>GLASS, R.&#xA0; Introduction to London: aspects of change. Centre for Urban Studies, London, 1964. Reimpresso in GLASS, R. Cliche&#xB4;s of Urban Doom, pp. 132&#x2013;158. Oxford: Blackwell, 1989.</p><p>HAMNETT, C. Gentrification and the Middle-class Remaking of Inner London, 1961&#x2013;2001. Urban Studies, Vol. 40, No. 12, 2401&#x2013;2426, November 2003.</p><p>HERN&#xC1;NDEZ-RAM&#xCD;REZ, J. La voracidad del turismo y el derecho a la ciudad. Revista Andaluza de Antropolog&#xED;a, 15, pp. 22-46, 2018.</p><p>NOVY, J. &#x2018;Destination&#x2019; Berlin revisited. From (new) tourism towards a pentagon of mobility and place consumption. Tourism Geographies, 20(3), 418-442, 2017.</p><p>Origen de dichos y expresiones: &#x2018;Barcelona &#xE9;s bona si la bossa&#xA0;sona&#x2019;. PADRONEL, 19/08/2014. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://padronel.blog/2014/08/28/le-origen-de-dichos-y-expresiones-barcelona-s-bona-si-la-bossa-sona/?ref=lets.etc.br">https://padronel.blog/2014/08/28/le-origen-de-dichos-y-expresiones-barcelona-s-bona-si-la-bossa-sona/</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>PARKGUELL. &#xBF;Por qu&#xE9; la gesti&#xF3;n de accesos? Park G&#xFC;ell &#x2013; Web. Oficial. Ajuntament de Barcelona. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://parkguell.barcelona/es/un-parque-para-todo-el-mundo/por-que-la-gestion-de-accesos?ref=lets.etc.br">https://parkguell.barcelona/es/un-parque-para-todo-el-mundo/por-que-la-gestion-de-accesos</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>PLUSH, H. Barcelona unveils new law to keep tourists away. 2017. The Telegraph. Travel. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/europe/spain/catalonia/barcelona/articles/barcelona-unveils-new-law-to-keep-tourists-away/?ICID=continue_without_subscribing_reg_first&amp;ref=lets.etc.br">https://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/europe/spain/catalonia/barcelona/articles/barcelona-unveils-new-law-to-keep-tourists-away/?ICID=continue_without_subscribing_reg_first</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p><p>RAMOS, K. Barcelona deve aumentar taxa de turismo para 4 em outubro em a&#xE7;&#xE3;o contra overturism. COPASTUR, 22/07/2024. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.copastur.com.br/blog/barcelona-deve-aumentar-taxa-de-turismo/?ref=lets.etc.br">https://www.copastur.com.br/blog/barcelona-deve-aumentar-taxa-de-turismo/</a>. Acesso em: 14/09/2024.</p><p>Sagrada Familia I. AIRBNB, s.d. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.airbnb.com.br/rooms/5097014?source_impression_id=p3_1726326877_P3C1xvxitP9rYExG&amp;ref=lets.etc.br">https://www.airbnb.com.br/rooms/5097014?source_impression_id=p3_1726326877_P3C1xvxitP9rYExG</a>. Acesso em: 14/09/2024.</p><p>Taxa tur&#xED;stica em Barcelona em vigor por tipo de alojamento. CHECKINSCAN, 2024.<br>Dispon&#xED;vel em: <a href="https://www.checkinscan.com/pt/imposto-turistico-de-barcelona/?ref=lets.etc.br#:~:text=Esta%20medida%20poder%C3%A1%20entrar%20em,sobretaxa%20possa%20exceder%20o%20atual">https://www.checkinscan.com/pt/imposto-turistico-de-barcelona/#:~:text=Esta%20medida%20poder%C3%A1%20entrar%20em,sobretaxa%20possa%20exceder%20o%20atual</a>. Acesso em: 14/09/2024.</p><p>VAGENA, A. OVERTOURISM: Definition and Impact. Academia Letters, Article 1207, June 2021.</p><p><a href="https://metropoliabierta.elespanol.com/vivir-en-barcelona/?ref=lets.etc.br">Vivir en Barcelona</a>. Estos son los refranes m&#xE1;s famosos de Barcelona. METROPOLI, 24/03/2024. Dispon&#xED;vel em: <a href="https://metropoliabierta.elespanol.com/vivir-en-barcelona/20230814/estos-son-los-dichos-refranes-mas-famosos-de-barcelona/786671582_0.html?ref=lets.etc.br">https://metropoliabierta.elespanol.com/vivir-en-barcelona/20230814/estos-son-los-dichos-refranes-mas-famosos-de-barcelona/786671582_0.html</a>. Acesso em: 13/09/2024.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>